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Primeiro-Ministro exige compromisso na despedida dos bolseiros de justiça: “Estudar para servir, não para se servir”

todayOutubro 2, 2026 16

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Díli, 02 de Outubro de 2026 (RAFA)  – Na cerimónia de despedida dos 50 bolseiros do setor da justiça que vão estudar Direito em Portugal, o Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, exortou os jovens a levarem Timor no coração e a regressarem mais preparados para reformar a justiça timorense.

“Falou-se muito da reforma do setor da justiça. Os nossos juízes assinam acórdãos desse tamanho, sem compreender uma palavra escrita ali. Quando dizemos Estado de Direito, estamos implicitamente a dizer que o Estado é regido por leis. Mas por falta de capacidade intelectual no setor da justiça, o povo perdeu a confiança na justiça”, disse.

Selecionados entre mais de 300 candidatos através de teste do Fundo de Desenvolvimento do Capital Humano (FDCH), os bolseiros vão frequentar cursos de Direito em universidades portuguesas, numa altura em que o Governo prepara a reforma do setor e a implementação dos governos locais.

O Chefe do Governo recordou que Timor-Leste é membro da CPLP e consagrou o português na Constituição, apesar de 24 anos de proibição durante a ocupação:

“Somos membros da CPLP, mas durante 24 anos os indonésios proibiram. E hoje todos falamos um bocado baixa, porque baixa é muito simples. Mas adoptamos a língua oficial, que é português. O tetunguês é nas conversas. Há enorme necessidade de mudar a situação atual.”

O Primeiro-Ministro pediu que os bolseiros não repitam erros do passado, quando magistrados enviados para formação ficavam calados nas aulas e só falavam tétum entre si:

“Ninguém vos impedirá de falar tétum, porque o tétum nasceu convosco. Mas, por favor, em Portugal, não façam o que anteriormente faziam. Por que não falam em português? Para melhorarem o português, para melhorarem o resultado dos vossos estudos. Não é para esquecer. Porque foram para voltar.”

Xanana lembrou os processos contra a Austrália e as dificuldades com Singapura por falta de quadros qualificados em português e inglês, que obrigaram o Estado a pagar advogados estrangeiros.

“Não é uma ação de caridade do Governo. É uma prova de que o Governo está a ver o problema que estamos a enfrentar. Quando vão para estudar, não é porque escolhemos a dedo, mas porque vos provastes que mereceis esta oportunidade.”

E deixou uma mensagem final, pedindo aos alunos que estudassem para servir o seu país no futuro, e não para se servirem a si próprios. “Partimos de Timor, mas levamos Timor no coração e na mente. Eu venho a Portugal estudar para voltar e servir. Aprender para servir, estudar para servir, não servir a vós mesmos.”

“Ser bom cidadão não é procurar um trabalho que pague dinheiro. É usar da capacidade, da intelectualidade, do conhecimento para servir melhor esta terra e este povo. Nunca se esqueçam que os vossos avós, os vossos pais sofreram muito para alcançarmos a independência. Queriam a independência, não era só uma bandeira, era justiça. Uma justiça que hoje só serve aos endinheirados, não aos pobres.”

De um grupo de aproximadamente 300 candidatos, foram selecionados 50 bolseiros para estudar em Portugal. Segundo o Primeiro-Ministro, isto demonstra que o Governo confia nos estudantes. “Foi através de teste. Provem que mereceram. Quando voltarem, vão completar a 100% esta confiança” concluiu.

Jornalista: Mateus Romário

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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