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Trump e Xi Jinping chegam a cimeira em Washington convictos de que o tempo está do seu lado

todaySetembro 24, 2026

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Washington, 24 de setembro de 2026 (RAFA) – Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping reúnem-se esta quinta-feira na Casa Branca, com ambos convencidos de que o tempo joga a seu favor na disputa económica e de segurança nacional entre as duas potências.

A China tem resistido às pressões e ameaças económicas da administração Trump para usar a sua influência sobre o Irão e ajudar a terminar a guerra que dura há quase sete meses.

Xi quer que Trump suspenda definitivamente as vendas de armas a Taiwan e alivie as restrições à exportação de chips avançados.

Na quarta-feira, os dois lados acordaram prolongar por dois meses a trégua comercial que expirava a 10 de novembro, adiando um acordo mais duradouro.

Edgard Kagan, antigo responsável do Departamento de Estado para a Ásia Oriental nos governos de Trump e Joe Biden, considerou que Trump acredita que a economia norte-americana “vai continuar a crescer” e a reforçar-se, enquanto Xi vê os Estados Unidos “em declínio acelerado” e o tempo a favor de Pequim.

Trump apostou na pompa para a visita de Estado de Xi, tendo ido pessoalmente receber o líder chinês e a mulher, Peng Liyuan, na chegada a Washington na quarta-feira à noite. Fez ainda concluir a construção de um heliporto no relvado sul da Casa Branca antes da visita, lamentando que o salão de baile que mandou construir não esteja pronto para o jantar de Estado desta quinta-feira.

Entre os convidados do jantar contam-se Jeff Bezos, da Amazon, Jensen Huang, da Nvidia, e Mark Zuckerberg, da Meta – nomes ligados ao debate sobre salvaguardas na inteligência artificial, tema central para ambos os líderes.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, confirmou na quarta-feira, pouco depois da chegada de Xi, que os dois países chegaram a acordo para prolongar a trégua comercial firmada no ano passado em Busan, na Coreia do Sul.

Bessent admitiu à Fox News a possibilidade de um acordo mais alargado até janeiro, ou de nova extensão do prazo.

A prorrogação anunciada ficou aquém do que ambos os lados tinham sugerido nas últimas semanas.

Pequim pretendia estender a trégua até ao final do mandato de Trump, em janeiro de 2029, enquanto responsáveis da administração norte-americana defendiam um prazo de três a seis meses, alegando lentidão da China no cumprimento de compromissos sobre terras raras, soja e aviões norte-americanos.

Ryan Hass, antigo conselheiro para a política asiática no governo de Barack Obama e hoje investigador na Brookings Institution, disse que ambos os lados “vão gerir a relação em torno de pequenos ganhos e da prevenção de conflitos”, sem expectativa de um avanço significativo esta semana.

Um desbloqueio sobre o Irão parece pouco provável. Trump tem argumentado, sem grande efeito, que a China – muito mais dependente do petróleo do Golfo do que os Estados Unidos – tem interesse em usar a sua influência junto de Teerão. Pequim condenou a ação militar dos Estados Unidos e de Israel, com Xi a manifestar receio de um regresso à “lei da selva”.

A operação militar norte-americana que retirou do poder o presidente venezuelano Nicolás Maduro, levado para Nova Iorque para responder a acusações federais de narcoterrorismo e tráfico de droga, também inquietou Pequim. Trump tem pressionado países latino-americanos a reduzir laços económicos e políticos com a China, invocando preocupações com a influência chinesa e russa na Venezuela.

Jake Werner, diretor do Programa para a Ásia Oriental do Instituto Quincy, disse que Pequim está “muito nervosa” com o que descreveu como um estilo de geopolítica de “cariz imperialista do século XIX” por parte de Trump, mas sublinhou que a China não quer pôr em causa a relação bilateral, que considera o fator decisivo.

Taiwan continua a ser, segundo Pequim, o tema mais sensível da relação bilateral. A China reivindica a ilha como território seu e ameaça anexá-la pela força se necessário, enquanto os Estados Unidos estão legalmente obrigados a fornecer-lhe armamento para dissuasão.

Depois do encontro entre os dois líderes em Pequim, em maio, Trump disse estar a reter a aprovação final de um pacote de armamento para Taiwan avaliado em 14 mil milhões de dólares, descrevendo as vendas de armas como uma “boa moeda de troca” nas negociações com a China.

Segundo analistas, Trump poderá manter essa pausa pelo menos até ao final do ano. O Presidente norte-americano quer que Xi participe na cimeira do G20 em dezembro, no seu resort de Doral, na Florida, enquanto Xi pretende que Trump compareça em novembro à cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), em Shenzhen, na China.

Hass considerou que manter o atual congelamento das vendas de armas “contaria como uma vitória para Pequim”.

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Escrito por RafaFM

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