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Banguecoque, 16 de setembro de 2026 (RAFA) – Os preços do GNL na Ásia mais do que duplicaram e o Catar arrisca perder 20 mil milhões de dólares por ano, depois de ataques no Médio Oriente terem afetado o estreito de Ormuz, alerta um relatório apresentado na conferência Gastech, em Banguecoque.
O documento, sublinha que o estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20 por cento do GNL mundial, voltou a revelar-se um ponto crítico de vulnerabilidade para a segurança energética global.
Em 2025, 90 por cento do volume exportado através do estreito teve como destino o mercado asiático, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE) citados no relatório.
O relatório, intitulado “Caught in Conflict: The Outlook for Gas and LNG Markets in Asia” foi divulgado durante a conferência e exposição Gastech, que junta em Banguecoque a indústria mundial de gás natural, GNL, eletrificação e soluções de baixo carbono.
Segundo o documento, os ataques à refinaria catari de Ras Laffan afetaram cerca de 12 milhões de toneladas anuais de uma capacidade total de 77 milhões, com a QatarEnergy a operar apenas 12 das suas 14 linhas de liquefação.
As reparações podem demorar vários anos num cenário pessimista.
O gás natural na Europa disparou mais de 60 por cento no índice de referência holandês TTF, dos 30 para os 74 euros por megawatt-hora no pico da crise, antes de estabilizar perto dos 46 euros em maio.
Cerca de 11 mil milhões de pés cúbicos de gás que normalmente passam pelo estreito foram, entretanto, retirados do mercado, segundo a consultora Wood Mackenzie.
A eventual imposição de custos de trânsito adicionais no estreito de Ormuz – estimados em até dois milhões de dólares por passagem – poderá acrescentar cerca de 0,50 dólares por MMBtu ao custo das cargas, um agravamento significativo face aos 1,50 dólares habitualmente cobrados numa viagem de 28 dias até à Europa.
O relatório identifica a Tailândia, onde o gás natural gera cerca de 60 por cento da eletricidade, a China, maior importadora mundial de GNL e dependente do Catar para um terço das suas importações, o Japão, que importou quase 65 milhões de toneladas em 2025, e a Índia, quarta maior importadora, com 27 milhões de toneladas em 2024-2025 – das quais 11,2 milhões provenientes quase exclusivamente de Ras Laffan – como as economias mais expostas.
Singapura depende de GNL importado para cerca de 95 por cento da sua produção elétrica, enquanto o Catar e os Emirados Árabes Unidos fornecem, em conjunto, 99 por cento do GNL consumido pelo Paquistão.
Anne-Sophie Corbeau, investigadora do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia e copresidente do órgão diretivo da Gastech, avisou que o crescimento da oferta energética em 2026 “vai ser muito mais baixo do que todos esperam”.
Já Simon Flowers, presidente e analista-chefe da Wood Mackenzie, estimou perdas mensais de 6,5 milhões de toneladas nas exportações do Golfo, prevendo pressão altista sobre os preços até 2026.
Segundo Flowers, cerca de 3,5 mil milhões de pés cúbicos diários de capacidade adicional poderão ser mobilizados a partir de produtores mais dependentes de importação, o equivalente a apenas 0,8 por cento da oferta mundial, mas a 30 por cento do GNL catari em falta.
Nobuo Tanaka, antigo diretor executivo da Agência Internacional de Energia, citado no relatório, alertou que a AIE “não dispõe de reservas nem de políticas” para o mercado de gás, ao contrário do que sucede com o petróleo, considerando que o organismo enfrenta “medidas de estabilização limitadas” perante uma eventual nova disrupção.
O relatório aponta como respostas possíveis a aceleração das energias renováveis, o reforço do armazenamento de gás, a diversificação de fornecedores – incluindo Austrália, Papua Nova Guiné, Indonésia, Malásia e Brunei, além da costa oeste do Canadá – e a eventual criação de reservas estratégicas de GNL, à semelhança das reservas petrolíferas já existentes em alguns países asiáticos.
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Escrito por RafaFM
alerta relatório Conflito no Médio Oriente expõe vulnerabilidade dos mercados de gás e GNL na Ásia
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