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ASEAN e UE apelam a cooperação urgente em sustentabilidade à margem da Cimeira de Cebu

todayMaio 8, 2026 15

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CEBU, 8 de maio de 2026 (RAFA.TL) – Líderes da ASEAN e da União Europeia apelaram esta quinta-feira a uma cooperação regional reforçada e a ação urgente em matéria de sustentabilidade, transição energética e resiliência económica.

O apelo surgiu no contexto de uma cimeira inaugural realizada à margem da 48.ª Reunião de Líderes da ASEAN, em Cebu, nas Filipinas.

A Cimeira ASEAN-UE de Sustentabilidade 2026, realizada pela primeira vez, reuniu mais de 200 decisores políticos, embaixadores e executivos de empresas da ASEAN e da Europa para debater estratégias concretas de cooperação em ação climática, comércio, segurança alimentar e cadeias de abastecimento resilientes.

O secretário de Finanças das Filipinas, Frederick Go, sublinhou que a parceria entre Manila e Bruxelas “é hoje também focada em sustentabilidade, clima e crescimento inclusivo”, descrevendo o proposto Acordo de Livre Comércio UE-Filipinas como “o acordo económico mais importante do país este ano” e anunciando que ambas as partes visam assinar o acordo até ao terceiro trimestre de 2026.

Paulo Duarte, presidente da Câmara de Comércio Europeia nas Filipinas e membro do conselho executivo do Conselho Empresarial UE-ASEAN, afirmou que a cimeira reflete “um reconhecimento partilhado em toda a região de que a sustentabilidade deixou de ser opcional – é central à resiliência económica, à competitividade e ao crescimento de longo prazo”.

O embaixador da UE nas Filipinas, Massimo Santoro, alertou para a necessidade de alinhar ambições climáticas com mecanismos de financiamento adequados.

“Enquanto definimos objetivos ambiciosos para a ação climática e ambiental, nem sempre sincronizamos os recursos financeiros necessários para implementar essa ambição.”

Santoro defendeu igualmente “uma abordagem regional integrada” que elimine os “silos” entre comércio, clima e redução do risco de catástrofes, acrescentando que “a atual situação energética deve tornar-se uma oportunidade para acelerar esta abordagem integrada, incluindo nas energias renováveis”.

Robert Borje, vice-presidente executivo da Comissão para as Alterações Climáticas das Filipinas, defendeu que a crise energética pode constituir uma oportunidade de investimento ligada à transição verde.

“O que agora pode ser visto como um desafio pode ser transformado numa oportunidade – uma oportunidade não só para captar investimentos, mas que gera co-benefícios enquanto trabalhamos para um futuro mais verde.”

Leonardo Teguh Sambodo, vice-ministro indonésio para o Planeamento do Desenvolvimento Nacional, sublinhou que os governos da ASEAN devem equilibrar o crescimento económico com a redução de emissões.

“O único caminho viável é um planeamento coeso que integre a sustentabilidade em todos os aspetos do desenvolvimento.”

As discussões sectoriais abordaram ainda a economia circular, a integridade das cadeias de abastecimento e a segurança alimentar.

Jonas Leones, subsecretário do Ambiente das Filipinas, advertiu que a implementação de políticas de economia circular exige “maior participação de investidores e do setor privado”, reconhecendo que “o governo não o pode fazer sozinho”.

Do lado da segurança alimentar, Cynderella Galimpin, da farmacêutica Boehringer Ingelheim, alertou para os prazos demasiado longos de aprovação de vacinas veterinárias na região – entre um e três anos – que chegam tarde demais quando os surtos já estão instalados e afetam o abastecimento alimentar e a economia.

O diretor executivo do Conselho Empresarial UE-ASEAN, Chris Humphrey, encerrou a cimeira apelando a que governos, empresas e cidadãos traduzam as discussões em ação concreta.

“Precisamos que todos tomem a sustentabilidade mais a sério em todos os seus aspetos, para que possamos todos viver uma vida mais longa, mais saudável, e cuidar do nosso planeta ao mesmo tempo”, disse.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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