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FAO alerta para 285 milhões de desnutridos na Ásia-Pacífico, situação agravada por conflito Médio Oriente

todayAbril 30, 2026 4

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Díli, 30 de abril de 2026 (RAFA.TL) – A Ásia-Pacífico concentra 42% da população mundial desnutrida, cerca de 285 milhões de pessoas, com o conflito no Médio Oriente a agravar um cenário já preocupante, segundo um alerta da FAO.

O alerta, que refere ainda o crescente impacto das alterações climáticas e a volatilidade dos mercados de energia e fertilizantes, foi apresentado 38.ª Conferência Regional da FAO para a Ásia e o Pacífico (APRC38), realizada em Bandar Seri Begawan, Brunei Darussalam.

Segundo um comunicado da FAO, ainda que algumas regiões tenham registado melhorias, a Ásia e o Pacífico contínua a representar 42% da população desnutrida do mundo.

Quase mil milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar e mais de 1,2 mil milhões não podem pagar uma dieta saudável.

A região debate-se ainda com um triplo fardo de má nutrição: desnutrição, deficiência de micronutrientes e taxas crescentes de obesidade.

Estes desafios são agravados por uma confluência de crises: conflitos geopolíticos e tensões que perturbam os mercados globais de fertilizantes e energia, intensificação dos impactos climáticos incluindo secas, cheias e fenómenos meteorológicos extremos, degradação de terras e água, e crescente volatilidade no comércio e nas cadeias de abastecimento.

O conflito no Médio Oriente em 2026 está a aumentar a volatilidade dos mercados de produtos agrícolas, através do aumento dos custos de energia e fertilizantes, da redução dos rendimentos das exportações agrícolas para os países do Golfo, e da incerteza contínua – apertando a ligação entre o risco geopolítico, os sistemas alimentares-energéticos e as pressões globais de inflação.

“Reunimo-nos num momento importante. Os sistemas alimentares em toda a região estão sob crescente pressão, as alterações climáticas já estão a afetar a forma como cultivamos e produzimos alimentos, os ecossistemas naturais foram afetados, e as cadeias de abastecimento permanecem vulneráveis. Não podemos ignorar os conflitos em curso no Médio Oriente, que continuam a perturbar o comércio global e os mercados de energia. Neste contexto, a segurança alimentar deve permanecer no centro dos nossos esforços coletivos”, disse na abertura do encontro o príncipe herdeiro do Brunei, Al-Muhtadee Billah.

Já o Diretor-Geral da FAO, Qu Dongyu, disse que é essencial construir a resiliência da região, “porque nenhuma ajuda externa será sustentável sem a própria vontade coletiva”.

Qu reconheceu que a região, que alberga mais de metade da população mundial e da produção alimentar, “fez progressos notáveis em produtividade agrícola, comércio e inovação tecnológica, mas continua a ser o lar das pessoas com maior insegurança alimentar do mundo.”

“Os recursos públicos por si sós não serão suficientes”, afirmou, apelando a que os participantes se envolvessem com o tema do financiamento e investimento nos sistemas agroalimentares. Qu apontou igualmente para “oportunidades sem precedentes” através da ciência, inovação, digitalização, investimento e parcerias.

A conferência reuniu ministros da agricultura e altos funcionários de 46 países da Ásia e do Pacífico, com especial atenção ao impacto do conflito no Médio Oriente sobre a segurança alimentar e às medidas que podem ser tomadas para mitigar o risco.

A reunião de altos funcionários abordou uma agenda que incluiu o reforço do acesso a dietas acessíveis e nutritivas, a aceleração da produção agrícola de baixo carbono e sustentável, a melhoria da eficiência e inclusão nos sistemas agroalimentares, a facilitação do comércio e integração de mercados – em particular para os países em processo de graduação do estatuto de país menos desenvolvido – e a mobilização de financiamento e investimento doméstico e internacional.

Entre as mesas redondas ministeriais destacam-se sessões sobre sistemas alimentares aquáticos resilientes e inclusivos, abordagens de bioeconomia sustentável, e caminhos de investimento agroalimentar através da Iniciativa Mão-a-Mão da FAO. Os pequenos agricultores, que constituem 80% de todos os produtores agrícolas da região, foram identificados como destinatários prioritários do apoio.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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