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Woodside Energy com nova CEO num momento decisivo para o Greater Sunrise

todayMarço 25, 2026 59

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DÍLI, 25 de março de 2026 (RAFA.tl) – Liz Westcott foi nomeada a nova diretora executiva da Woodside Energy, parceira da TIMOR GAP no consórcio do Greater Sunrise, numa escolha que analistas consideram ser uma aposta na experiência operacional da empresa.

A nova responsável da maior produtora de petróleo e gás australiana estava a assumir o cargo interinamente desde dezembro, substituindo formalmente Meg O’Neill. que saiu da empresa para a BP.

A decisão, tomada no final de um processo de recrutamento descrito como “abrangente”, encerra um período de transição numa empresa que atravessa um dos momentos mais exigentes da sua história – com projetos de vários milhares de milhões de dólares em execução simultânea, entre os quais o Greater Sunrise, o dossier mais crítico para Timor-Leste.

Westcott, 56 anos, é formada em engenharia e gestão e iniciou as suas atividades no setor na ExxonMobil, onde passou 25 anos.

Foi precisamente o então diretor-executivo da Exxon na Austrália, Peter Coleman – mais tarde ele próprio CEO da Woodside -, quem a recrutou.

Na Exxon, Westcott começou como engenheira de campo em Melbourne, tornou-se gestora de operações responsável por 18 instalações offshore em Victoria e acabou por ser destacada para Londres, onde geriu operações comerciais no Reino Unido e nos Países Baixos.

Em 2018, transitou para a EnergyAustralia como diretora de operações, antes de ser contratada por Meg O’Neill para a Woodside em 2023 como vice-presidente executiva para as operações australianas.

A escolha de Westcott não foi, porém, recebida com unanimidade pelos mercados.

Analistas financeiros levantaram questões sobre lacunas em áreas consideradas críticas para a Woodside nesta fase: relacionamento com clientes de GNL na Ásia, capacidades comerciais, envolvimento com investidores e experiência no mercado norte-americano, que deverá dominar o crescimento da empresa nos próximos anos.

Esses fatores tinham levado parte do mercado a favorecer um dos dois concorrentes internos de Westcott: o diretor comercial Mark Abbotsford ou o diretor de operações internacionais Daniel Kalms.

O presidente do conselho de administração, Richard Goyder, rejeitou as críticas com firmeza, afirmando estar “convicto” de que Westcott dispõe das capacidades necessárias e que “era muito claro para o conselho que era a candidata de destaque”.

Na agenda de Westcott está um conjunto de megaprojetos a decorrer em simultâneo.

O projeto Scarborough, avaliado em 12,5 mil milhões de dólares, deverá entrar em operação até ao final de 2026.

A terminal de GNL do Louisiana, nos Estados Unidos, orçada em 17,5 mil milhões de dólares, está cerca de um quarto concluída – e a Woodside ainda necessita de atrair parceiros para reduzir a sua exposição de capital.

O projeto petrolífero Trion, no México, avaliado em 7,2 mil milhões de dólares, está a meio da construção e aponta para produção em 2028. A empresa está também a lançar uma nova unidade de amónia no Texas, marcando a sua entrada nessa matéria-prima.

Na Austrália, a Woodside assume a operação do Bass Strait em Victoria, com a transferência de 1.200 trabalhadores da ExxonMobil.

Para Timor-Leste, a mudança no topo da Woodside ocorre num momento de maior definição técnica e comercial sobre o Greater Sunrise, onde a Woodside detém uma participação de 33,44%.

Em novembro de 2025, a Woodside e o Governo timorense assinaram um acordo para um estudo de conceito que estabelece um caminho para a escolha do local das instalações de processamento de GNL do Greater Sunrise até meados de 2026.

O acordo prevê que o primeiro GNL possa ser produzido entre 2032 e 2035, contemplando uma unidade de liquefação com capacidade aproximada de cinco milhões de toneladas por ano, uma instalação de gás doméstico e uma fábrica de extração de hélio.

Díli tem defendido a posição de que o gás do Greater Sunrise deve ser processado em território timorense, numa recusa expressa de qualquer solução que envolva o envio do gás para Darwin.

O Primeiro-Ministro Xanana Gusmão defendeu que o processamento em território nacional permitiria evitar a “maldição dos recursos”, criando empregos e gerando valor no próprio país.

Sem que tenha, até aqui, sido o rosto público da Woodside nas negociações com Díli assume a direção da empresa precisamente quando as conversações entram na fase mais determinante, com a escolha do conceito de desenvolvimento prevista para meados deste ano.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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