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PM britânico promete novo contrato social, reforma eleitoral e reaproximação à Europa

todaySetembro 30, 2026 16

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Londres, 30 de setembro de 2026 (RAFA) – O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, prometeu um “novo contrato social para o século XXI”, a reforma do sistema eleitoral e uma reaproximação à Europa, mas admitiu que o plano é um grande risco político.

Burnham falou na terça-feira, na conferência anual do Partido Trabalhista, em Liverpool, dois meses depois de ter assumido a liderança do partido no poder.

“Coisas pequenas não nos vão fazer atravessar estes tempos difíceis”, afirmou.

O discurso, que durou cerca de uma hora, previu mais habitação social, melhor educação e cuidados mais acessíveis para os idosos. O primeiro-ministro avisou que o dinheiro terá de vir das despesas com prestações sociais e pensões.

Burnham disse que vai apostar o seu legado num “serviço nacional de cuidados”, para corrigir o que classificou como um sistema de apoio social “quebrado”.

Tal como o Serviço Nacional de Saúde, seria gratuito no acesso e financiado por impostos. Será criado se os trabalhistas vencerem as próximas eleições.

Para o financiar, o chefe do Governo quer atenuar o chamado “triple lock” das pensões, que garante um aumento anual igual ao maior de três valores: a inflação, o crescimento médio dos salários ou 2,5%.

“Aceito que posso pagar um preço político”, disse. “Mas alguém tem de passar a barreira da dor e arrancar o penso.”

Segundo a agência AP, Burnham conteve as lágrimas ao falar da experiência do pai, Roy, com o sistema de cuidados de saúde. O pai morreu este mês.

Burnham defendeu que o Reino Unido tomou um caminho errado nos anos 1980, com as reformas de mercado e as privatizações do Governo conservador de Margaret Thatcher. “Desindustrialização. Desregulação. Privatização. Austeridade. Brexit. E o que nos deu isto? Um país governado para interesses instalados, não para o interesse público”, afirmou.

O primeiro-ministro prometeu acabar com “uma década de deriva e divisão”. É o sétimo chefe de Governo britânico desde o referendo de 2016 que ditou a saída da União Europeia.

Anunciou que os trabalhistas vão às próximas eleições com a proposta de trocar o sistema em que ganha quem tem mais votos por uma forma de representação proporcional. Prometeu também repensar a relação com a União Europeia. “O Brexit fez mais mal do que bem”, disse, defendendo “clareza sobre a nossa posição e o futuro do continente em que vivemos”.

A agenda inclui ainda acabar com os sem-abrigo nas ruas, reduzir o desemprego jovem e reforçar o controlo público sobre os serviços privatizados, como as empresas de água e energia.

Burnham reconheceu o cenário económico difícil em que o ministro das Finanças, John Healey, apresenta o Orçamento a 28 de outubro.

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão continua a bloquear o transporte marítimo no estreito de Ormuz, o que faz subir os preços do petróleo, a inflação e o custo do endividamento público.

O primeiro-ministro garantiu que o Governo vai “cumprir as regras orçamentais para reduzir o défice e a dívida”. “Gostava de ir mais depressa, mas tenho de ser honesto sobre o que o país pode pagar”, disse.

Antes da conferência, cinco homens foram detidos no domingo, por suspeita de crimes de terrorismo e ligados a explosivos, junto à base aérea de Fairford, no oeste de Inglaterra, gerida pelos Estados Unidos. Foram libertados sob caução, e a polícia investiga várias linhas, incluindo uma ligação a um Estado hostil.

Durante a conferência, o primeiro-ministro e os ministros foram questionados sobre falhas de segurança e possíveis ameaças do Irão ou da Rússia.

O lema da conferência foi “Hope Again” (“Esperança de Novo”). O ambiente contrastou com o do ano passado, quando os delegados lamentavam a impopularidade do então primeiro-ministro, Keir Starmer, e a ascensão do partido anti-imigração Reform UK. Em julho, o partido forçou a demissão de Starmer e escolheu Burnham como líder e chefe do Governo.

As eleições legislativas só têm de ser marcadas até 2029, mas a popularidade do novo líder alimentou a hipótese de eleições antecipadas. Burnham garante que não vai chamar os eleitores antes do tempo. O politólogo John Curtice, da Universidade de Strathclyde, considera a decisão sensata.

Burnham deu aos trabalhistas “um efeito de halo de um líder popular”, disse Curtice. “Mas o desafio agora é transferir esse efeito do líder para o partido. O partido precisa de progredir muito mais antes de poder pensar em eleições.”

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Escrito por RafaFM

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