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Espanha vai levar à EU proposta de rotura de acordo com Israel

todayAbril 20, 2026 25

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Díli, 20 de abril de 2026 (RAFA.tl) – Espanha vai levar formalmente à União Europeia, na reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros de terça-feira em Bruxelas, uma proposta de rutura do Acordo de Associação entre a UE e Israel.

O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez num discurso proferido em Gibraleón, na província de Huelva.

“Na terça-feira, o Governo de Espanha levará à Europa a proposta de que a UE rompa o seu acordo de associação com Israel”, disse Sánchez afirmando que Espanha é “amiga de Israel”, mas que não partilha as ações do seu governo, apelando aos restantes países europeus que se juntem à iniciativa.

“Aquele Governo que viola o direito internacional – e portanto viola os princípios e valores da União Europeia – não pode ser parceiro da União Europeia”, afirmou, referindo-se ao Acordo de Associação entre a UE e Israel entrou em vigor no ano 2000 e inclui uma cláusula relativa ao respeito pelos direitos humanos.

Espanha colocou pela primeira vez em causa o acordo em fevereiro de 2024, na altura devido à ofensiva israelita na Faixa de Gaza na sequência do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Desde então tem endurecido a posição, em particular a partir do início da guerra no Líbano, após a ofensiva israelo-americana contra o Irão, que começou a 28 de fevereiro de 2026.

A proposta espanhola não parte de uma posição de isolamento.

Países como a Bélgica, a Eslovénia, a Finlândia, a França, a Irlanda, o Luxemburgo, Portugal e a Suécia apoiaram anteriormente iniciativas de revisão ou suspensão do acordo, enquanto a Bulgária, a Croácia, Chipre, a Alemanha, a Grécia, a Hungria, a Itália e a Lituânia se têm oposto.

A UE é o maior parceiro comercial de Israel, com uma relação avaliada em mais de 45 mil milhões de euros por ano.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, reagiu através redes sociais acusando Sánchez de antissemitismo e declarando que o país não aceitará “interpretações hipócritas”.

Em setembro de 2025, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs uma suspensão parcial do acordo, invocando uma uma “tentativa clara de comprometer a solução de dois Estados”.

A proposta ficou bloqueada, com os Estados-membros profundamente divididos.

Países como a Alemanha, a Hungria e a República Checa opuseram-se à medida, impedindo a formação da maioria qualificada necessária para adotar restrições comerciais.

Espanha, a Eslovénia e a Irlanda enviaram uma carta à Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, exigindo que o tema fosse submetido a discussão urgente no Conselho da UE, invocando explicitamente violações dos direitos humanos e do direito internacional, bem como a deterioração da situação no Líbano, e referindo diretamente a violação do Artigo 2 do Acordo, que torna o respeito pelos direitos humanos o fundamento das relações.

Mais de 350 antigos dirigentes europeus – incluindo ministros, embaixadores e altos funcionários da UE, entre os quais o ex-Alto Representante Josep Borrell – assinaram uma carta aberta pedindo a suspensão do Acordo de Associação, afirmando que o Governo israelita viola os princípios fundamentais em que a UE se baseia.

Os signatários consideraram que a inação da UE face a Israel, em contraste com medidas tomadas contra outras partes, reflete uma política de duplos padrões.

Uma petição de cidadãos europeus exigindo a suspensão total do acordo atingiu recentemente o limiar de um milhão de assinaturas em todos os 27 Estados-membros, obrigando a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu a analisar formalmente o pedido.

A reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 está agendada para terça-feira em Bruxelas, onde a proposta espanhola será formalmente apresentada – com resultado incerto, dado o profundo fosso entre os Estados-membros.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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