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Malásia quer que consumidores chineses troquem o durião tailandês pelo malaio

todaySetembro 29, 2026 13

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Kuala Lumpur, 29 de setembro de 2026 (RAFA) – A Malásia quer convencer os consumidores chineses a trocarem o durião tailandês pelo malaio, num mercado de 7,5 mil milhões de dólares e em que as suas vendas quadruplicaram no primeiro semestre.

O país procura levar o durião, cujo cheiro intenso encanta uns e repele outros, além das bancas de estrada e dos pomares familiares, e convencer os apreciadores de que as suas variedades merecem ser procuradas.

Os fãs saboreiam o durião como quem prova vinho.

Nos malaios, o sabor da polpa cremosa varia muito consoante o tipo: uns são valorizados pelo creme doce e pelas notas frutadas, outros por um toque amargo, um traço alcoólico ou até um sabor a manteiga de amendoim.

O esforço para valorizar o setor é visível em Kuala Lumpur, no Durian Experience Centre, perto das Torres Petronas.

Os visitantes percorrem uma réplica de pomar para conhecer a cultura e a história do fruto, assistem a um espetáculo de teatro e provam pratos e pastéis de nata feitos com durião.

Inaugurado este verão, após um investimento de quase 2 milhões de dólares, o centro tem dois pisos e cerca de 1.900 metros quadrados, e abre todos os dias. A loja recebe clientes da manhã até à meia-noite.

O fundador, Edison Ang, disse que o espaço se dirige a clientes locais e a turistas, sobretudo chineses. A China é o maior importador mundial de durião, e o gosto chinês foi muito influenciado pela cultura do durião tailandês, afirmou.

“O que esperamos agora não é que quem não come durião comece a comer”, disse. “Esperamos, sim, que os consumidores que já comem durião de outros países passem a preferir o malaio.”

Em 2025, a China importou 1,87 milhões de toneladas de durião fresco, no valor de 7,5 mil milhões de dólares, segundo os dados aduaneiros do país.

O volume foi mais de seis vezes superior ao de há uma década.

A entrada mais cedo no mercado permitiu à Tailândia garantir mais de metade do valor total em 2025.

A Malásia, que começou a exportar durião fresco para a China em 2024, ficou muito atrás.

No primeiro semestre de 2026, porém, o valor das importações chinesas de durião fresco malaio quadruplicou em relação ao mesmo período do ano passado, o que aponta para um crescimento rápido.

Ao contrário dos concorrentes, os produtores malaios não costumam colher o fruto antes de tempo. Recolhem apenas o durião maduro naturalmente, apanhado em redes ou cordas quando cai.

Esta é a maior vantagem e também a maior fraqueza do setor, disse Ang, porque os vendedores lutam contra o tempo: o fruto dura, no máximo, dois a três dias.

Qualquer atraso afeta a qualidade. Quando a sua mercadoria ficou retida vários dias em inspeções alfandegárias, a taxa de reembolsos subiu, contou.

As vendas são também sensíveis à conjuntura económica, segundo Leron Yee, fundador da DKing, que atua na exportação e no mercado interno.

Quando a economia chinesa vai bem, o negócio melhora. Se o poder de compra dos consumidores chineses cai, tem de procurar mercados alternativos.

“É um luxo, não uma necessidade”, afirmou.

As empresas exploram o que o durião pode vir a ser. A de Yee vende pasta de durião, chocolate e mochi com sabor a durião, e até bolos-lua para o Festival do Meio Outono.

A DurianBB, fundada por Adrian Choy, oferece num café gelado, sobremesas e durião seco, além de café aromatizado com a variedade Musang King, e organiza visitas guiadas a quintas. Em julho, a marca lançou um perfume de flor de durião, de aroma doce e floral.

Choy defendeu que diversificar é importante para acrescentar valor ao alimento e diferenciar o negócio, mesmo quando os concorrentes competem pelo preço.

“Comida é comida”, disse. “Não se consegue vender por mais 50% só porque a marca é diferente.”

Na China, multiplicaram-se as lojas especializadas em durião, algumas em variedades malaias. Em Pequim, a Jiang Sir vende taças de durião a preços entre 44 e 150 dólares, consoante o peso da polpa e as variedades escolhidas.

A funcionária Hou Yuxin saudou o aumento de lojas semelhantes e desvalorizou a concorrência, por considerar que ajuda a ampliar o mercado do durião malaio. Muitas pessoas querem agora saboreá-lo nas viagens à Malásia, notou.

Em Kuala Lumpur, Henry Zhang, visitante de Xangai que começou a comer durião na universidade, viu pela primeira vez um durião do tamanho da palma da mão. Disse que os malaios são mais cremosos do que os tailandeses e têm sabores diferentes, e ficou impressionado por o centro oferecer mais do que o fruto.

“Posso continuar a comer durião de outros países, mas depois de provar estes, talvez tenha ainda mais saudades dos malaios”, afirmou.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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