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Sudeste asiático preocupado com liderança de Trump e rivalidade – sondagem

todayAbril 9, 2026 77

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Díli, 9 de abril de 2026 (RAFA.tl) – A sudeste asiático está profundamente preocupado com a crescente rivalidade entre as grandes potências, especialmente o impacto da liderança de Donald Trump na região, segundo uma sondagem divulgada em Singapura.

A sondagem The State of Southeast Asia: 2026 Survey Report, publicado pelo Instituto ISEAS-Yusof Ishak, destaca ainda as alterações climáticas e os fenómenos meteorológicos extremos como o principal desafio regional, apontados por 60% dos inquiridos.

Seguem-se, entre as preocupações, as tensões económicas entre as grandes potências (51,7%) e a instabilidade política interna (46,1%).

No plano geopolítico, a liderança norte-americana sob Donald Trump tornou-se a principal preocupação, com 51,9% dos inquiridos a assinalá-la, ultrapassando pela primeira vez o comportamento agressivo no Mar do Sul da China.

As operações globais de burla online surgem logo a seguir, com 51,4%.

Quando confrontados com uma escolha hipotética entre Pequim e Washington, 52% dos inquiridos optariam pela China – invertendo a preferência de 2025, quando os EUA lideravam com 52,3%.

A China mantém-se como a potência económica mais influente da região (55,9%) e o parceiro de maior relevância estratégica para a ASEAN, com uma pontuação média de 9,1 em 11. Apesar desta dominância, a preocupação com a crescente influência chinesa continua a superar a sua aceitação (55,4%).

Em matéria de confiança, o Japão mantém-se como a potência mais fiável da região (65,6%), seguido da União Europeia (55,9%), dos EUA (44%), da China (39,8%) e da Índia (38,5%). Pela primeira vez desde 2019, os níveis de confiança na China e na Índia superam ligeiramente os de desconfiança.

Também pela primeira vez, a ASEAN foi apontada como o ator em que os inquiridos depositam mais confiança para defender a ordem baseada em regras, superando os EUA.

O relatório assinala ainda que mais de metade dos respondentes (55,2%) defende que a ASEAN deve reforçar a sua resiliência e unidade para fazer frente à pressão das duas grandes potências, em vez de se alinhar com qualquer uma delas.

Nas suas respostas, Timor-Leste regista a maior preocupação de toda a ASEAN com o risco de a organização se tornar palco de rivalidade entre grandes potências, com 55,2% a apontá-la como principal inquietação relativa à ASEAN – embora abaixo dos 62,1% de 2025, continua a ser o valor mais alto da região.

Na hipótese de alinhamento forçado entre China e EUA, 58,2% dos timorenses optariam pela China, invertendo a preferência de 2025 (40,9% pela China).

Ao contrário da maioria dos países da região, para quem a liderança de Trump é a principal preocupação geopolítica, Timor-Leste considera as operações globais de burla online como a sua maior inquietação, com 52,2%.

Esta posição é particularmente significativa dado o contexto recente de alertas sobre a possível ação de centros de cibercrime em território timorense.

O clima surge também como principal desafio interno, com 62,7% dos timorenses a identificá-lo como a maior ameaça, acima da média regional de 60%. A instabilidade política interna (53,7%) ocupa o segundo lugar, a par das tensões económicas entre grandes potências (52,2%) e o desemprego e recessão económica (52,2%).

Cerca de 64% dos timorenses preferem que a ASEAN promova um diálogo independente com todos os intervenientes-chave no Myanmar, a proporção mais alta de qualquer país. Em contraponto, apenas 1,5% apoia uma resposta coordenada com parceiros internacionais – o valor mais baixo da região.

Quase 45% dos timorenses ouvidos apoiam que a ASEAN adote uma posição unificada em defesa de uma solução de dois Estados – a proporção mais elevada de qualquer país da ASEAN.

E quase 90% dos timorenses antecipam uma melhoria nas relações com a China nos próximos três anos, a expectativa mais optimista de toda a ASEAN. Já quanto às relações com os EUA, 59,7% esperam que se mantenham estáveis, com apenas 14,9% a prever deterioração.

A Austrália (32,8%) é a primeira escolha dos timorenses como destino para viver ou trabalhar fora do país, a proporção mais elevada de qualquer nação da ASEAN para este destino, reflectindo os laços históricos e os programas de desenvolvimento bilaterais. Singapura surge em segundo lugar (17,9%).

Ao contrário de todos os outros Estados-membros da ASEAN, para quem o Japão é o destino de férias favorito, Timor-Leste prefere visitar outro país da ASEAN (28,4%), seguido de um Estado-membro da UE (16,4%).

FIM

 

Escrito por RafaFM

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