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Díli, 23 de setembro de 2026 (RAFA) -A economia timorense deverá crescer 4,0% em 2026 e 4,1% em 2027, impulsionada pela despesa pública e pelo consumo interno, segundo o Banco Asiático de Desenvolvimento.
A previsão consta do Asian Development Outlook (ADO) de setembro de 2026, divulgado hoje pelo Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB), e representa uma revisão em alta face aos 3,8% projetados em julho para este ano.
A previsão para 2027 mantém-se inalterada, em 4,1%.
O documento recorda que para mitigar o impacto adverso do conflito no Médio Oriente, o parlamento timorense aprovou um orçamento suplementar que eleva a despesa total em 4,4% acima da dotação original, um reforço equivalente a 13% do produto interno bruto (PIB) não petrolífero estimado.
A medida visa manter a inflação baixa, reforçar as reservas estratégicas de combustível e de arroz, e prestar apoio direcionado a grupos vulneráveis e a instituições públicas específicas, incluindo o recrutamento de novos elementos para a Polícia Nacional, a criação de uma nova estrutura administrativa no município de Oecusse e a aquisição de equipamento para os serviços notariais.
O sentimento dos investidores mantém-se positivo desde a adesão de Timor-Leste à ASEAN, em outubro de 2025, atraindo novos investidores e turistas e aumentando a mobilidade de visitantes. Segundo o ADB, este contexto tem sustentado o consumo privado, a par do crédito ao consumo, das remessas, da despesa pública em salários e das transferências sociais.
Um maior crescimento do crédito, apoiado por um ambiente legal melhorado e por uma infraestrutura financeira mais sólida, deverá reforçar o contributo do investimento para o crescimento.
“A mudança do processo orçamental do governo para um quadro fiscal de médio prazo baseado em políticas será fundamental para o planeamento estratégico e a execução de investimentos de longo prazo, para melhorar a eficiência fiscal e para reduzir a pressão sobre o Fundo Petrolífero”, afirmou o diretor do ADB para Timor-Leste, Artur Andrysiak, citado no comunicado do banco.
“Para alcançar resultados tangíveis, é essencial diversificar as fontes de financiamento da despesa pública, continuar a reforçar a capacidade institucional e afetar mais recursos ao aumento da produtividade, do capital humano e do desenvolvimento do setor privado”, acrescentou.
O orçamento do Estado para 2027 está centrado no planeamento fiscal de médio prazo, dando prioridade à eficiência da despesa, à redução da pressão sobre o Fundo Petrolífero e à diversificação do financiamento.
O processo orçamental está a transitar de um enfoque anual para um quadro plurianual, que cobre o período de 2027 a 2030, com destaque para o reforço da produtividade em setores-chave, como a agricultura e as pescas, o turismo, os serviços e o comércio, e as indústrias extrativas.
O investimento público de capital será canalizado para a conectividade, os serviços básicos e as infraestruturas rurais, bem como para a preparação da presidência timorense da ASEAN, aumentando o contributo do investimento para o crescimento.
O governo está também a priorizar o investimento público na educação e na saúde, para promover o desenvolvimento do capital humano.
O ADB identifica como principais riscos em baixa para as perspetivas timorenses eventuais perturbações no abastecimento de combustível e a subida dos preços das importações, decorrentes de um conflito prolongado ou intensificado no Médio Oriente, riscos geopolíticos mais amplos, um impacto mais profundo do El Niño na agricultura, potenciais desastres naturais e atrasos na execução do investimento público.
Jornalista: António Sampaio
Escrito por RafaFM
0% para Timor-Leste em 2026 ADB prevê crescimento de 4 sustentado pela despesa pública
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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