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Preços do arroz na Indonésia devem manter-se perto de máximos históricos com El Niño a ameaçar colheita de 2027

todayOutubro 2, 2026 19

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Jacarta, 2 de outubro de 2026 (RAFA) – Os preços do arroz na Indonésia deverão manter-se próximos de máximos históricos até pelo menos ao início de 2027, devido a estrangulamentos na distribuição e ao atraso das chuvas, segundo responsáveis do setor e analistas.

O preço médio de retalho do arroz, produto base da alimentação dos 290 milhões de habitantes do país, o quarto maior produtor mundial, atingiu em setembro um recorde de 15.769 rupias (1,12 dólares) por quilograma, segundo dados do instituto de estatística BPS.

A subida alimenta o descontentamento da população com a persistente inflação alimentar.

Segundo o BPS, a produção de arroz deverá cair 2,8% em termos homólogos entre janeiro e novembro.

A Agência Nacional de Alimentação prevê uma produção de cerca de 34 milhões de toneladas este ano, acima de um consumo superior a 31 milhões de toneladas.

Mas a produção de 2027 deverá ser afetada, porque uma época das chuvas mais curta do que o habitual a partir de novembro pode atrasar a plantação e encurtar o período de crescimento, enquanto o tempo seco provocado pelo El Niño já está a reduzir a área plantada nalgumas regiões, indicaram os analistas.

“Deve antecipar-se um período prolongado de preços elevados, com probabilidade de continuarem a subir até março de 2027, à medida que as perturbações meteorológicas associadas ao El Niño atrasam o principal ciclo de colheita”, afirmou Dwi Andreas Santosa, analista alimentar da Universidade IPB.

Segundo o analista, não se espera um alívio significativo antes de abril, porque o arroz da colheita atrasada só chegará ao mercado no segundo trimestre de 2027.

A produção poderá cair 10% no próximo ano, já que cerca de 30% dos arrozais indonésios não têm infraestruturas de irrigação e estão vulneráveis à seca, disse Zulharman Djusman, secretário-geral adjunto do grupo de agricultores de arroz KTNA.

Alguns agricultores de zonas com escassez de água, sobretudo no sul de Java, passaram para culturas secundárias ou deixaram os campos em pousio, afirmou Sutarto Alimoeso, presidente da Associação de Moageiros e Empresários de Arroz da Indonésia.

Há também estrangulamentos na distribuição. A diferença entre o custo de compra aos agricultores e o preço máximo de retalho fixado pelo Governo está a pressionar a cadeia de abastecimento, disse à Reuters Roy Mandey, presidente da associação de retalho Affiliation Global Retail Association.

Os retalhistas são obrigados a comprar aos distribuidores a preços acima do limite e a vender com prejuízo, o que os torna relutantes em assegurar fornecimentos, explicou.

Nos supermercados, os sacos de cinco quilos de arroz premium, populares entre a classe média, tornaram-se cada vez mais escassos nos últimos meses, segundo a imprensa.

Representantes do setor pedem uma intervenção mais direcionada. Mandey propôs substituir o preço máximo único de retalho por um quadro que inclua um preço mínimo para os agricultores e um preço de retalho que desencadeie a libertação de reservas públicas. A Agência Nacional de Alimentação não comentou de imediato.

A agência estatal de compras Bulog, que gere as reservas nacionais de arroz, detinha cerca de 4,6 milhões de toneladas em meados de setembro.

As reservas não ficam automaticamente disponíveis nos canais comerciais normais: parte do stock é mantida como reserva estratégica contra riscos associados ao El Niño, e as libertações fazem-se através da ajuda alimentar pública e de programas subsidiados de estabilização do mercado.

Pouco depois de o Presidente Prabowo Subianto ter tomado posse, no final de 2024, o Governo introduziu medidas para aumentar a produção, apoiar os agricultores e reforçar as reservas, no âmbito de uma estratégia de autossuficiência. O país não importa arroz desde então.

Em janeiro de 2025, o Governo aumentou o preço de compra do arroz em casca seco colhido para 6.500 rupias por quilograma, face a 6.000, o que ajudou os agricultores mas elevou os custos dos moageiros, contribuindo para o desfasamento entre os custos de produção e o limite imposto ao arroz embalado vendido aos consumidores.

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Escrito por RafaFM

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