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Singapura cria novo comando para combater fraudes e cibercrime

todayMaio 11, 2026 17

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Singapura, 11 de maio de 2026 (RAFA.TL) – A Polícia de Singapura (SPF) vai criar em julho um novo comando destinado a consolidar as suas capacidades de combate a burlas e cibercrime, como resposta ao que considera ser o grande aumento desta criminalidade.

Denominado SPF Cyber Command, o novo organismo será uma unidade de primeira linha com cerca de 200 oficiais nas áreas de operações, investigações e inteligência, segundo anunciou o Secretário de Estado dos Assuntos Internos, Goh Pei Ming, em conferência de imprensa.

O plano prevê a duplicação da unidade para mais de 400 oficiais à medida que o comando desenvolva as suas capacidades, operando em paralelo com os demais comandos policiais.

“O Cyber Command será a ponta de lança da resposta da SPF às ameaças cibernéticas, e estará na vanguarda da proteção dos singapurenses face à ameaça do cibercrime e das burlas”, afirmou Goh Pei Ming.

A nova unidade reunirá sob um único teto as estruturas anti-burla e de cibercrime criadas ao longo da última década.

Em 2015, uma unidade de cibercrime foi estabelecida no seio do Departamento de Investigação Criminal. Quatro anos depois, a polícia criou o centro anti-burla no âmbito do Departamento de Assuntos Comerciais, expandido em 2022 para o Anti-Scam Command. Ambas as estruturas serão integradas no novo Cyber Command aquando da sua criação.

No centro operacional da nova unidade, será criado um centro de operações cibernéticas destinado a detetar e desmantelar atividades criminosas em tempo real.

“O centro recorrerá à tecnologia para detetar campanhas de phishing de forma mais rápida e em escala, rastrear a montante, identificar os facilitadores de burlas como sites falsos e linhas telefónicas maliciosas, e depois agir rapidamente para desmantelar as operações dos sindicatos”, explicou Goh Pei Ming.

A equipa de rastreio de criptomoedas do centro anti-burla será também reforçada, com capacidades alargadas de interceção e de inteligência em blockchain, e continuará a trabalhar com instituições financeiras para rastrear e recuperar fundos.

O Cyber Command terá igualmente como missão reforçar as parcerias internacionais e público-privadas no combate ao cibercrime transfronteiriço. “A natureza transfronteiriça do cibercrime exige uma rede global sólida de parceiros com ideias afins (…) para trabalharmos juntos no desmantelamento de sindicatos criminosos”, sublinhou o secretário de Estado.

Em matéria de recursos humanos, o comando funcionará como um polo de desenvolvimento de capacidades especializadas, recrutando e formando tanto oficiais uniformizados como civis para funções de investigação, rastreio de ameaças cibernéticas e desmantelamento de infraestruturas criminosas. A polícia pretende ainda expandir o número de operadores de cibercrime do serviço nacional a tempo inteiro.

O secretário de Estado alertou que a luta contra as burlas está longe de terminar.

Em 2025, Singapura registou 37.308 casos de burla, menos do que os 51.501 registados em 2024, uma queda de 27,6%. Desde 2019, o centro anti-burla recuperou mais de 730 milhões de dólares de Singapura (cerca de 576 milhões de dólares americanos).

“Os criminosos estão em constante evolução e, com o recurso à tecnologia, incluindo a inteligência artificial, conseguem chegar às vítimas com rapidez e em escala”, advertiu Goh Pei Ming, citando um relatório recente da Interpol segundo o qual a fraude potenciada por IA pode ser até 4,5 vezes mais rentável do que os métodos tradicionais.

Vários oficiais presentes na conferência detalharam os desafios específicos do rastreio de burlas em criptomoedas.

O Subinspetor Lee Hua Sheng, responsável pela equipa de rastreio de criptomoedas do Anti-Scam Command, revelou que a unidade trabalhou em mais de 2.800 casos desde março de 2025, tendo transitado de uma abordagem reativa para uma estratégia proativa de identificação e proteção de vítimas antes que ocorram perdas adicionais.

O Subinspetor Shariff Munshi, investigador sénior da mesma equipa, sublinhou que as burlas em criptomoeda apresentam “um conjunto único de desafios” face às burlas tradicionais.

“Ao contrário das transferências bancárias convencionais, as transações em criptomoeda são rápidas, sem fronteiras e irreversíveis. Uma vez movimentados os fundos, o seu congelamento torna-se extremamente difícil. Os burlões exploram isso movendo fundos por múltiplas carteiras e jurisdições em segundos, obscurecendo deliberadamente o rasto”, explicou.

A conferência, realizada em Singapura até quarta-feira, foi organizada pela SPF em parceria com a Direção Internacional de Cooperação em Segurança da Polícia Nacional francesa, o Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos e a International Security Alliance.

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Escrito por RafaFM

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