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Díli, 22 de setembro de 2026 (RAFA) – O secretário de Estado para a Toponímia e Organização Urbana negou hoje acusações de agressão a estudantes e jovens durante uma intervenção conjunta realizada na Fundação Oriente, na semana passada.
A intervenção, realizada a 15 de setembro entre as 16h00 e as 17h00 por equipas da Secretaria de Estado para a Toponímia e Organização Urbana (SEATOU), da Direção Nacional de Transportes Terrestres (DNTT) e da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), coincidiu com o Festival Literário 2026, que levou dezenas de jovens ao evento.
A ação conjunta consistiu na remoção das matrículas de mais de dez motociclos estacionados no passeio, motivando incidentes sobre os quais ambas as partes apresentam versões distintas.
Participantes acusam a equipa de alegadas agressões a estudantes e participantes, com a equipa da SEATOU a entrar, sem autorização, nas instalações da Fundação Oriente, onde terá agredido várias pessoas, provocando ferimentos em algumas.
Germano Brites, secretário de Estado para a Toponímia e Organização Urbana, apresentou uma versão diferente dos factos, dizendo que a operação teve como único objetivo remover matrículas de motociclos estacionados irregularmente e desobstruir o passeio.
“Removemos as matrículas na zona do Hotel Katuas. Alguns jovens estavam a frequentar cursos no local e estacionaram as suas motos perto da rua, ocupando o passeio. A função do passeio é permitir a circulação de pessoas”, afirmou hoje aos jornalistas.
Segundo Brites, a ação gerou contestação por parte de alguns jovens, o que terá dado origem a uma discussão no local.
“A nossa intenção era orientar e organizar os jovens, mas alguns não aceitaram a ação da DNTT e da equipa quando estávamos a retirar as placas. Alguns jovens também reagiram contra a equipa, e houve algum barulho”, afirmou.
O secretário de Estado afirmou que a tensão aumentou quando um jovem terá pegado numa pedra durante o confronto.
“Havia um jovem que pegou numa pedra para atirar, demonstrando uma atitude algo agressiva. Chamei-o para conversar e, no final, insultou a equipa. Portanto, a equipa levou-o para falar comigo”, relatou.
Brites negou categoricamente que a equipa tivesse ido ao local para agredir estudantes.
“Não fomos lá para bater em ninguém. Fomos para retirar as matrículas. Se alguém não estiver satisfeito com isso, pode dirigir-se ao DNTT para resolver a situação e pagar a coima correspondente”, disse.
O responsável defendeu a necessidade de preservar os passeios para a circulação de peões e apelou à colaboração da população.
“A cidade pertence a todos, especialmente aos jovens. Nós próprios temos de nos esforçar para organizar e melhorar a nossa cidade”, afirmou, acrescentando que as equipas vão continuar a realizar inspeções sempre que identificarem ocupação ilegal de passeios.
“Apelamos à consciência de todos. A cidade é nossa. Se continuarem a estacionar veículos nos passeios e a infringir as regras, as equipas continuarão a trabalhar. Não vamos parar de trabalhar por causa disto”, disse.
Brites explicou que a SEATOU atua através de equipas conjuntas com diferentes instituições, incluindo os ministérios das Obras Públicas, das Terras e Propriedades, e dos Transportes e Comunicações, e esclareceu que a presença da PNTL nestas operações serve apenas para garantir a segurança das equipas no terreno, e não para executar inspeções ou ações de organização urbana.
“Não há motivos para culpar a PNTL. A PNTL acompanha as equipas, não vai realizar esses trabalhos. Quando estamos a trabalhar no terreno e há situações de conflito, a PNTL está presente para garantir a segurança das equipas”, disse.
Os incidentes ocorreram durante o Festival Literário 2026, organizado pelo Movimento LETRAS, que decorreu entre os dias 14 e 16 de setembro na Fundação Oriente, em Díli, e junta-se a outras queixas da comunidade que têm visado, nos últimos meses, a atuação da SEATOU, nomeadamente sobre o alargamento de estradas, a remoção de matrículas de veículos e o corte de cabos de telecomunicações de empresas privadas.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
Intervenção da SEATOU na Fundação Oriente gera acusações de agressão Secretário de Estado nega
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