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Díli, 23 de setembro de 2026 (RAFA) – O crescimento económico da Ásia em desenvolvimento e do Pacífico vai abrandar de 5,5% em 2025 para 5,0% este ano, antes de subir para 5,1% em 2027, segundo o Banco Asiático de Desenvolvimento.
A previsão para 2026 é 0,1 pontos percentuais superior à publicada em julho no anterior Asian Development Outlook (ADO), divulgado pelo Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB).
O banco assinala que o crescimento continua sustentado por forte investimento, por estímulo governamental e pelas robustas exportações tecnológicas impulsionadas pelo ciclo global de investimento em inteligência artificial, apesar da pressão das tensões geopolíticas e de um El Niño em fortalecimento sobre os preços da energia e dos alimentos.
“A região manteve-se resiliente, mas os riscos estão a aumentar”, afirmou o presidente do ADB, Masato Kanda, citado no comunicado que acompanha o relatório.
“Um El Niño em fortalecimento, com condições mais secas, significa colheitas menores e menos energia hidroelétrica, o que empurra os preços dos alimentos e da energia para cima e atinge com mais força os mais vulneráveis. A crise energética prolongada e os novos riscos nos mercados financeiros tornam ainda mais importante que os governos se preparem e protejam as pessoas mais expostas. O ADB está a apoiar fortemente esses esforços”, acrescentou.
O ADB reviu também em baixa a previsão de inflação regional para 2026, de 4,3% para 4,2%, refletindo medidas de estabilização de preços que compensaram parcialmente o impacto dos preços da energia persistentemente elevados.
Para 2027, a previsão foi revista em alta, de 3,4% para 3,5%. Ambos os valores permanecem acima dos 3,0% registados em 2025.
O relatório identifica dois principais riscos para as perspetivas de crescimento e inflação da região.
O primeiro é a escalada de conflitos, nomeadamente um alargamento do conflito no Médio Oriente e uma intensificação da guerra da Rússia na Ucrânia, que poderiam manter os preços globais da energia elevados e voláteis, com efeitos noutras matérias-primas.
O segundo é um El Niño muito forte, com previsão de persistir até ao primeiro trimestre de 2027, que poderá aumentar a procura de energia e reduzir a produção agrícola, pressionando em alta os preços dos combustíveis e dos alimentos.
Uma correção acentuada nas avaliações de ações ligadas à inteligência artificial, o aperto das condições financeiras e uma nova incerteza sobre políticas comerciais constituem riscos adicionais.
As perspetivas subregionais são mistas.
No Sudeste Asiático em desenvolvimento, o desempenho acima do esperado no primeiro semestre de 2026 melhorou ligeiramente as previsões, agora em 4,7% para 2026 e 4,9% para 2027, face aos 4,6% e 4,8% anteriores. As previsões para o Leste Asiático em desenvolvimento, incluindo a República Popular da China, mantêm-se inalteradas.
No Sul da Ásia, a previsão para este ano subiu para 6,4%, dos 6,0% de julho, impulsionada pelo forte investimento público e pelo crescimento das exportações na Índia, mas a projeção para 2027 foi reduzida em 0,2 pontos percentuais, para 6,5%, refletindo previsões mais baixas para o Afeganistão, o Bangladeche, a Índia e o Nepal.
Na região do Cáucaso e da Ásia Central e Ocidental, as previsões foram revistas em baixa em 0,1 pontos percentuais para ambos os anos, para 3,7% e 4,1%, sobretudo devido à procura externa mais fraca do que o esperado, particularmente na Turquia.
As economias do Pacífico enfrentam as maiores revisões em baixa, com os valores para ambos os anos cortados em 0,3 pontos percentuais, para 3,0% e 2,9%, devido às perturbações prolongadas no mercado energético e aos efeitos esperados do El Niño na mineração e na agricultura.
O crescimento regional abrandou no segundo trimestre de 2026, depois de um primeiro trimestre resiliente, penalizado pela subida dos preços da energia, que pesou sobre a procura interna. A inflação, por sua vez, aliviou em julho, com uma descida temporária dos preços da energia a superar a firmeza da inflação alimentar.
Jornalista: António Sampaio
Escrito por RafaFM
0% em 2026 ADB revê em baixa crescimento da Ásia em desenvolvimento para 5
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