Destaques

Timor-Leste sobe nove lugares no índice de liberdade de imprensa para 30º a nível mundial

todayAbril 30, 2026 61

Fundo
share close

Díli, 30 de abril de 2026 (RAFA.tl) – Timor-Leste subiu nove lugares no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2026 da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), passando do 39.º para o 30.º lugar entre 180 países e territórios avaliados.

A pontuação global do país melhorou de 71,79 para 75,29, com progressos registados em todos os cinco indicadores – político, económico, legal, social e de segurança.

A melhoria de Timor-Leste é transversal. O indicador legal passou de 78,51 (33.º lugar) para 82,10 (21.º lugar), o económico de 50,61 para 57,35, e o político de 61,44 para 63,64. O indicador de segurança mantém-se como o ponto mais forte do país, com 92,68 pontos, colocando Timor-Leste na 25.ª posição mundial nesta categoria – reflexo de um historial em que nenhum jornalista foi alguma vez preso em conexão com o seu trabalho desde a restauração da independência.

Em termos globais, porém, a RSF assinala o pior resultado médio global em 25 anos de história do índice.

Em 21 dos 32 países e territórios avaliados na zona Ásia-Pacífico, o estado de liberdade de imprensa é classificado como “difícil” ou “muito grave” – uma das regiões mais repressivas do mundo, com uma situação que continua a deteriorar-se.

Nenhum país da região figura no top 20 do índice.

A Nova Zelândia, em 22.º lugar, mantém-se como o modelo regional de liberdade de imprensa, apesar de ter descido seis posições.

Outras democracias da Ásia-Pacífico, como Taiwan (28.º), Timor-Leste (30.º) e Austrália (33.º), enfrentam desafios reais, mas continuam a oferecer ambientes genericamente protetores. Destacam-se como exceções numa região onde a liberdade de imprensa está a ser progressivamente erodida.

A posição de Timor-Leste é ainda mais significativa no contexto da ASEAN, organização a que o país aderiu formalmente em outubro de 2025.

Com o 30.º lugar mundial, Timor-Leste distancia-se amplamente dos restantes membros da associação, onde a imprensa enfrenta, em vários países, restrições sistemáticas.

Pela primeira vez em 25 anos de história do índice, mais de metade dos países do mundo cai nas categorias “difícil” ou “muito grave”.

A pontuação média global nunca foi tão baixa. O indicador legal foi o que registou a queda mais acentuada, deteriorando-se em mais de 60% dos estados – 110 em 180 – entre 2025 e 2026, sinal claro de que o jornalismo está a ser crescentemente criminalizado em todo o mundo.

A Noruega mantém o primeiro lugar pela décima vez consecutiva, enquanto a Eritreia ocupa o último lugar pelo terceiro ano seguido.

A maior melhoria pertence à Síria pós-Assad, que subiu 36 lugares.

Os Estados Unidos desceram sete posições para o 64.º lugar – o seu pior resultado de sempre.

A China, ainda classificada em 178.º lugar, é o país com o maior número de jornalistas detidos no mundo, com 121 profissionais atualmente atrás das grades.

A RSF tem assinalado que o ecossistema mediático timorense, apesar dos resultados positivos, enfrenta vulnerabilidades estruturais.

A dependência de muitos órgãos de comunicação face à publicidade governamental, a limitada viabilidade económica do setor e a possibilidade de ações judiciais abusivas ao abrigo do Artigo 285.º do Código Penal continuam a ser motivo de atenção.

FIM

 

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!