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Nações Unidas, 25 de setembro de 2026 (RAFA) – O governo do Iémen reconhecido internacionalmente pediu esta quinta-feira aos líderes mundiais ajuda contra os rebeldes huthis, apoiados pelo Irão, alertando que a presença do grupo junto a uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo representa um risco económico global.
Os huthis, que controlam a capital iemenita, Saná, e grande parte do norte do país há mais de uma década, tomaram este mês a cidade portuária de Moca e ilhas-chave no mar Vermelho.
O avanço dá-lhes melhor capacidade de vigilância sobre os navios que atravessam o estreito de Bab-el-Mandeb, por onde passa cerca de 12% do comércio mundial.
Os rebeldes declararam um bloqueio à navegação saudita, garantindo não haver outra ameaça ao tráfego comercial no mar Vermelho, mas avisaram outros países para não se envolverem.
O vice-presidente do conselho do governo reconhecido internacionalmente, Abdullah Abdulkader al-Alimi-Bawzer, pediu aos líderes reunidos na Assembleia-Geral da ONU para não confiarem nas garantias dos huthis.
“O uso pelas milícias huthis da segurança da navegação como instrumento de chantagem ameaça não só o Iémen. Está a fazer refém toda a economia global”, afirmou.
Al-Alimi-Bawzer defendeu que proteger o estreito “é responsabilidade de todas as economias que dependem de cadeias de abastecimento seguras, segurança energética e liberdade de navegação”, e apelou à comunidade internacional para impedir o acesso dos rebeldes a armamento e tecnologia.
O Conselho de Segurança da ONU mantém há anos um embargo de armas aos huthis, além de congelamento de bens e proibição de viagens aos seus líderes e responsáveis de topo.
O Irão nega armar os huthis, mas armamento e componentes iranianos de contrabando têm sido apreendidos em vários carregamentos destinados ao Iémen, e um relatório de peritos da ONU de 2024 documentou laços militares extensos entre os huthis, o Irão e outros aliados de Teerão.
Al-Alimi-Bawzer sustentou que os rebeldes não teriam conseguido manter a sua posição durante 12 anos sem armas, conhecimento técnico e tecnologia militar iranianos.
Os huthis afirmaram esta quinta-feira ter disparado dezenas de mísseis balísticos e drones contra a província saudita de Jizã, no sudoeste.
Um porta-voz militar saudita, o major-general Turki al-Malki, disse que o reino intercetou seis mísseis balísticos dirigidos ao porto de Yanbu, no mar Vermelho, e à cidade de Taife, também no sudoeste, atribuindo os ataques aos huthis.
A declaração seguiu-se a alertas da proteção civil saudita, que depois indicou ter passado o perigo.
No Iémen, os combates recentes ameaçam um regresso total à guerra civil que já matou mais de 150 mil pessoas e forçou milhões a abandonar as casas. Cerca de 130 mil pessoas foram recentemente deslocadas e centenas morreram, agravando a crise humanitária no país mais pobre do mundo árabe.
Os confrontos junto ao corredor marítimo do mar Vermelho e o bloqueio dos huthis à Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, têm também preocupado os mercados globais. O estreito de Bab-el-Mandeb ganhou ainda mais relevância desde que o Irão afirmou controlar o estreito de Ormuz, mais movimentado, junto à sua costa, na sequência do ataque dos Estados Unidos e de Israel à República Islâmica em fevereiro.
Depois de os huthis terem tomado Saná e o norte do Iémen em 2014, a Arábia Saudita formou uma coligação militar para intervir a favor do governo iemenita. Os combates prolongaram-se, mas os huthis resistiram. Uma trégua entrou em vigor em 2022, mas os huthis retomaram os ataques à navegação no mar Vermelho após o início da guerra entre Israel e o Hamas, no ano seguinte, prolongando-se até uma campanha de bombardeamentos dos Estados Unidos em 2025.
Al-Alimi-Bawzer agradeceu esta quinta-feira à Arábia Saudita e elogiou os Estados Unidos por uma “abordagem decisiva”. Os sauditas voltaram recentemente a pedir apoio militar a aliados, mas Washington não renovou o envolvimento militar direto. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tem repetido que os Estados Unidos vão cumprir os compromissos de defesa com a Arábia Saudita, sem especificar como.
O ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, príncipe Faisal bin Farhan, disse aos jornalistas, na ONU, que o seu país está “a continuar a trabalhar com os parceiros nos Estados Unidos para resolver este conflito”. Apesar dos recentes avanços dos huthis, o governante indicou não estar preocupado com uma eventual tomada do sul do Iémen pelo grupo, considerando que o governo iemenita “é muito capaz de defender o território que controla”.
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Escrito por RafaFM
Iémen alerta ONU para ameaça dos huthis ao estreito de Bab-el-Mandeb
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