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Duas mulheres entre candidatos a sucessão de Antonio Guterres nas Nações Unidas

todayAbril 20, 2026 145

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NOVA IORQUE, 20 de abril 2026 (RAFA.TL) – Duas mulheres, incluindo a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, estão na lista de quatro candidatos que disputam a sucessão de Antonio Guterres como secretário-geral da ONU e que começam a ser ouvidos terça-feira em Nova Iorque.

O diálogo interativo com os quatro candidatos é uma das fases cruciais num processo que moldará o futuro do multilateralismo e que poderá levar, pela primeira vez na história da organização, à eleição de uma mulher.

Todas as sessões de diálogo interativo serão transmitidas online e decorrerão na sala do Conselho de Tutela das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Cada candidato terá a oportunidade de apresentar a sua declaração de visão para a organização, responder às perguntas dos Estados-membros e interagir com entidades da sociedade civil.

A presidente da Assembleia-Geral, Annalena Baerbock, disse que os diálogos serão “realmente interativos” e que “todos os temas serão debatidos”.

“Este é provavelmente o cargo mais difícil do mundo para o qual os candidatos concorrem, numa altura em que vemos não só a unanimidade sob pressão, mas também a Carta das Nações Unidas sob ataque direto”, referiu.

António Guterres assumiu a liderança da ONU em janeiro de 2017, tendo sido reconduzido para um segundo mandato, que termina no final de 2026.

Com a sua saída iminente, desde há alguns meses vários candidatos têm vindo a posicionar-se na corrida para suceder ao ex-primeiro-ministro português no cargo mais alto da diplomacia a nível mundial.

A corrida ao cargo começou formalmente no final de novembro de 2025, quando a Serra Leoa, país que presidia ao Conselho de Segurança da ONU, e Annalena Baerbock, presidente da Assembleia-Geral, enviaram uma carta conjunta solicitando as nomeações.

A ex-presidente chilena Michelle Bachelet será a primeira candidata a ser ouvida, na manhã de terça-feira, em Nova Iorque, seguindo-se o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, na tarde do mesmo dia, horas de Nova Iorque.

Na quarta-feira será a vez da ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan, de manhã, e do ex-presidente senegalês Macky Sall, no período da tarde, horas locais.

Michelle Bachelet, única mulher eleita presidente do Chile, ocupou o cargo entre 2006 e 2010 e novamente entre 2014 e 2018.

Entrou na corrida à liderança da ONU através da nomeação conjunta do Chile, México e Brasil. No entanto, o Chile retirou o apoio a 24 de março, poucos dias após ter tomado posse o novo presidente do país, José Antonio Kast.

Já Rafael Mariano Grossi é um diplomata argentino com 40 anos de experiência em diversas áreas, incluindo paz e segurança, não-proliferação e desarmamento, e desenvolvimento internacional.

Na sua visão para a ONU, Grossi defendeu uma ONU renovada e orientada para apresentar resultados, afirmando que é necessária “uma abordagem honesta e corajosa” para alcançar uma organização “relevante e impactante”, acrescentando que “o mundo não precisa de mais declarações.”

Contudo, Grossi recusou renunciar ao cargo na AIEA enquanto concorre à liderança da ONU, contrariando uma resolução da Assembleia-Geral que pedia aos funcionários das Nações Unidas que “considerassem” suspender funções durante a campanha.

Rebeca Grynspan, economista, ex-vice-presidente da Costa Rica e primeira mulher a liderar a UNCTAD em 60 anos de história, Grynspan suspendeu a sua liderança da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento quando se tornou candidata.

Recebeu em 2024 o Prémio de Negociadora do Ano de Doha por liderar os esforços da ONU para restaurar as rotas comerciais do Mar Negro.

Finalmente, Macky Sall, senegalês, com 64 anos, governou o Senegal de 2012 a 2024 e é visto pelos seus apoiantes como um candidato capaz de conduzir negociações multilaterais em nome do continente africano.

Na sua declaração de visão, afirmou que a ONU precisava de ser reformada, simplificada e modernizada.

Em consonância com uma tradição de rotação geográfica nem sempre observada, a posição de secretário-geral da ONU para o mandato de 2027-2031 está a ser reivindicada pela América Latina. Muitos países também defendem que uma mulher ocupe o cargo pela primeira vez nos 80 anos de história da ONU.

Annalena Baerbock considerou que esta é a questão de “credibilidade” da organização, afirmando que uma instituição que serve “todas as pessoas em todo o mundo” precisa de se questionar “se realmente serve toda a humanidade se, em 80 anos, nunca houve uma secretária-geral mulher.”

Contudo, muitas nações africanas argumentam que, como Guterres representou uma “interrupção” na rotação em 2016, o ciclo está efetivamente quebrado, e alegam que o peso do continente na manutenção da paz lhe confere o direito de liderar.

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança com poder de veto – Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França – devem concordar com um candidato.

Quando António Guterres foi escolhido em 2016, foram necessárias seis votações informais para que o Conselho chegasse a um acordo.

O processo de seleção pelo Conselho de Segurança deverá arrancar até ao final de julho.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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