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PANTE MAKASSAR, 28 de abril de 2026 (RAFA.TL) – O jornalista Otélio Ote, fundador do primeiro jornal a nascer após o fim da ocupação indonésia, o Timor Post, morreu hoje aos 57 anos no Hospital Regional de Oecusse-Ambeno, onde estava internado desde abril.
Fonte familiar confirmou que o corpo de Ote, um dos nomes mais conhecidos do panorama mediático timorense, deverá ser trasladado para Díli nos próximos dias.
Otélio Ote nasceu em Nonikan, na Região Especial de Oé-Cusse, a 31 de dezembro de 1969. Completou o ensino primário na SDN Oe-Silo, em Oé-Cusse, em 1981, e o ensino pré-secundário no SMPN Pante-Makasar, também em Oé-Cusse, em 1984.
Concluiu o ensino secundário na Escola Secundária Pública de Díli (SMAN 1 Díli) em 1987 e licenciou-se em 1992 na Universidade Nacional de Timor (UNTIM), na Faculdade de Política Social, Departamento de Ciências da Governação.
Iniciou a carreira jornalística em 1988, enquanto ainda frequentava a universidade, trabalhando no semanário Suara Timor-Timur (STT).
De 1989 a 1992, colaborou também com a revista Caritas, da Universidade de Timor-Leste.
Durante o período da ocupação indonésia, entre 1992 e 1999, trabalhou como jornalista para o Suara Timor Timur e colaborou com as televisões indonésias RCTI e SCTV.
Após a independência, Ote tornou-se um dos principais arquitectos do panorama mediático timorense.
Fundou o Timor Post em 2000, o Lifau Post em 2002, o Jornal Labarik em 2004 e o Dili Weekly em 2008.
Entre 2013 e 2017, foi assessor na SECOMS, antes de regressar ao Timor Post, onde esteve envolvido no desenvolvimento de uma plataforma de streaming de televisão.
Foi igualmente membro fundador do Sindicato dos Jornalistas de Timor Lorosae (SJTL), constituído a 22 de julho de 2001 por 42 dos 55 jornalistas então em atividade no país. Chegou a presidir à direção do SJTL.
Em 2021, foi eleito membro do Conselho de Imprensa em representação dos órgãos de comunicação social, assumindo a presidência em 2022.
Na liderança do Conselho de Imprensa, Ote tornou-se uma voz crítica sobre o estado do jornalismo em Timor-Leste.
Alertava para as ameaças e comentários de ódio de que os jornalistas eram alvo quando abordavam assuntos sensíveis, questionando publicamente se Timor-Leste merecia a sua posição no Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa.
Manifestou preocupação com a queda do país no índice da Repórteres Sem Fronteiras em 2025, sublinhando que, apesar do recuo, Timor-Leste continuava a liderar na região do Sudeste Asiático.
Sobre a autocensura, um dos males que mais o preocupavam, afirmava que esta prática estava muitas vezes ligada à falta de formação dos jornalistas, que optavam por usar termos “seguros” para evitar ofender certas entidades, sobretudo em matérias críticas ou sensíveis.
FIM
Escrito por RafaFM
fundador do Timor Post Jornalista Otélio Ote morre no enclave de Oecusse-Ambeno
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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