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Díli, 10 de Abril (RAFA.tl) – A economia de Timor-Leste deverá manter um crescimento sólido em 2026 e acelerar ligeiramente em 2027, apoiada pela procura interna, investimento, crédito ao consumo e recuperação do turismo, segundo as previsões macroeconómicas do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD).
Timor-Leste continuará pressionado por um elevado défice orçamental e por uma deterioração da balança externa, agravada pela pressão externa e vulnerabilidade a choques nos preços das importações, segundo a análise referente ao país no relatório “Asian Development Outlook” de abril, publicado hoje pelo BAD.
O BAD estima que o produto interno bruto não petrolífero de Timor-Leste tenha crescido 3,9% em 2025, abaixo dos 4,3% de crescimento em 2024, e antecipa um crescimento de 3,8% este ano e de 4,1% em 2027.
Trata-se, segundo a instituição, de uma trajetória de crescimento “estável” no curto prazo, sustentado sobretudo pelo consumo privado e pelo investimento total.
Segundo o relatório, o principal motor da economia em 2025 foi a procura interna. O consumo privado contribuiu com 2,6 pontos percentuais para o crescimento, o consumo público com 1,8 pontos e o investimento com 2,7 pontos, enquanto as exportações líquidas retiraram 3,2 pontos à expansão.
O BAD refere que o consumo continua a ser apoiado por transferências públicas, salários mais elevados, remessas, crédito ao retalho e aumento das chegadas turísticas, que já superaram os níveis pré-pandemia.
A inflação, por sua vez, caiu para 0,5% em 2025, o valor mais baixo em nove anos, depois de 2,1% em 2024.
Para os próximos dois anos, o BAD projeta uma subida moderada da inflação para 1,7% em 2026 e 2,0% em 2027, explicada sobretudo pelo aumento dos preços das importações. Ainda assim, o banco considera que Timor-Leste deverá continuar num ambiente de inflação relativamente baixa.
No plano orçamental, o retrato é mais exigente.
O BAD calcula que o défice fiscal tenha atingido 52,1% do PIB em 2025, refletindo o desfasamento persistente entre despesa pública e receitas. Apesar disso, o rácio da dívida pública sobre o PIB permaneceu relativamente contido, em 14,6%, graças ao recurso continuado a financiamento concessionário de longo prazo e, sobretudo, ao apoio do Fundo Petrolífero.
O relatório indica que as poupanças do Fundo Petrolífero aumentaram 1,9% em 2025, para 18,6 mil milhões de dólares, beneficiando de um forte aumento do rendimento dos investimentos, que compensou a quebra das receitas petrolíferas.
Ainda assim, o BAD assinala que a dependência do fundo continua a ser um dos temas centrais da sustentabilidade das finanças públicas timorenses.
Na frente externa, o banco antecipa uma nova deterioração.
O défice da conta corrente não petrolífera foi estimado em 37,4% do PIB em 2025 e deverá continuar a alargar-se, principalmente por causa do crescimento das importações.
O BAD nota que a aceleração da atividade económica, embora positiva para o crescimento, tende também a aumentar a procura de bens importados, agravando o desequilíbrio externo.
Entre os riscos para a economia, o BAD destaca o impacto potencial de um prolongamento do conflito no Médio Oriente, que poderá fazer subir os preços internacionais do petróleo e agravar o custo dos combustíveis e de outros bens importados.
O banco aponta ainda para a exposição de Timor-Leste a catástrofes naturais e para dificuldades internas, incluindo a lentidão na execução de projetos públicos de investimento.
No capítulo das reformas, o relatório defende que o aprofundamento da integração na ASEAN poderá ser um dos principais vetores de transformação da economia timorense.
O BAD sustenta que a implementação do roteiro nacional para a Comunidade Económica da ASEAN entre 2026 e 2030 poderá atrair mais investimento direto estrangeiro, desde que o país avance com reformas em áreas como licenciamento empresarial, administração fiscal e aduaneira, proteção do consumidor, registo de terras, pagamentos digitais e desenvolvimento do setor privado.
O banco observa ainda que o setor privado de Timor-Leste permanece pouco desenvolvido e excessivamente dependente da contratação pública, com fracas ligações entre micro, pequenas e médias empresas e firmas de maior dimensão.
Para o BAD, a melhoria das infraestruturas, o reforço da inclusão financeira e a criação de condições mais favoráveis ao investimento serão decisivos para tornar o crescimento menos dependente da despesa do Estado e das receitas petrolíferas. Source
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Escrito por RafaFM
BAD prevê crescimento sólido da economia timorense em 2026 e aceleração em 2027
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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