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Compras da ONU caíram 11,5% em 2025 penalizadas por crise de liquidez, UNICEF maior ‘compradora’ do sistema

todaySetembro 23, 2026 12

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Copenhaga, 23 de setembro de 2026 (RAFA) – As compras da ONU caíram 11,5% em 2025, para 22,7 mil milhões de dólares, penalizadas pela crise de liquidez do sistema, com a UNICEF a manter-se como maior compradora o sistema, com 5,7 mil milhões.

O valor de 22,7 mil milhões de dólares representa uma quebra de três mil milhões face aos 25,7 mil milhões registados em 2024, mas continua a ser o quinto maior total anual de sempre, acima dos níveis pré-pandemia, segundo o Relatório Estatístico Anual sobre Compras da ONU, divulgado pela UNOPS.

Segundo o documento, a descida reflete tendências orçamentais mais amplas em todo o sistema da ONU, nomeadamente o impacto de uma crise de liquidez sustentada, atrasos recorde nos pagamentos dos Estados-membros e a redução estratégica de várias missões de manutenção de paz de elevado valor.

Do total, 12,7 mil milhões de dólares corresponderam a serviços – uma quebra de 9,2% face a 2024, mas com peso crescente no total (56,1%) – e 10 mil milhões a bens, que registaram a descida mais acentuada, de 14,2%.

Segundo o relatório, esta diferença indica que a quebra geral em 2025 foi impulsionada sobretudo pela redução nas compras de bens físicos, mais do que de serviços.

Das 32 organizações da ONU que reportaram dados, 13 aumentaram as suas compras, com um crescimento combinado de 379 milhões de dólares, enquanto 19 registaram quebras, com uma redução combinada de 3,3 mil milhões.

A descida geral foi assim impulsionada sobretudo pelas maiores organizações do sistema.

A UNICEF foi, isoladamente, a maior compradora da ONU em 2025, com um volume de compras de 5,7 mil milhões de dólares, um aumento de 67 milhões de dólares (1,2%) face a 2024 – o único aumento entre as três maiores organizações do sistema.

Os bens relacionados com saúde continuaram a ser a principal prioridade, com as compras de medicamentos, contracetivos e vacinas a atingirem 2,6 mil milhões de dólares.

Segundo o relatório, destacou-se ainda a expansão do segmento de serviços de gestão e administração, que cresceu 109 milhões para 533 milhões de dólares, impulsionado sobretudo por serviços de relações públicas, angariação de fundos e mão de obra técnica local.

Os Estados Unidos mantiveram-se como o maior país fornecedor da UNICEF, com 735 milhões de dólares, mas a organização expandiu significativamente as compras ao Reino Unido, onde o volume subiu 212 milhões, para 631 milhões de dólares, sobretudo em material de saúde.

A UNICEF reportou ainda 400 milhões de dólares em compras colaborativas e foi a única organização do sistema a reportar colaboração na gestão da cadeia de abastecimento, num total de 2,6 mil milhões de dólares, ligada sobretudo à aquisição de vacinas.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) foi a segunda maior organização compradora, com 3,3 mil milhões de dólares, uma quebra de 617 milhões de dólares (15,8%) face a 2024, impulsionada sobretudo pela redução nas compras de produtos alimentares e de bebidas.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) ficou em terceiro lugar, com 3,2 mil milhões de dólares, um aumento de 261 milhões (9%) – o maior crescimento absoluto entre todas as organizações da ONU e o valor mais elevado já registado pelo PNUD.

Já o Secretariado das Nações Unidas registou a maior quebra entre as dez maiores organizações compradoras, com uma redução de 809 milhões de dólares (29%), para dois mil milhões, impulsionada sobretudo por menores compras de serviços de transporte, armazenamento e correio e de combustíveis e lubrificantes.

Segundo o relatório, num contexto financeiro difícil para a ONU, os esforços para melhorar a eficiência – incluindo através da colaboração entre organizações – tornam-se cada vez mais importantes.

As compras colaborativas atingiram 1,7 mil milhões de dólares em 2025, o equivalente a 7,6% do volume total de compras da ONU, face a 5,8% no ano anterior, um aumento explicado sobretudo por melhorias nos dados reportados pela UNICEF.

O setor da saúde manteve-se como o maior setor de compras em 2025, com 5,2 mil milhões de dólares, uma quebra de 2,8% face a 2024, mas com peso crescente no total (22,8%, face a 20,7% no ano anterior).

O setor de construção, engenharia e ciência foi o único a registar crescimento entre os principais setores, com um aumento marginal de 0,1%, para 3,6 mil milhões de dólares.

Jornalista: António Sampaio

 

Escrito por RafaFM

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