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Díli, 16 de abril de 2026 (RAFA.tl) – O sistema bancário de Timor-Leste detinha no final de setembro de 2025 um rácio empréstimo/depósito de apenas 38,1%, significando que mais de 60% dos depósitos bancários não estavam a ser canalizados para a economia doméstica.
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Segundo dados do relatório do Banco Mundial divulgado hoje, mais de 70% dos ativos monetários timorenses estavam aplicados no estrangeiro.
O diagnóstico consta do Relatório Económico do Banco Mundial publicado esta quinta-feira, que conclui que “o sector financeiro de Timor-Leste não está a contribuir para a transformação estrutural através de investimentos domésticos”.
O crédito ao sector privado cresceu 18,3% em termos homólogos até ao final de setembro de 2025 – um crescimento expressivo.
Mas a distribuição deste crédito revela o problema estrutural: 48% dos empréstimos privados destinam-se a pessoas singulares, sobretudo para consumo.
A construção civil absorve 24% e o comércio e finanças 18%. A agricultura, a indústria e o turismo – os sectores com maior potencial exportador – recebem uma fatia “moderada” que “limita o potencial para o desenvolvimento das exportações”.
O relatório identifica dois lados do problema.
Do lado da oferta, “o registo incompleto da posse de terra, a deficiente documentação financeira das empresas e a limitada execução dos contratos tornam arriscado para os bancos conceder empréstimos a sectores comercializáveis”.
Recorde-se que no passado bancos que operam em Timor-Leste tiveram dezenas de milhões de dólares de incumprimento no pagamento de empréstimos, com a sua recuperação a ser lenta e, em muitos casos, ainda por ocorrer décadas depois.
Do lado da procura, “as empresas enfrentam oportunidades de exportação limitadas: a maioria não possui a escala ou a capacidade para cumprir os padrões de qualidade, processar produtos agrícolas ou gerir a logística de exportação”.
A diferença entre as taxas de juro dos empréstimos e dos depósitos continua ampla apesar de estar a cair.
A taxa de juro média dos empréstimos desceu para 10,4% em setembro de 2025 – “ainda elevada para os padrões regionais”. O rácio crédito/PIB mantém-se “muito abaixo da média regional de cerca de 56%”.
O BM reconhece progressos recentes.
Destaca a Lei das Transações Seguras, promulgada em julho de 2025, que “amplia a utilização de bens móveis como garantia, facilitando o acesso ao crédito às micro, pequenas e médias empresas, mesmo que não possuam o direito de uso de terra definitivo”.
A Lei da Insolvência, também de julho de 2025, “reforça os direitos dos credores e as opções de reestruturação”.
O futuro Banco Nacional de Desenvolvimento de Timor-Leste (BNDTL) “poderá complementar os bancos comerciais, alargando o financiamento a médio e longo prazo a sectores prioritários”.
A modernização do sistema nacional de pagamentos para uma plataforma de pagamentos instantâneos, “totalmente alinhada com as iniciativas de integração de pagamentos da ASEAN”, é também apontada como medida positiva.
Como ocorreu em relatórios anteriores, o Banco Mundial volta a referir-se à questão dos títulos de propriedade, identificada como um dos principais obstáculos estruturais ao desenvolvimento económico de Timor-Leste.
Em concreto é apontada como restrição crítica em pelo menos quatro dimensões distintas do relatório económico publicado esta quinta-feira: o acesso ao crédito bancário, o investimento privado, a atração de Investimento Direto Internacional (IDE) e a resolução de litígios comerciais.
Neste sentido o Banco Mundial coloca “acelerar o processo de posse de terras e estabelecer um mecanismo fiável de resolução de conflitos” aparece como a primeira acção prioritária na Tabela de Ações de Reforma do relatório, com o resultado esperado de “redução do risco e da incerteza para o investidor”.
O BM insiste que as melhorias no acesso à terra devem ser implementadas “antes ou em conjunto com as alterações tarifárias mais sensíveis” decorrentes da adesão à ASEAN, para que a integração regional apoie a produção interna em vez de a substituir.
FIM
Escrito por RafaFM
Mais de 60% dos depósitos bancários em Timor-Leste não são emprestados à economia doméstica
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