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Estrasburgo, 16 de setembro de 2026 (RAFA) – A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu hoje um mecanismo de segurança estilo NATO contra drones e sabotagem ligados à Rússia, e convidou o Canadá a tornar-se membro associado da UE.
No discurso anual sobre o Estado da União, perante o Parlamento Europeu, von der Leyen enquadrou os desafios de segurança da União num confronto mais amplo.
“A Europa está num combate, um combate pelos nossos valores e pelas nossas democracias”, afirmou, acrescentando que estão a ser traçadas as linhas de uma nova ordem mundial assente no poder.
Nesse sentido, disse, a União “tem de lutar pelo seu lugar num mundo em que muitas grandes potências são ambivalentes ou abertamente hostis à Europa”.
A presidente da Comissão defendeu que a União precisa de um “manual de resposta híbrida” próprio e de um consenso urgente sobre como reagir a atos que ficam abaixo da agressão armada, mas ameaçam claramente a segurança nacional dos Estados-membros.
Responsáveis na Alemanha, Dinamarca e Polónia acusaram nas últimas semanas a Rússia de envolvimento em incursões de drones, sabotagem, incêndios, vigilância de instalações de defesa e no planeamento do uso de um drone carregado de explosivos para atacar um aeroporto.
Caças italianos, a operar com a NATO, abateram esta semana um drone sobre o espaço aéreo da Lituânia, país da UE – a primeira vez que um drone foi abatido no seu território -, alegadamente vindo da Bielorrússia, aliada de Moscovo.
Von der Leyen propôs que o novo mecanismo funcione de forma semelhante ao artigo 4.º do tratado fundador da NATO, que permite a qualquer país que considere o seu território ameaçado convocar reuniões de emergência.
Quando acionado por um Estado-membro, todos os restantes reunir-se-iam para coordenar uma resposta europeia, dissuadir nova escalada e mitigar o impacto.
O artigo 4.º distingue-se do artigo 5.º da NATO, a garantia de segurança coletiva que obriga todos os países-membros a socorrer um aliado atacado.
A presidente da Comissão anunciou ainda que o executivo comunitário vai apresentar propostas para tornar realidade um Conselho de Segurança Europeu, que envolveria parceiros internacionais como o Reino Unido, o Canadá, a Noruega e a Ucrânia, sem adiantar pormenores.
Von der Leyen disse ainda querer abrir caminho para que o Canadá se torne o primeiro membro associado da União Europeia, numa proposta feita diretamente ao primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, presente no hemiciclo como convidado de honra e que discursa esta quinta-feira perante o Parlamento Europeu.
A parceria assentaria no acordo de comércio livre já existente entre as duas partes (CETA) e alargar-se-ia a áreas como manufatura avançada, tecnologia, produção de defesa, Árctico, energia, minerais críticos, baterias, inteligência artificial, computação quântica e cibersegurança.
A presidente da Comissão defendeu ainda que o próximo orçamento plurianual da União Europeia, para o período 2028-2034, vai precisar de novos impostos europeus – os chamados “recursos próprios” – para ser suficientemente ambicioso.
As negociações sobre o orçamento e esses novos recursos decorrem atualmente entre os Estados-membros, com países contribuintes líquidos, como a Alemanha, a manifestarem-se céticos quanto à proposta. As negociações deverão ficar concluídas até ao final do ano.
FIM
Escrito por RafaFM
"A Europa está num combate" diz von der Leyen ao propor novo mecanismo de segurança e convite ao Canadá
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