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Cessar-fogo EUA-Irão à beira do colapso depois Israel matar 254 no Líbano

todayAbril 9, 2026 57

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Díli, 09 de abril de 2026 (RAFA.tl) – O cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão está em risco de colapso, menos de 24 horas depois de ser anunciado, na sequência de mais de cem ataques aéreos de Israel sobre o Líbano, que causaram mais de 250 mortes.

A vaga de ataques, a maior desde o início da guerra, atingindo sem aviso prévio zonas comerciais e residenciais densamente povoadas de Beirute, do Vale do Bekaa e do sul do país.

A Defesa Civil libanesa contabilizou pelo menos 254 mortos e 1.165 feridos.

Em resposta, o Irão suspendeu novamente a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, invocando as violações israelitas, horas depois de os primeiros petroleiros terem voltado a transitar pelo canal pela primeira vez em cinco semanas.

O presidente do parlamento iraniano e negociador-chefe, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou no X que o próprio acordo se tornara inválido.

“A base considerada viável para negociar foi violada de forma aberta e clara, mesmo antes de as negociações terem começado. Nesta situação, um cessar-fogo bilateral ou negociações é irracional”, afirmou numa publicação na rede X.

Qalibaf enumerou três violações específicas: a continuação da ofensiva israelita no Líbano, a entrada de um drone no espaço aéreo iraniano após o início do cessar-fogo, e a recusa de Washington em reconhecer o direito do Irão ao enriquecimento de urânio.

A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) emitiu um aviso formal: “Se a agressão contra o amado Líbano não cessar imediatamente, cumpriremos o nosso dever e daremos uma resposta”.

O Líbano declarou um dia de luto nacional após a devastadora vaga de ataques, com o ministro da Saúde libanês, Rakan Nassereddine, a pedir apoio internacional para o sistema de saúde do país.

“As ambulâncias continuam a transportar vítimas para os hospitais”, declarou.

O presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, classificou os ataques como “um crime de guerra” com o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, a acusar Israel de “procurar persistentemente sabotar” o acordo de cessar-fogo com o Irão.

A contradição que está a fazer descarrilar o cessar-fogo emergiu logo no momento do anúncio. Quando o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif – mediador do acordo – anunciou o cessar-fogo, afirmou expressamente que este abrangia “o Líbano e outras frentes”.

Horas depois, o líder israelita Benjamim Netanyahu declarou que o acordo “não inclui o Líbano”, prometendo que ia “continuar a atacar” o Hezbollah.

O vice-presidente norte-americano JD Vance admitiu ter havido “um mal-entendido legítimo”: “Creio que os iranianos pensaram que o cessar-fogo incluía o Líbano, e simplesmente não incluía. Nunca fizemos essa promessa”, disse Vance aos jornalistas a bordo do Air Force Two, a caminho de Washington.

Acrescentou que Israel se tinha “oferecido para se conter um pouco” no Líbano para não comprometer as negociações – uma concessão voluntária, não uma obrigação contratual.

Os líderes de Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Dinamarca, Espanha, Países Baixos e Canadá, bem como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, publicaram uma declaração conjunta exigindo que o cessar-fogo se aplicasse também ao Líbano.

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, reconheceu abertamente a estratégia de separação dos dois teatros de guerra: “Israel insistiu em separar a guerra com o Irão do combate no Líbano, de forma a mudar a realidade no Líbano.”

Numa publicação na Truth Social, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump lançou novas ameaças a Teerão.

“Todos os navios, aeronaves e pessoal militar dos EUA, com munições, armamento e tudo o que seja necessário para a destruição de um inimigo já substancialmente degradado, permanecerão no local, em redor do Irão, até que o acordo real celebrado seja plenamente cumprido. Se por qualquer razão não o for – o que é altamente improvável -, então ‘os tiros começam’, maiores, melhores e mais fortes do que alguma vez se viu”, afirmou.

A nova incerteza sobre o Estreito de Ormuz – por onde transita em tempo de paz 20% de todo o petróleo e gás negociado a nível mundial – mantém os mercados internacionais em alerta, apesar da queda inicial nos preços do petróleo que se seguiu ao anúncio do cessar-fogo.

Um mecanismo inédito que poderá emergir das negociações é a formalização de um sistema de cobrança de taxas de trânsito – uma fonte de receitas que o Irão poderá usar para financiar a sua reconstrução após 40 dias de guerra que deixaram mais de 2.000 mortos iranianos e destruíram parte da sua infraestrutura energética e militar.

A empresa de transporte marítimo dinamarquesa Maersk – uma das maiores do mundo – disse ao ABC News que o anúncio do cessar-fogo “pode criar oportunidades de trânsito, mas ainda não proporciona plena certeza marítima” no estreito.

FIM

Escrito por RafaFM

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