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PM saúda operação da PNTL sobre dinheiro falso e critica falhas na alfândega

todayAbril 17, 2026 37

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Díli, 17 de abril de 2026 (RAFA.tl) – O primeiro-ministro, Xanana Gusmão, defendeu hoje a atuação da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) na apreensão de cerca de quatro milhões de dólares em notas falsas, considerando que a operação era necessária para proteger a população e evitar prejuízos no comércio.

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“Temos de proteger a população deste crime”, afirmou, felicitando os serviços de investigação criminal pela apreensão do dinheiro contrafeito, que, segundo disse, poderia circular no mercado e causar perdas significativas a quem o aceitasse como verdadeiro.

Em declarações aos jornalistas no quartel-geral da PNTL- onde foi informado sobre a investigação -, o primeiro-ministro rejeitou a justificação de que as notas se destinavam apenas a práticas culturais.

“Isto não é cultura, é dinheiro para circular”, declarou, sustentando que a dimensão da apreensão – “quatro milhões” – e a forma como o material foi movimentado mostram que não se tratava de um uso meramente simbólico ou ritual.

“Quatro milhões para cultura?” questionou, num tom de manifesta incredulidade.

O chefe do Governo argumentou que a própria investigação aponta para tentativas de introdução das notas no circuito económico, referindo que houve tentativas de usar o dinheiro em lojas, acabando a verificação por confirmar que era falso.

“Se a população recebe esse dinheiro a pensar que tem valor, o prejuízo fica com quem o aceitou”, avisou. Para o primeiro-ministro, esse percurso demonstra que a intenção “não era apenas queimar” o material, mas sim usá-lo na aquisição de bens e serviços.

Xanana Gusmão insistiu também que a expressão “movie purposes only” não altera a natureza do caso, uma vez que, segundo afirmou, as notas copiavam quase integralmente a aparência do dinheiro verdadeiro.

“Copiam praticamente tudo” e são “quase iguais” às originais, disse, acrescentando que, mesmo quando não reproduzem todos os elementos, mantêm semelhanças suficientes para induzir pessoas em erro. “Não se pode copiar tudo ao ponto de parecer autêntico”, sublinhou.

Na mesma ocasião, o chefe do Governo deixou ainda críticas aos serviços de alfândega, que acusou de não ter exercido o controlo necessário à entrada da mercadoria.

Segundo relatou, os artigos foram apresentados sob designações como “bonecos”, “roupa”, “meias” e outros bens correntes, passando assim pelos controlos mediante pagamento de taxas. “A alfândega não pode confiar apenas no que lhe dizem”, afirmou. “Temos de reforçar a alfândega”, acrescentou, defendendo uma revisão dos procedimentos de verificação no porto de Tibar e noutros pontos de entrada.

Para Xanana, o caso deve servir de aviso direto aos comerciantes e ao público.

“Se houver suspeita, primeiro recusem e depois informem a polícia”, apelou, insistindo que os estabelecimentos comerciais devem dispor de meios para confirmar a autenticidade das notas.

O primeiro-ministro advertiu ainda que quem recebe dinheiro suspeito e o volta a usar pode acabar envolvido num processo criminal.

“Se a aceitarem e a usarem, podem depois ser apanhados por terem comprado com dinheiro falso”, alertou.

Ao justificar a operação policial, Xanana frisou que Timor-Leste não pode tratar este tipo de criminalidade como um fenómeno menor ou isolado.

“Isto não acontece só em Timor”, observou, referindo que outros países, incluindo os Estados Unidos, também realizam operações contra redes e esquemas ligados à contrafação monetária. Na sua leitura, o caso mostra que a polícia “não atua só para prender”, mas também para “investigar todos os elementos” e esclarecer se havia ou não intenção de fazer circular as notas.

As declarações do primeiro-ministro acabaram por se estender à justiça.

Perante perguntas sobre o funcionamento dos tribunais, Xanana insistiu na necessidade de mudanças estruturais no setor.

“A médio prazo, tem de haver timorenses que saibam português e compreendam bem a lei”, afirmou, associando a reforma da justiça à necessidade de formar quadros nacionais mais qualificados.

Segundo disse, o país precisa de profissionais capazes de interpretar corretamente os processos e evitar decisões assentes em fundamentos frágeis ou documentos pouco claros.

Ao abordar casos paralelos ligados a documentação e disputas de propriedade, Xanana sugeriu que existem decisões judiciais que levantam dúvidas sérias e que alimentam a perceção pública de incoerência institucional.

Afirmou que é preciso ter “cuidado” com a forma como certos processos entram e avançam nos tribunais, sobretudo quando envolvem documentação contraditória ou situações que, no seu entender, deveriam suscitar maior escrutínio.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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