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Ramos-Horta homenageia Guterres no seu último discurso como secretário-geral da ONU

todaySetembro 23, 2026 36

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Nova Iorque, 23 de setembro  de 2026 (RAFA) – O Presidente José Ramos-Horta prestou hoje homenagem a António Guterres, depois do último discurso do português como secretário-geral perante a Assembleia-Geral, elogiando a sua humildade e o cuidado pelos “milhões esquecidos” das guerras atuais. (34 palavras).

“Numa manhã de inverno, a 1 de janeiro de 2017, chegou ao seu gabinete no 38º andar do edifício do Secretariado totalmente preparado para a missão mais desafiante da sua longa e distinta carreira”, recordou o chefe de Estado timorense, dirigindo-se a Guterres no início do seu discurso na 81ª sessão da Assembleia-Geral, em Nova Iorque.

“Ao longo deste tempo, foi fiel a si próprio, um líder compassivo e esclarecido, incansável, humilde, acessível, não perturbado pela visibilidade do cargo, não intimidado pelo peso extremo de uma agenda 24 horas por dia; não trouxe para o cargo um ego inflado que precisasse de ser frequentemente massajado, nem vaidade a exigir penteado diário”, afirmou Ramos-Horta.

O Presidente timorense elogiou o que descreveu como a preocupação de Guterres com “os milhões esquecidos de mulheres e crianças apanhados no turbilhão de guerras desencadeadas por senhores da guerra”.

“À medida que as guerras se arrastam, e se tornam demasiado dispendiosas, os bombeiros são culpados por não apagarem os fogos que eles, os incendiários, começaram”, disse Ramos-Horta que, horas antes, se encontrou com António Guterres, à margem da Assembleia-Geral, com quem trocou um abraço fraterno e breves palavras.

Guterres termina o mandato de secretário-geral a 31 de dezembro.

“Ao sair deste edifício a 31 de dezembro de 2026, junta-se ao panteão dos grandes secretários-gerais cujos legados vão continuar a inspirar os jovens em todo o mundo a seguir o seu caminho de serviço às pessoas que mais precisam”, declarou Ramos-Horta.

O Presidente timorense associou esta homenagem a um alerta mais amplo sobre o enfraquecimento das instituições multilaterais.

“Há um grito doloroso por uma ordem global melhor, à medida que testemunhamos o enfraquecimento até à irrelevância das instituições multilaterais. Nenhum país, seja qual for a sua dimensão ou poder, pode enfrentar sozinho os desafios interligados de hoje”, declarou, defendendo que “a Carta das Nações Unidas não foi escrita para tornar os fortes fracos. Foi escrita para impedir que os fortes tornem o mundo invivível”.

Noutro tema, Ramos-Horta felicitou o novo presidente da Assembleia-Geral, Khalilur Rahman, pela sua eleição para presidir à 81ª sessão.

“Traz a esta casa a sabedoria de cinco mil milhões de pessoas, 60% da população mundial, representando algumas das civilizações mais antigas e sofisticadas do mundo”, afirmou António Guterres.

Jornalista: António Sampaio

 

Escrito por RafaFM

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