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Díli, 5 de outubro de 2026 (RAFA) – A presidente do Parlamento Nacional fez na segunda-feira um apelo para que todos vissem o documentário sobre a resistência timorense, estreado no âmbito do Dili International Film Festival (DIFF).
Fernanda Lay disse que as imagens e os testemunhos revelam aspetos da história da luta pela autodeterminação de Timor-Leste que muitas pessoas ainda desconhecem.
A declaração foi feita durante a sessão plenária de segunda-feira no Palarmento, quando a presidente recordou a experiência de assistir ao filme, apresentado no sábado no Arquivo e Museu da Resistência (AMRT), revelando ter ficado comovida com o que viu.
“Espero que todos se interessem por ver este filme, porque há algo que não sabemos. Ao vê-lo, temos um testemunho visual”, declarou.
Emocionada, a presidente disse que, embora não estivesse na mata durante a resistência, as imagens fizeram-na sentir mais profundamente o sofrimento vivido pelo povo timorense.
“Eu não estive no mato, mas vi o filme e o meu coração apertou”, disse.
A presidente salientou que todos os timorenses podem agora usufruir da independência, mas lembrou a todos que esta liberdade foi conquistada através do sacrifício de muitas pessoas.
“Hoje todos nós gozamos da independência. Muitos fizeram mais. Eu não fiz nada. As minhas lágrimas caíram quando assisti”, afirmou.
Para a Presidente do Parlamento, o filme representa não só uma recordação do passado, mas também uma reflexão sobre a responsabilidade da geração atual para com o legado deixado pela resistência.
“O nosso povo sofreu. O nosso dever, o legado que nos deixaram, é a nossa independência. O legado que devemos deixar para o futuro é o desenvolvimento e o bem-estar do povo”, declarou.
A presidente relacionou esta responsabilidade com o funcionamento atual do Estado e apelou aos representantes e funcionários públicos para que se comprometam a trabalhar pelo país.
“Como nos desenvolveremos se formos preguiçosos? Até vir trabalhar é difícil”, afirmou.
Segundo a presidente, aqueles que ocupam cargos públicos devem compreender que têm uma responsabilidade para com a população.
“É um dever de todos. O povo paga-nos para trabalhar”, disse.
A declaração surge dias depois do lançamento de um documentário sobre a resistência timorense de 1975 a 1999, apresentado no sábado no Museu da Resistência Timorense.
O primeiro-ministro Kay Rala Xanana Gusmão considerou, no lançamento, que o filme tem um forte impacto porque recorda as experiências da ocupação e o espírito de resistência do povo timorense.
O documentário reúne imagens, testemunhos e memórias relacionadas com a resistência timorense e procura contribuir para a preservação da história entre 1975 e 1999.
O antigo responsável da UNAMET e representante especial do Secretário-Geral da ONU para a Consulta Popular de 1999, Ian Martin, defendeu no lançamento que o documentário pode contribuir para manter viva a memória da luta e do sacrifício do povo timorense.
Para o Presidente do Parlamento, no entanto, o significado do filme vai para além da memória da resistência.
A emoção provocada pelas imagens serviu também para nos lembrar que a independência conquistada pelas gerações anteriores impõe uma responsabilidade a quem hoje governa, trabalha e representa o povo.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
Filme sobre a resistência emociona presidente do Parlamento: “Há coisas que não sabemos”
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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