Destaques

Austrália concede asilo político a cinco jogadoras da seleção de futebol iraniana

todayMarço 10, 2026 49 3 5

Fundo
share close

DÍLI, 10 de março de 2026 (RAFA.tl) – O Governo australiano concedeu vistos humanitários a cinco jogadoras da seleção feminina de futebol do Irão, segundo anunciou o ministro da Administração Interna, Tony Burke, em conferência de imprensa.

Notícia Relevante: Mais de 1350 mortos nos primeiros nove dias de guerra EUA/Israel contra Irão

As atletas, que se encontravam na Austrália para disputar a Taça Asiática Feminina da AFC, temiam represálias graves caso regressassem ao Irão, país em guerra e governado por um regime de elevada repressão.

“Estão seguras aqui e devem sentir-se em casa”, afirmou Burke perante os jornalistas, acrescentando que a “oportunidade continua aberta” para as restantes jogadoras da comitiva iraniana que desejem solicitar proteção.

“Estas mulheres são enormemente populares na Austrália, mas compreendemos que se encontram numa situação terrivelmente difícil”, vincou Burke.

As atletas que obtiveram proteção humanitária são Fatemeh Pasandideh, Zahra Ghanbari, Zahra Sarbali, Atefeh Ramazanzadeh e Mona Hamoudi. O próprio ministro fez questão de publicar fotografias nas redes sociais do momento em que assinou os documentos, com as cinco mulheres a sorrirem e a aplaudir. “Não queriam ser vistas como ativistas políticas. São atletas que querem estar em segurança”, sublinhou Burke.

A seleção iraniana chegou à Austrália no final de fevereiro para participar na Taça Asiática, torneio no qual acabou por ser eliminada na fase de grupos, tendo perdido com a Coreia do Sul e com as Filipinas. A tensão instalou-se logo no primeiro jogo, quando as jogadoras se recusaram a cantar o hino nacional iraniano – gesto interpretado no Irão como um ato de resistência. A equipa foi apelidada de “traidoras em tempo de guerra” por um comentador da televisão estatal iraniana, e a FIFPRO, a organização internacional de representação dos futebolistas profissionais, manifestou “sérias preocupações” relativamente ao bem-estar das atletas.

Com o Irão envolvido num conflito armado e com o regime a escalar a repressão interna, o regresso tornava-se, para algumas das jogadoras, uma perspetiva de risco real. Após a eliminação, a equipa deveria regressar ao país, mas cenas de tensão vividas à porta do hotel Royal Pines, na Gold Coast – onde se reuniram manifestantes da comunidade irano-australiana a exibir cartazes com a mensagem “Salvem as nossas raparigas” – revelaram a profundidade do drama humano em causa.

Segundo o ministro Burke, as conversações entre as jogadoras e o Departamento dos Assuntos Internos australiano decorriam há vários dias. Na noite de segunda-feira para terça-feira, por volta da 1h30, a Polícia Federal Australiana (AFP) transportou as cinco atletas do hotel onde se encontravam para “um local seguro”, após estas terem manifestado formalmente a intenção de solicitar asilo.

Os vistos foram processados de imediato, no mesmo local, e a agência de segurança ASIO aprovou a permanência das jogadoras no território australiano.

O Governo australiano desvalorizou as notícias que apontavam para uma “fuga” das jogadoras, esclarecendo que foram as próprias atletas a dar o primeiro passo ao contactar as autoridades.

A situação das atletas assumiu maior visibilidade depois do Presidente norte-americano, Donald Trump, publicar uma mensagem na sua plataforma Truth Social, onde criticou duramente Camberra, instando a Austrália a acolher as jogadoras.

O primeiro-ministro Anthony Albanese sublinhou que “os australianos ficaram comovidos pelo destino destas mulheres corajosas” e garantiu que o Governo está disponível para prestar assistência aos demais elementos da comitiva que o desejem.

“Tiveram de tomar essa decisão de forma a não colocar em perigo as suas famílias e amigos no Irão”, reconheceu Albanese, em conferência de imprensa em Camberra. Os vistos humanitários temporários concedidos abrem caminho para a obtenção de residência permanente em território australiano.

Não é a primeira vez que a Austrália recorre a vistos humanitários de emergência para acolher desportistas em risco. Em 2021, após o regresso dos Talibã ao poder no Afeganistão, Camberra concedeu proteção a mais de 20 elementos da seleção feminina de críquete do Afeganistão, num precedente que agora se repete no contexto iraniano. A FIFA, por seu lado, emitiu um comunicado a referir que “a segurança e proteção da seleção feminina do Irão é a prioridade da FIFA”, afirmando manter contacto próximo com as autoridades australianas e com a Football Australia.

FIM

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!