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Nadji, 2 de outubro de 2026 (RAFA) – A reunião pré-COP31, que a Austrália e os parceiros do Pacífico queriam transformar num momento de projeção global das ilhas, arranca na segunda-feira com apenas cinco líderes de fora da região confirmados.
Segundo diplomatas e responsáveis citados pela imprensa regional, os chefes de Estado ou de Governo de Antígua e Barbuda, Cabo Verde, Tailândia, Maldivas e Timor-Leste são os únicos de fora do Pacífico cuja presença a organização confirmou nos eventos em Tuvalu e nas Fiji.
O Governo fijiano garante, ainda assim, que cerca de 30 representantes de países e instituições vão participar no segmento de líderes. Será a primeira pré-COP com presença de presidentes ou primeiros-ministros.
O encontro decorre de 5 a 8 de outubro.
A parte principal realiza-se em Nadi, nas Fiji, com cerca de 4.000 delegados esperados, que vão trabalhar nos acordos a fechar na COP31. A cimeira principal está marcada para Antalya, na Turquia, a partir de 9 de novembro.
Os líderes vão passar cerca de um dia em Tuvalu, arquipélago de atóis com cerca de 10.000 habitantes, antes de assinarem uma declaração nas Fiji.
Vão deslocar-se de canoa, visitar terrenos conquistados ao mar concebidos para resistir à subida do nível das águas e conhecer projetos solares que reduzem a dependência do gasóleo, segundo o ministro tuvaluano do Clima, Maina Talia.
“Esperávamos mais”, afirmou o ministro do Clima do Vanuatu, Ralph Regenvanu, que atribuiu a fraca adesão à falta de atenção e prioridade dadas ao que os países do Pacífico consideram a maior ameaça ao seu futuro.
O Presidente de Palau, Surangel Whipps Jr., classificou como “um grande passo” a presença de um único líder, mesmo do Pacífico, mas deixou um recado aos ausentes: “Se são verdadeiros parceiros, então cumpram.”
Diplomatas de vários países ocidentais disseram que não podiam justificar enviar os seus líderes numa deslocação de vários dias, quando são esperados na COP31 poucas semanas depois. Um diplomata europeu considerou que a Austrália parecia mais interessada numa vitória diplomática do que em fazer avançar as negociações. O Departamento dos Negócios Estrangeiros australiano não respondeu ao pedido de comentário.
O Governo australiano tem destacado a importância do evento, enquanto a oposição, que rejeita a ação climática, o classificou de “desastre diplomático”. Um porta-voz do ministério australiano do Clima afirmou que a pré-COP vai elevar a liderança climática do Pacífico e fazer avançar os objetivos da região.
Entre as prioridades do Pacífico estão limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, proteger os oceanos e garantir maior acesso a financiamento.
Os governos das ilhas procuram contribuições para um Fundo de Resiliência do Pacífico, que financiará projetos climáticos na região. O programa das Nações Unidas para o ambiente alertou no mês passado que o mundo deverá ultrapassar a meta de 1,5 graus nos próximos anos.
A Austrália, o maior doador de ajuda no Pacífico, é também um dos maiores exportadores mundiais de combustíveis fósseis, com vendas de carvão e gás natural liquefeito de cerca de 100 mil milhões de dólares por ano, e continua a aprovar novos projetos, apesar dos protestos de vários países da região. Whipps disse preferir que a Austrália beneficie desses recursos a países como a Rússia ou a Arábia Saudita.
Canberra queria acolher a COP31 e fazer dela a primeira “COP do Pacífico”. A Turquia obteve a organização, mas a Austrália lidera as negociações e dá às ilhas um papel maior do que o habitual, nos termos de um acordo entre os dois países.
“Este é o nosso momento”, disse a ministra fijiana do Clima, Lynda Tabuya.
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Escrito por RafaFM
Pré-COP no Pacífico arranca com apenas cinco líderes de fora da região confirmados
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