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DILI, 23 de março de 2026 (RAFA.tl) – O presidente indonésio Prabowo Subianto admitiu este fim-de-semana que a guerra no Médio Oriente é uma “chamada de atenção brutal” para a economia do maior país do Sudeste Asiático, anunciando cortes na despesa do Estado.
Em entrevistas concedidas no fim-de-semana, o chefe de Estado disse que os cortes são necessários visto o preço do barril de crude estar acima dos 100 dólares – mais de 40% acima das projeções do orçamento de 2026.
Isso implica uma redução de até 80 biliões de rupias (cerca de cinco mil milhões de dólares) nas despesas públicas para evitar uma crise fiscal de maiores proporções.
A pressão sobre as contas públicas indonésias é enorme.
Recentemente o ministro das Finanças, Purbaya Yudhi Sadewa, calculou que um preço médio de 92 dólares ao longo do ano empurraria o défice indonésio para 3,6% do PIB – acima do limite legal de 3%, uma barreira imposta desde a crise financeira asiática dos anos 1990.
Prabowo disse que só autorizaria ultrapassar esse teto em situação de “emergência muito grave, como a Covid”, comparando o momento atual à pandemia, mas sem querer chegar aos mesmos efeitos.
Descrevendo-se como alguém que “não acredita em défices”, o presidente disse ainda que a crise vai acelerar a transição energética indonésia. O objetivo, disse, é eliminar os subsídios aos combustíveis nos próximos três anos e substituí-los por 100 gigawatts de energia solar.
“Não podemos sobreviver com subsídios a longo prazo”, declarou.
A Indonésia produz apenas metade do petróleo que consome e subvenciona fortemente os combustíveis, a eletricidade e o gás natural.
Segundo a Capital Economics, o Estado alocou 381 biliões de rupias – cerca de 1,5% do PIB – a subsídios energéticos em 2026, com base num barril a 70 dólares.
Entre as suas opções estão eventuais cortes nesses subsídios, arriscando forte turbulência política, reduzir o programa de refeições escolares gratuitas – a promessa eleitoral mais popular de Prabowo -, ou violar o limite legal do défice.
O governo optou, por agora, por não aumentar os preços dos combustíveis nas bombas. O ministro Purbaya garantiu que “a pressão será absorvida pelo orçamento” e que, se os preços fossem liberalizados, “as pessoas poderiam entrar em pânico”.
O Energy Shift Institute estima que cada dólar adicional por barril eleva a factura dos subsídios aos combustíveis em mais 7 biliões de rupias (cerca de 413 milhões de dólares) por ano.
Com o petróleo acima de 100 dólares, os analistas apontam um cenário de crise para 92 dólares e um cenário catastrófico para 150 dólares – preço ao qual o Catar já alertou ser possível chegar se os produtores do Golfo suspenderem as exportações.
A agência Fitch já reagiu, rebaixando a perspetiva de crédito da Indonésia para negativa e invocando “crescente incerteza política”.
O banco central insiste que as perspetivas de crescimento permanecem sólidas e que o país dispõe de reservas cambiais suficientes.
FIM
Escrito por RafaFM
Indonésia corta cinco mil milhões de dólares do orçamento para aguentar a guerra
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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