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Xanana Gusmão defende que grandes desafios da ASEAN exigem respostas coordenadas

todayMaio 8, 2026 22 1

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CEBU, 8 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão defendeu hoje que os grandes desafios que a ASEAN enfrente, segurança energética, segurança alimentar e a proteção dos cidadãos, exigem uma resposta coletiva e coordenada entre os Estados-membros.

Numa declaração na plenária da 48.ª Cimeira da ASEAN em Cebu, nas Filipinas, Xanana Gusmão considerou que estes são desafios que nenhum país pode enfrentar isoladamente.

“Estes desafios exigem respostas coordenadas.  Apelam a uma cooperação mais forte entre as forças de segurança, imigração, proteção laboral, gestão de fronteiras, proteção das vítimas e sistemas de sensibilização pública”, afirmou.

“Face a estes desafios atuais, é fundamental garantir que todos os cidadãos da ASEAN tenham energia fiável, acesso seguro a alimentos e uma proteção mais forte da sua segurança”, disse.

Xanana Gusmão referiu-se às tensões geopolíticas que “estão cada vez mais a moldar a economia global, sublinhando que os sistemas de energia e de alimentação estão sob uma pressão crescente, impulsionada por conflitos, alterações climáticas e instabilidade internacional

Uma situação que demonstra que “a segurança económica, a segurança alimentar e a estabilidade estratégica estão profundamente interligadas e exigem uma ação coletiva” – uma premissa que serviu de fio condutor para as três prioridades que se seguiram.

Xanana qualificou a segurança energética como “um desafio estratégico urgente” que está “a testar a nossa resiliência e a nossa segurança nacional”.

O conflito em curso, disse numa referência ao Médio Oriente, está “a alimentar a inflação, a perturbar as cadeias de abastecimento e a pressionar as finanças públicas”, com impacto particularmente agudo nos países dependentes de importações de combustível.

O chefe do Governo a que a ASEAN “continue a diversificar o abastecimento, a investir em infraestruturas resilientes e a aprofundar a cooperação prática”, apontando o Acordo de Segurança Petrolífera da ASEAN (APSA) e a Rede Elétrica da ASEAN como “pilares fundamentais da resposta coletiva”.

Comprometeu Timor-Leste a desenvolver o seu setor energético e petrolífero “de forma a contribuir para a segurança energética coletiva da ASEAN”, acrescentando que “o objetivo partilhado é construir um sistema energético mais seguro, diversificado e sustentável para a nossa região”.

A posição timorense alinha-se com as propostas dos primeiros-ministros da Malásia e de Singapura, que defenderam nesta mesma cimeira a aceleração da ratificação do APSA e da Rede Elétrica regional.

“A crise energética é também uma crise de segurança alimentar”, afirmou Xanana, explicando que o aumento dos preços dos combustíveis encarece a produção, o transporte e os fertilizantes, tornando os alimentos “mais caros e menos acessíveis, em particular para os países dependentes de importações”.

O diagnóstico converge com as posições dos primeiros-ministros da Malásia e da Indonésia, que propuseram nesta cimeira o reforço e a simplificação do mecanismo APTERR de reservas de arroz de emergência.

Xanana revelou que Timor-Leste está a reforçar internamente a segurança alimentar através de “programas que melhoram a produtividade agrícola, expandem a irrigação e apoiam agricultores, pescadores e comunidades rurais”, instando a ASEAN a construir “sistemas alimentares resilientes, sustentáveis e produtivos para que os alimentos permaneçam disponíveis, nutritivos e acessíveis a todos, inclusive em períodos de perturbação global”.

Na terceira prioridade, Xanana sublinhou que “a segurança dos cidadãos da ASEAN deve continuar a ser uma expressão central de uma ASEAN centrada nas pessoas”.

Elogiou Singapura por ter prestado “assistência de evacuação aos cidadãos da ASEAN durante a crise” no Médio Oriente, classificando o gesto como “uma expressão prática de solidariedade da ASEAN”.

Alargou depois o âmbito da prioridade ao crime transnacional

“O crime transnacional, o tráfico de seres humanos, as redes de burla online e a exploração relacionada com crises estão a tornar-se mais generalizados e interligados na nossa região.

Xanana Gusmão alertou que “se estima que centenas de milhares de pessoas estão sujeitas ao trabalho forçado ligado ao cibercrime” e apelou a respostas coordenadas que abranjam cooperação em “forças de segurança, imigração, proteção laboral, gestão de fronteiras, proteção de vítimas e sistemas de sensibilização pública”.

Finalmente, o líder timorense expressou “sincera apreciação” pela inclusão de Timor-Leste na Carta da ASEAN, consagrada no Protocolo de Cebu aprovado nesta cimeira, “marcando a plena adesão e integração como Estado-Membro”, e reafirmou que Timor-Leste “está pronto para assumir a Presidência da ASEAN em 2029”.

FIM

Escrito por RafaFM

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