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Ramos-Horta pede que tecnologia “sirva a humanidade” e não aprofunde desigualdades em discurso na ONU

todaySetembro 22, 2026 4

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Nova Iorque, 22 de setembro de 2026 (RAFA) – O presidente da República, José Ramos-Horta, defendeu em Nova Iorque, que a tecnologia deve “servir a humanidade, não aprofundar a desigualdade”, num discurso sobre negócios sociais, juventude e tecnologia, à margem da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

Ramos-Horta descreveu a tecnologia como “uma espada de dois gumes”, reconhecendo o seu potencial para “expandir o acesso à educação e à saúde, aumentar a eficiência na agricultura e na energia e permitir sistemas financeiros inclusivos”.

Mas alertou para riscos “igualmente significativos”, como “preocupações éticas, enviesamentos, lacunas de governação, perda de postos de trabalho e um alargamento do fosso digital entre o Norte e o Sul globais”.

“Devemos garantir que a tecnologia serve a humanidade, não aprofunda a desigualdade”, afirmou, sublinhando que, para pequenas nações como Timor-Leste, “esta não é uma discussão abstrata” e que a questão central é saber “se os nossos jovens vão ser arquitetos do futuro digital ou meros consumidores dele”, disse.

O chefe de Estado timorense discursou na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, no evento paralelo de alto nível “2026: 50 Anos de Microcrédito, o Ano dos Negócios Sociais”, a convite do economista bangladechiano Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank e Nobel da Paz em 2006.

O painel contou ainda com a intervenção de Khalilur Rahman, atual presidente da 81ª Assembleia Geral da ONU, e reuniu jovens e ativistas de várias nacionalidades.

No seu discurso, Ramos-Horta sublinhou a ” profunda honra pessoal” em discursar a convite de Yunus, a quem chamou “irmão e mentor”.

“Esta amizade não nasceu nos corredores do poder”, afirmou, recordando que a relação começou em 2004, quando convidou o economista a visitar Timor-Leste para introduzir o microcrédito no país, então ainda “a curar as feridas da ocupação e da destruição”, disse.

“Não tínhamos nada além de esperança – e a convicção de que a dignidade podia ser restaurada não através da caridade, mas através da oportunidade”, declarou o Presidente.

Yunus “mostrou-nos que os mais pobres entre nós não são vítimas a lamentar, mas empreendedores à espera de serem libertados”, frisou.

Citando o conceito dos “Três Zeros” defendido por Yunus – zero pobreza, zero desemprego e zero emissões líquidas de carbono -, o chefe de Estado timorense classificou-o como “um roteiro que abraçamos sem hesitação”, frisando que “não é um slogan, é um enquadramento moral”.

O Presidente aproveitou o discurso para sublinhar os esforços de Timor-Leste para diversificar a economia “além do petróleo e do gás”, com investimento no turismo, nas energias renováveis e no desenvolvimento sustentável.

Recordou ainda a recente adesão do país à ASEAN como 11º membro do bloco, descrita como a construção de “pontes – literal e figurativamente – entre o sudeste asiático e o Pacífico”.

“Fazemo-lo não porque seja fácil, mas porque recusamos aceitar que a pequenez signifique fraqueza”, declarou, defendendo que “uma economia deve colocar o bem-estar humano acima da acumulação estreita de riqueza” – um princípio que, disse, “não é idealismo, é o único realismo que nos vai salvar”.

Com quase metade da população timorense com menos de 25 anos, Ramos-Horta dirigiu-se diretamente aos jovens do país: “Não são o futuro da nossa nação – são o seu presente.” E apelou: “Não esperem permissão para liderar. Os desafios que enfrentamos são demasiado urgentes para o gradualismo.”

O Presidente recordou ainda o repto que lançou em setembro do ano passado, durante a sua intervenção na Assembleia Geral da ONU, aos jovens timorenses para escreverem, à mão, uma frase em favor da paz – “uma frase para Gaza, para a Ucrânia, para o Sudão, para Mianmar, para todos os lugares onde o conflito roubou o futuro às crianças”.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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