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Um terço dos jovens timorenses nem trabalha nem estuda segundo Banco Mundial

todayAbril 16, 2026 128 6 5

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Díli, 16 de abril de 2026 (RAFA.tl) – Três em cada dez jovens timorenses entre os 15 e os 24 anos não estavam empregados, nem a estudar ou em formação profissional em 2025, segundo dados citados pelo Banco Mundial no relatório económico publicado esta quinta-feira.

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O indicador – um valor que é o dobro da média da ASEAN de 17% – é um dos mais preocupantes de um diagnóstico do mercado de trabalho que combina sinais de recuperação com desafios estruturais persistentes, ainda que reconheça progressos.

O emprego no sector empresarial não petrolífero cresceu 27,6% entre 2021 e 2024, acrescentando cerca de 14.400 trabalhadores e elevando o emprego total para cerca de 66.600 trabalhadores em 2024.

Porém, o BM alerta para a necessidade de “interpretar com cuidado” estes números: o crescimento reflete em larga medida uma recuperação pós-COVID e o efeito estimulante das despesas públicas, concentrando-se em sectores de baixa produtividade como o comércio a retalho e a construção civil.

Mais de 80% dos empregos continuam em Díli.

O crescimento salarial entre 2021 e 2024 foi de apenas 3%, e os salários médios em Díli são aproximadamente 2,5 vezes superiores aos dos outros municípios. Os salários médios mensais reais caíram de 238 dólares em 2013 para 185 dólares em 2021.

A fotografia mais reveladora do mercado de trabalho timorense é a taxa de participação na força de trabalho: apenas 30,5% dos adultos em idade ativa, a mais baixa de toda a Ásia Oriental e Pacífico, onde a média normalmente ultrapassa os 55%.

A subutilização da força de trabalho quase duplicou, passando de 15% em 2013 para 29% em 2021.

As disparidades de género agravam o quadro.

A inatividade económica feminina supera a masculina em 12,7 pontos percentuais, com mais de 60% das mulheres economicamente inativas a referirem as responsabilidades de cuidados não remunerados como o principal obstáculo à participação.

Em 2021, o governo representava cerca de 73% dos empregos remunerados e a maioria dos empregos formais – um padrão que o BM identifica como limitador da criação de emprego privado. Com quase 60% da população de Timor-Leste com menos de 25 anos, o relatório alerta que o crescimento projetado de 4% ao ano geraria um crescimento do emprego de apenas 1 a 2% ao ano – “insuficiente para absorver os novos entrantes no mercado de trabalho”.

O BM recomenda uma mudança decisiva para atividades geradoras de emprego lideradas pelo sector privado, incluindo melhoria do acesso à terra e ao financiamento, formação profissional alinhada com cadeias de valor prioritárias, e o aproveitamento das oportunidades de mobilidade laboral abertas pela adesão à ASEAN.

Noutro âmbito, o relatório indica que as transferências do Estado timorense para as empresas públicas atingiram 206 milhões de dólares em 2025, ultrapassando tanto as despesas com saúde (100 milhões) como com educação (164 milhões), e representando 55 a 60% da totalidade das receitas internas não petrolíferas do país.

O relatório classifica o apoio às empresas públicas como “um encargo fiscal estrutural” com riscos crescentes e apenas parcialmente quantificados.

Segundo o relatório, as transferências para as EP representaram 12% da despesa total do Estado em 2025 e equivaleram a cerca de 60% das despesas de capital em infraestruturas. O apoio às empresas públicas excedeu, portanto, as despesas tanto com a saúde como com a educação – dois sectores centrais para o desenvolvimento do capital humano que o próprio BM identifica como determinantes para a competitividade futura do país.

As EP representam também aproximadamente um quarto dos levantamentos acima do Rendimento Sustentável Estimado do Fundo Petrolífero, acrescentando cerca de 1,0 a 1,2 pontos percentuais por ano às retiradas excedentes – contribuindo diretamente para o ritmo de esgotamento do fundo.

O BM aponta a “supervisão deficiente, metas de desempenho pouco claras e transparência financeira limitada” como características do atual regime de transferências para as EP.

O relatório alerta que o apoio implícito do Estado a estas entidades – “embora não seja formalmente registado como dívida pública” – pode “traduzir-se rapidamente em custos orçamentais diretos se alguma destas entidades enfrentar dificuldades financeiras, aumentando as pressões fiscais precisamente quando são mais difíceis de absorver”.

A principal beneficiária das transferências é a EDTL – Eletricidade de Timor-Leste, mas o universo das EP abrange também a ANATL (Autoridade Nacional de Aviação Civil), a BTL (Bee-TL telecomunicações), a RTTL (Rádio e Televisão de Timor-Leste) e outras.

O relatório recomenda ligar as transferências para as EP a planos de desempenho e de reforma concretos, reforçar a supervisão e publicar os resultados.

Como prioridade imediata de reforma orçamental, o BM inclui a racionalização e modernização da folha de pagamentos da função pública e a implementação plena da gestão de investimentos públicos para garantir que os investimentos de capital gerem “retornos mais elevados”.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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