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Setor prevê melhores condições em nova ronda de licenciamento petrolífero em Timor-Leste

todayAbril 7, 2026 105 3

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Díli, 07 de abril de 2026 (RAFA.tl) – O setor petrolífero internacional antecipa que a nova ronda de licenciamento petrolífero que Timor-Leste prevê lançar em 2027 tenha condições comerciais mais competitivas, no que se insere num esforço de atrair investimento estrangeiro para a exploração de hidrocarbonetos no país.

A imprensa do setor avalia positivamente a melhoria, notando que a Autoridade Nacional do Petróleo (ANP), reguladora do sector em Timor-Leste, tem vindo a trabalhar na reformulação do quadro fiscal aplicável aos contratos de partilha de produção (PSC), com o objetivo de tornar o país mais competitivo face a outros destinos de exploração da região.

Nos últimos meses, a ANP promoveu ativamente a nova ronda junto de grandes operadores internacionais – incluindo Shell, Chevron, ExxonMobil, ADNOC, CNPC e Lukoil – em eventos como o ADIPEC 2025, em Abu Dhabi, onde a delegação timorense realizou reuniões com empresas energéticas, instituições financeiras e parceiros técnicos.

A ronda de 2027 será a terceira tentativa de Timor-Leste de abrir blocos a novos investidores desde a independência.

A ronda anterior, concluída com atraso, resultou na seleção de apenas uma empresa estrangeira nova no país – a cazaque HTS – para além de operadores já presentes como Santos e Eni, o que demonstra as dificuldades históricas em atrair novo capital exploratório.

Para inverter esta tendência, o governo melhorou as condições fiscais oferecidas.

O regime anterior, introduzido em 2019, previa uma divisão de 60% para as empresas e 40% para o Estado no lucro petrolífero, sem recuperação de custos, e um imposto sobre o rendimento de 30%. A nova ronda deverá apresentar termos mais favoráveis ao investidor, segundo o Upstream Online, com condições de recuperação de custos revistas e uma estrutura fiscal mais alinhada com a prática regional.

A ANP sublinhou o esforço do país para criar um ambiente mais competitivo e atrativo para o investimento, destacando melhorias fiscais, vias regulatórias mais claras e as oportunidades associadas à nova ronda de licenciamento.

A nova ronda de licenciamento inscreve-se num quadro mais amplo de reposicionamento do sector petrolífero timorense. Em janeiro de 2026, a ANP e a Timor GAP estabeleceram uma parceria com a empresa PCIV para um estudo conjunto sobre as bacias petrolíferas do offshore sul de Timor-Leste, sinalizando o interesse em reabrir áreas que anteriormente não atraíram interesse suficiente.

A ronda de licenciamento foi descrita como uma das principais prioridades do país para 2026, com empresas a expressar interesse antecipado no potencial geológico de Timor-Leste e no compromisso do país com a transparência e a acessibilidade para os investidores.

O sucesso desta iniciativa será determinante para saber se Timor-Leste consegue atrair capital exploratório suficiente para diversificar a sua base energética – e aliviar a pressão sobre um Fundo Petrolífero que, sem novas receitas de hidrocarbonetos, caminha para o esgotamento.

A nova ronda surge num contexto de renovada atividade exploratória.

A empresa britânica Sunda Energy recebeu em março de 2026 a licença ambiental para a perfuração do poço de avaliação Chuditch-2, ao largo de Timor-Leste – um passo que o diretor-executivo Andy Butler descreveu como “um marco importante” nas preparações para a campanha de perfuração.

Em paralelo, a australiana Finder Energy adquiriu o FPSO Petrojarl I por 15 milhões de dólares para instalar como unidade central de produção no projeto dos campos de petróleo Kuda Tasi e Jahal, com a primeira produção prevista para o final de 2027.

Por definir está ainda a questão do Greater Sunrise, o maior campo de gás não desenvolvido da região.

As negociações entre os parceiros do consórcio e os governos de Timor-Leste e da Austrália sobre os termos do modelo de desenvolvimento do projeto.

FIM

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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