Destaque

Presidente iraniano diz na ONU que país foi “vítima de terrorismo” dos EUA, um dia depois de Trump ameaçar “aniquilar” o Irão

todaySetembro 23, 2026 17 4

Fundo
share close

Nações Unidas, 23 setembro 2026 (RAFA) – O Presidente do Irão disse hoje que o seu povo tem sido “vítima de terrorismo” por parte dos Estados Unidos, num discurso de guerra pouco habitual na Assembleia-Geral da ONU, um dia depois de Donald Trump ter dito que poderia “aniquilar” a República Islâmica.

Num discurso desafiante, o Presidente Masoud Pezeshkian exibiu fotografias de grande formato do falecido líder supremo Ali Khamenei e de mais de 150 crianças iranianas mortas nos primeiros dias da guerra.

“Apenas nos defendemos. Não somos terroristas”, afirmou Pezeshkian perante a Assembleia-Geral. “O nosso povo inocente tem sido alvo de ataques covardes e de agressões impostas ao nosso país. E defendemo-nos com toda a força. Os Estados Unidos e Israel atacaram-nos”, afirmou.

Sobre os Estados Unidos, acrescentou: “Sim, atingiram-nos, mas não dobrámos o joelho.” Perto do final do discurso, Pezeshkian dirigiu-se diretamente a Trump pelo nome.

“É preciso que o senhor Trump e aqueles que procuram intimidar-nos compreendam que estamos prontos para o diálogo, para a diplomacia e para negociações, sem aceitar a linguagem da força”, disse.

O Presidente iraniano afirmou também algo comprovadamente falso: “Não atingimos populações civis.” Marítimos e trabalhadores migrantes na região têm estado entre os civis mortos nos ataques do Irão desde o início da guerra.

Pezeshkian chegou a Nova Iorque sob forte segurança e escrutínio, e discursou perante os líderes mundiais um dia depois de Trump ter usado o mesmo púlpito para sugerir que poderia “aniquilar” a República Islâmica caso não seja alcançado rapidamente um acordo para terminar a guerra, que dura há quase sete meses. Dentro do panorama político iraniano, Pezeshkian é considerado um político moderado.

Horas depois, Trump disse aos jornalistas que os seus principais enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, se reuniram durante cerca de três horas com responsáveis iranianos à margem da reunião anual das Nações Unidas, mas deu poucos detalhes sobre o desenrolar das conversações ou sobre o seu conteúdo.

“Foi uma reunião muito boa”, disse Trump, acrescentando mais tarde que os responsáveis iranianos “não eram do mais alto nível, mas é qualquer coisa”. Também na terça-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que Trump está disponível para se reunir com Pezeshkian enquanto este estiver em Nova Iorque.

Teerão, porém, desvalorizou o encontro não agendado de terça-feira, que constituiu as primeiras conversações indiretas entre responsáveis dos EUA e do Irão desde que um cessar-fogo de junho se desmoronou. Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, manteve a posição negocial do país nas conversações com responsáveis norte-americanos, exigindo que Washington ponha fim ao bloqueio aos portos iranianos e liberte ativos iranianos congelados.

Baghaei afirmou que as conversações – conduzidas indiretamente através de mediadores do Catar – “não são nada de novo”.

O discurso de Pezeshkian detalhou a posição de Teerão numa altura em que mais de um ano de negociações intermitentes entre os dois antigos adversários não produziu uma solução sustentável.

A intervenção surgiu num contexto de ataques intermitentes que continuam no Estreito de Ormuz, ao largo da costa iraniana, onde o tráfego marítimo comercial se mantém abaixo dos níveis anteriores à guerra.

O discurso do Presidente iraniano na ONU no ano passado surgiu meses depois da guerra de 12 dias entre Israel e o Irão, que resultou no assassínio de vários dos mais altos responsáveis militares e políticos da República Islâmica e que, mais uma vez, interrompeu semanas de negociações com os Estados Unidos. “Minhas senhoras e meus senhores, todos testemunharam que, em junho passado, o meu país foi alvo de uma agressão selvagem e de uma violação flagrante dos princípios mais elementares do direito internacional”, tinha afirmado Pezeshkian na altura.

FIM

 

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!