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Indonésia autoriza subida das tarifas aéreas domésticas até 13% devido a crise combustíveis

todayAbril 8, 2026 33 2

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Díli, 08 de abril de 2026 (RAFA.tl) – A Indonésia autorizou as companhias aéreas a aumentarem até 13% os preços dos bilhetes de avião domésticos, numa resposta direta ao aumento dos preços dos combustíveis desencadeada pela guerra contra o Irão.

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Para atenuar o impacto sobre os passageiros, o Governo decidiu absorver o IVA de 11% sobre os bilhetes de classe económica, num subsídio que representa cerca de 1,3 biliões de rupias (aproximadamente 76 milhões de dólares) por mês.

O ministro coordenador da Economia, Airlangga Hartarto, disse que o preço base dos bilhetes domésticos poderá aumentar entre 9% e 13%. As medidas serão reavaliadas ao fim de dois meses, dependendo da situação do conflito no Médio Oriente.

A decisão foi precipitada por um choque sem precedentes nos custos operacionais das companhias aéreas.

O preço do combustível de aviação na Indonésia registou um aumento de mais de 70% desde março. A empresa estatal Pertamina ajustou os preços do combustível de aviação a 1 de abril, e o Aeroporto Soekarno-Hatta, em Jacarta, foi citado como exemplo onde o aumento ultrapassou os 72%.

Os preços globais do petróleo bruto subiram para mais de 100 dólares por barril desde que os Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques ao Irão a 28 de fevereiro, desencadeando um conflito regional e o encerramento do Estreito de Ormuz.

A Garuda Indonesia, a Lion Air, a Batik Air e a Citilink tinham já dado alertas sobre a situação, pedindo urgentemente aumentos nas sobretaxas e nos tetos das tarifas, com o combustível a representar cerca de 40% dos custos operacionais de uma companhia aérea.

Apesar das medidas anunciadas pelo Governo, as transportadoras admitem que o apoio é insuficiente.

A AirAsia Indonésia reconheceu que os estímulos do Governo, incluindo o ajuste na sobretaxa de combustível, “ainda não compensam totalmente as pressões de custos existentes”, nas palavras do diretor-geral interino Achmad Sadikin.

A AirAsia X anunciou igualmente que está a aumentar os preços dos bilhetes e a reduzir rotas para fazer face ao impacto da guerra no Irão.

A Garuda Indonesia está a implementar cortes de custos agressivos para mitigar perdas operacionais mensais estimadas em 8,2 milhões de dólares, tendo suspendido ou reduzido várias rotas internacionais a partir de 1 de abril, incluindo a redução do serviço diário entre Jacarta e Jeddah para três vezes por semana e a suspensão, por 60 dias, da rota Jacarta-Dubai.

O impacto destas medidas vai além da carteira dos passageiros. O choque do combustível é especialmente relevante na Indonésia porque a aviação doméstica desempenha um papel estrutural na mobilidade de um arquipélago que, ao contrário de países com densas redes de transportes terrestres, depende muito dos voos internos para as deslocações de negócios, turismo e mobilidade básica entre ilhas.

O país tinha como meta atrair 18 milhões de turistas estrangeiros em 2026, com a maioria proveniente da ASEAN, da Austrália e da China.

No entanto, a subida dos preços das passagens aéreas poderá resultar num número de visitantes 2 a 3 milhões abaixo do previsto, segundo projeções do Ministério do Turismo e da Economia Criativa.

Destinos como Bali registam já uma queda nas chegadas, com grandes operadores hoteleiros, incluindo propriedades a reportar taxas de ocupação entre 35% e 42%, os valores mais baixos dos últimos cinco anos.

A crise chega num momento delicado para as contas públicas indonésias. O orçamento de 2026 foi calculado com base num preço global do petróleo de 70 dólares por barril, e o Governo está legalmente obrigado a manter o défice fiscal abaixo dos 3% do PIB.

O Governo garantiu ainda que não reduzirá os subsídios sobre a gasolina e o gás natural para consumo doméstico – que cobrem entre 30% e 40% do custo para os consumidores – até ao final do ano.

Com o conflito no Médio Oriente sem resolução à vista, o sector da aviação indonésio enfrenta o segundo trimestre do ano sob pressão crescente, numa equação em que o preço do petróleo, a viabilidade das companhias aéreas e a acessibilidade do turismo estão todos em jogo em simultâneo.

FIM

Escrito por RafaFM

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