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Polícia timorense continua a investigar caso de notas falsas apreendidas em Díli

todayAbril 16, 2026 158 2

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Díli, 16 abril 2026 (RAFA.tl) – A Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) continua a investigar o caso de vários caixotes de notas falsas de 100 dólares encontradas num armazém em Díli, com três pessoas detidas e uma quarta ouvida em interrogatório, segundo o balanço mais recente dado aos jornalistas.

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Em conferência de imprensa o superintendente-chefe João Belo dos Reis, porta-voz da PNTL, explicou que a contagem do valor das notas foi concluída ao final da noite de quarta-feira, “e que as notas totalizavam um valor de mais de 4,6 milhões de dólares”.

A operação foi liderada pelo Comando Nacional da Polícia, através da Direção Nacional de Serviços de Investigação Criminal (DSIKN), que executou um mandado judicial de busca e apreensão num armazém comercial em Díli.

Três pessoas foram detidas na quarta-feira e uma quarta foi ouvida hoje depois de ter publicado nas redes sociais um vídeo que se tornou viral em que explica que as notas são cópias de “brincar” que normalmente se utilizam em cerimónias fúnebres chinesas.

Na origem da investigação estará uma denúncia de uma tentativa de uso de uma nota falsa de 100 dólares num supermercado em Díli, com a investigação a levar à apreensão de caixas e malas com as notas num armazém na quarta-feira.

A PNTL considera que este caso pode estar relacionado com outros recentes em Timor-Leste em que foram detetadas tanto notas como moedas falsas.

Fotografias divulgadas pela própria PNTL mostram que, neste caso, as notas têm escrito claramente no rosto que são “movie prop use only, not legal tender”, referindo noutro extremo a palavra “cópia”.

Apesar disso, fontes policiais admitem que as notas poderiam estar a tentar ser passadas como verdadeiras, o que representa um risco elevado para a comunidade.

O porta-voz da PNTL disse que há que apurar a legalidade da importação das notas, as situações de tentativas de transação com notas falsas em lojas em Díli e, finalmente, se há ou não alguma utilização para fins culturais, ou seja, sem intenção criminosa.

“Identificámos os suspeitos e depois realizámos a operação”, disse, explicando que se registaram vários casos de circulação destas notas com um risco grande “para os idosos que podem não conseguir distinguir ou descobrir se o dinheiro é falso ou não”.

Em vários países tem havido tentativas pontuais de uso de notas marcadas “For Motion Picture Use Only”, com as autoridades dos Estados Unidos e da Europa a alertarem para a sua proliferação.

Os agentes avisaram que, embora cada nota tivesse a marcação de “prop” (adereço), “as letras são fáceis de remover com lavagem, deixando uma nota de 100 dólares que se assemelha suficientemente à moeda real para ser colocada em circulação”.

Em 2022, por exemplo, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) apreendeu mais de 6,5 milhões de dólares em “prop money” num voo proveniente da Rússia no aeroporto de Filadélfia.

Noutro caso documentado, agentes da CBP confiscaram mais de um milhão de dólares em “prop bills” num carregamento proveniente da Ucrânia destinado a um endereço local – era o segundo envio da mesma origem para o mesmo destinatário.

Um estudo do RAND Europe encomendado pela Comissão Europeia identificou um fenómeno crescente de “altered design banknotes” – notas de aspeto idêntico às reais mas com pequenas legendas de isenção de responsabilidade que as identificam formalmente como adereços.

Apesar dessas marcações, estas notas são ilegais na UE, pois não cumprem os requisitos do Banco Central Europeu para uso cinematográfico.

O estudo concluiu que a maioria destas notas é fabricada fora da UE, “nomeadamente por indivíduos que operam na China”.

O problema legal é complexo. Como as notas alteradas têm uma forma e cor semelhantes às reais, podem ser facilmente aceites como dinheiro genuíno se não for feita uma inspeção mais detalhada.”

Nos tribunais tem havido dificuldades na obtenção de condenações porque os tribunais por vezes consideram que uma nota “obviamente falsa” não cumpre os requisitos para constituir crime de falsificação – o que paradoxalmente permite ao fenómeno proliferar.

O caso tornou-se viral nas redes sociais, com debates sobre a origem das notas falsas, dúvidas sobre se foram impressas em Timor-Leste ou no estrangeiro e sobre a sua utilização.

FIM

Escrito por RafaFM

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