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Washington, 24 de setembro de 2026 (RAFA) – O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu esta quinta-feira a relação com o homólogo chinês, Xi Jinping, como “uma amizade verdadeiramente grande”, no final de uma cimeira na Casa Branca marcada por protestos junto ao edifício.
Trump e Xi reuniram-se durante cerca de três horas para discutir comércio, inteligência artificial e a guerra no Irão, antes de participarem à noite num jantar de Estado.
“Desde a minha primeira eleição, em 2016, o Presidente Xi e eu forjámos uma amizade, construída sobre respeito mútuo e os interesses vitais dos nossos povos”, afirmou Trump.
Xi respondeu defendendo que os dois países devem evitar a chamada “armadilha de Tucídides”, conceito das relações internacionais sobre o risco de conflito entre uma potência em ascensão e uma potência já estabelecida.
“Deve ser uma corrida para se alcançarem mutuamente, não uma luta em que um ganha e o outro perde”, disse o líder chinês, defendendo uma concorrência “saudável” e “dentro de limites” entre as duas economias.
A visita de Xi, a primeira a Washington em mais de uma década, foi acompanhada de perto por manifestações organizadas por uma coligação de tibetanos, uigures, ativistas chineses pró-democracia e taiwaneses-americanos, que planeavam um protesto em Lafayette Square, junto à Casa Branca, para denunciar a repressão chinesa no Tibete e em Xinjiang e a postura de Pequim face a Taiwan.
Dezenas de organizações de direitos humanos tinham também dirigido uma carta aberta a Xi antes da viagem, pedindo a libertação de presos de consciência e o fim da repressão transnacional.
Segundo a agência noticiosa estatal chinesa Xinhua, Xi pediu a Trump que se oponha à independência de Taiwan e trate a questão “com prudência”.
A Casa Branca não divulgou até ao momento a sua própria versão do que foi discutido sobre o tema. Em maio, após um encontro anterior com Xi, em Pequim, Trump tinha dito que iria adiar a aprovação final de um pacote de armamento de 14 mil milhões de dólares para Taiwan, descrevendo as vendas de armas como uma “boa moeda de troca” com Pequim.
Sobre a guerra no Irão, lançada pelos Estados Unidos e por Israel em fevereiro e que levou ao encerramento do estreito de Ormuz e à subida dos preços globais de energia, não houve avanços concretos. Xi limitou-se a manifestar apoio ao regresso dos Estados Unidos e do Irão a um acordo interino, que tinha sido anunciado em junho e se desfez pouco depois.
À noite, no jantar de Estado na Sala Este da Casa Branca, Xi recordou, no seu brinde, que “o Presidente Trump prometeu tornar a América grande outra vez” e que “a China está empenhada em alcançar a grande revitalização nacional”, considerando os dois objetivos “ambiciosos” e “seguramente capazes de se reforçarem mutuamente”.
Trump usou smoking, e a primeira-dama, Melania Trump, optou por um conjunto de inspiração masculina: blusa branca de popelina de algodão da Saint Laurent, faixa de seda preta e calças pretas em brocado com motivo de peónias, da Dolce & Gabbana.
Xi vestiu fato preto, e a mulher, Peng Liyuan, um vestido vermelho.
O jantar, organizado sob orientação da primeira-dama e servido na porcelana vermelha da era Ronald Reagan, teve como entrada um velouté de abóbora amarela com cogumelos silvestres, ervas frescas, pancetta estaladiça e óleo de cebolinho, seguido de robalo com crosta de sésame, bok choy estufado, beringela assada e molho verde.
A sobremesa foi um crémeux de baunilha com compota de cereja ácida e frangipane de noz, além de gelado com mel produzido na Casa Branca.
Entre os convidados contavam-se o diretor executivo da OpenAI, Sam Altman, que assinou autógrafos à chegada, o diretor executivo da Nvidia, Jensen Huang, desta vez de smoking em vez do habitual casaco de cabedal preto, e o presidente da francesa LVMH, Bernard Arnault. A lista incluía ainda o fundador da Amazon, Jeff Bezos, o diretor executivo da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, o diretor executivo da Google e da Alphabet, Sundar Pichai, o presidente e cofundador da OpenAI, Greg Brockman, e o presidente da Dell Technologies, Michael Dell.
A meio do brinde, Trump saiu do discurso preparado para promover o novo salão de baile que está a construir no relvado sul da Casa Branca, convidando os presentes a visitar o espaço “através daquela bela cortina ao fundo”.
Indicou que a obra deverá ficar concluída dentro de um ano e chamou-lhe “Great Hall of the United States” (Grande Salão dos Estados Unidos), numa comparação implícita com o Grande Salão do Povo, em Pequim, onde foi recebido por Xi em maio.
Trump ofereceu ainda a Xi uma estátua de uma águia, que disse ter sido desenhada “em colaboração pessoal com a Melania e comigo”; Xi não fez, por seu lado, qualquer oferta pública ao anfitrião durante o jantar.
O jantar surgiu depois de Trump ter dado o passo pouco habitual de ir pessoalmente receber Xi e a mulher na quarta-feira, à chegada à base aérea de Joint Base Andrews, nos arredores de Washington – normalmente, os anfitriões aguardam a chegada dos convidados de Estado à própria Casa Branca antes de os saudar formalmente.
A pompa da visita contrasta com a posição do próprio Trump em 2015, quando, então candidato presidencial, criticou os preparativos do então Presidente Barack Obama para receber Xi em visita de Estado. “Levem-nos só ao McDonald’s e voltem para a mesa de negociações”, disse Trump numa ação de campanha na Carolina do Sul, admitindo mais tarde, à Fox News, que Xi mereceria talvez “um Big Mac em tamanho duplo”.
A visita de Estado de Xi Jinping, que decorre entre 23 e 25 de setembro, prossegue esta sexta-feira com um chá na Casa Branca e uma visita conjunta aos Arquivos Nacionais dos Estados Unidos, antes do regresso da comitiva chinesa a Pequim.
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Escrito por RafaFM
Trump elogia "grande amizade" com Xi em cimeira marcada por protestos em Washington
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