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Díli, 23 de setembro de 2026 (RAFA) – O comissário da Comissão Anti-Corrupção (CAC), Rui Pereira dos Santos, recusou-se a comentar as acusações contra o assessor internacional da CAC, Paulo Alexandre Gomes, alegadamente implicado em crimes de falsificação de documentos e coação num caso de doping no ciclismo em Portugal.
Contactado esta quarta-feira pela RAFA, o comissário não quis prestar declarações, limitando-se a informar que o assessor Paulo Alexandre Gomes foi contratado pela CAC através de concurso público.
“Não quero fazer comentários sobre isso, podem perguntar outra coisa. Os portugueses que estão aqui em Timor formam grupos para se derrubarem uns aos outros, porque este recrutamento é um processo com júri e a pessoa tinha bom comportamento em tudo”, afirmou o comissário Rui Pereira dos Santos.
Perante a insistência do jornalista da RAFA, Rui Pereira dos Santos rejeitou a veracidade da informação e da documentação relativa às acusações contra o assessor, considerando-as falsas.
O comissário sustentou que Paulo Alexandre Gomes obteve o cargo de assessor na CAC através de concurso e com base no mérito, acrescentando que as preocupações sobre a nomeação já tinham sido esclarecidas anteriormente, nomeadamente quanto ao processo de contratação.
Segundo o comissário, se a questão estiver relacionada com uma publicação da RAFA, não voltará a responder, porque já esclareceu essa preocupação, em particular sobre a contratação do assessor.
“Ele é apenas candidato, e é isso que estão a questionar. Querem colocar a sua própria gente”, afirmou.
O comissário argumentou ainda que, caso Paulo Alexandre Gomes esteja de facto envolvido nalgum crime, em Portugal ou noutro país, a informação ou documentação oficial sobre o caso pode ser entregue à CAC para verificação.
Segundo Rui Pereira dos Santos, se o assessor estiver de facto envolvido nalgum crime, a CAC suspenderá de imediato as suas funções, tanto a nível nacional como internacional. Mas, até ao momento, a CAC não recebeu qualquer comunicação de Portugal sobre o assunto, acrescentando que a informação circulada é apenas “boato”.
O comissário disse que não voltará a responder a questões sobre o assessor e pediu que o deixem trabalhar.
Quanto às acusações de falsificação de documentos e coação num caso de doping no ciclismo atribuídas a Paulo Alexandre Gomes, o comissário disse não as considerar relevantes, uma vez que a contratação seguiu um concurso por mérito.
“Não, não precisas de vir questionar isso outra vez, porque essa informação eu já não acredito, porque os portugueses que vêm para aqui têm sindicatos”, respondeu o comissário, visivelmente emocionado.
O comissário afirmou ainda que a comunicação social se limita a repetir “boatos”, pelo que a CAC não voltará a responder à RAFA sobre o assessor, pedindo que o deixem trabalhar.
Segundo fontes internas da CAC, que pediram anonimato, após a publicação da RAFA intitulada “Inspetor português acusado integra CAC de Timor-Leste com licença da Polícia Judiciária”, o comissário Rui Pereira dos Santos reuniu de imediato com os diretores da instituição para discutir o assunto, tendo defendido que as acusações contra o assessor Paulo Gomes são falsas, razão pela qual este continua a exercer funções.
A CNN Portugal noticiou que um inspetor-chefe da Polícia Judiciária (PJ) portuguesa, acusado de crimes de falsificação de documentos e coação num caso de doping no ciclismo, obteve licença sem vencimento da direção nacional da PJ para trabalhar como assessor na Comissão Anticorrupção de Timor-Leste.
Segundo a CNN Portugal, o inspetor Paulo Alexandre da Silva Gomes obteve essa autorização depois de vencer o concurso para o cargo de assessor na CAC.
Paulo Alexandre Gomes, que até 2023 trabalhava na Diretoria do Norte da PJ, terá alegadamente participado num esquema com o empresário Adriano de Sousa, conhecido por “Quintanilha”, que na altura era presidente do clube de ciclismo W52-FC Porto.
Jornalista: Marcelino Tomae
Escrito por RafaFM
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