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Turismo cresce 72,3%, mas Timor-Leste continua a gastar mais no exterior do que ganha com viagens

todayMarço 23, 2026 40 6

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DÍLI, 23 de março de 2026 (RAFA.tl) – As receitas do turismo e das viagens aumentaram em 2025, mas o Banco Central considera que o setor ainda está longe de compensar o peso das despesas com viagens internacionais e transportes.

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Segundo o relatório económico anual do BCTL, as exportações de serviços de viagens e turismo atingiram 109,6 milhões de dólares em 2025, o que representa um aumento de 72,3% face ao ano anterior, colocando o turismo como um dos sectores com maior potencial para diversificar a economia no pós-petróleo.

No entanto, o mesmo relatório mostra que Timor-Leste continua a gastar muito mais no exterior do que aquilo que ganha com este setor.

As despesas dos timorenses em viagens internacionais ascenderam a 203,3 milhões de dólares, enquanto os custos com serviços de transporte internacional atingiram 141,8 milhões.

O resultado é um défice de serviços ainda muito elevado, fixado em 327,8 milhões de dólares, apesar da melhoria face ao ano anterior.

O Banco Central considera que esta evolução revela tanto uma oportunidade como uma limitação. Por um lado, as receitas de turismo mostram que existe procura e margem para crescer. Por outro, o peso reduzido do setor no investimento privado e no emprego formal indica que o país ainda não criou uma verdadeira indústria de turismo com escala suficiente para transformar esse potencial em crescimento estrutural.

O alojamento e a restauração continuam a representar uma parte relativamente pequena do investimento e do emprego privados.

Para alterar este quadro, o relatório aponta para a necessidade de melhorar infraestruturas, conectividade, ambiente regulatório e acesso ao crédito, além de reforçar a competitividade do país numa região onde o uso do dólar norte-americano pode encarecer a oferta turística.

A mensagem é que o turismo pode ser uma peça importante da diversificação, mas ainda está longe de ser o motor económico de que Timor-Leste precisa.

O mesmo relatório nota que o emprego privado formal em Timor-Leste continua concentrado no comércio e na construção, numa estrutura que o Banco Central considera pouco favorável à produtividade e à criação de emprego qualificado.

Em concreto, o comércio por grosso e a retalho concentra cerca de 30% do emprego formal, seguido da construção, com 17%.

Mais atrás surgem o alojamento e restauração, com 10%, e a indústria transformadora, com apenas 8%, o que revela a reduzida dimensão da base industrial do país.

Para o BCTL, esta composição setorial do emprego reproduz as fragilidades do próprio investimento privado.

A construção absorve uma parcela muito elevada do investimento, mas cria proporcionalmente menos postos de trabalho porque é mais intensiva em capital.

Já o comércio, apesar de empregar mais pessoas, está frequentemente ligado a atividades de baixa produtividade e à circulação de bens importados, em vez de assentar na produção local ou em cadeias de valor mais sofisticadas.

Os setores com maior potencial para elevar produtividade e rendimento, como a indústria, os serviços modernos, a informação e comunicação ou a agricultura modernizada, continuam com peso reduzido no emprego formal.

O Banco Central associa esta realidade à falta de financiamento adequado, às insuficiências da qualificação da mão de obra, às fragilidades estruturais do ambiente de negócios e à excessiva dependência do Estado como gerador indireto de atividade económica.

A consequência é um mercado de trabalho que cresce sem transformar verdadeiramente a estrutura económica do país.

Para o Banco Central, a criação de emprego sustentável e de maior qualidade depende de um reequilíbrio do modelo de crescimento, com mais investimento em setores transacionáveis, mais produtividade e maior capacidade de absorver a força de trabalho jovem fora das áreas tradicionais de baixa barreira de entrada.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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