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Rapper Macklemore excluído do tour de Ed Sheeran após discursos “Free Palestine” em concertos nos EUA

todaySetembro 15, 2026 15

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Nova Iorque, 15 de setembro de 2026 (RAFA) – O rapper norte-americano Macklemore foi excluído do resto da digressão norte-americana de Ed Sheeran depois de vários recintos se terem recusado a recebê-lo, na sequência de declarações a favor da Palestina feitas em palco no início do mês.

A polémica começou a 4 de setembro, quando Macklemore, ao abrir um concerto de Sheeran no MetLife Stadium, em Nova Jérsia, repetiu várias vezes a expressão “Free Palestine” e interpretou o tema “Hind’s Hall”, inspirado no movimento estudantil pró-palestiniano que ocupou um edifício da Universidade de Columbia.

Durante a atuação, foram projetadas no ecrã do recinto imagens da guerra em Gaza. Na noite seguinte, o artista dirigiu-se diretamente ao público judeu presente na plateia: “A crítica a Israel, a crítica ao apartheid, ser contra o genocídio, não é de forma alguma uma crítica a vocês.”

A organização Israeli-American Council lançou uma petição a exigir a remoção de Macklemore do resto da digressão, questionando “onde deve ser traçada a linha quando um artista de abertura usa uma plataforma global de um concerto para promover uma agenda política unilateral”.

A cantora Pink juntou-se à polémica e partilhou nas redes sociais uma publicação da organização StopAntisemitism que criticava a atuação de Macklemore e pedia um pedido de desculpas e o reembolso dos bilhetes – gesto que gerou uma vaga de críticas contra a própria cantora.

Na segunda-feira, a Messina Touring Group, promotora da parte norte-americana da digressão de Sheeran, confirmou à revista Rolling Stone que Macklemore não vai atuar nas datas que restam da tour.

“Fomos notificados pelos recintos das próximas datas da digressão nos EUA de que não vão permitir a realização de um concerto com Macklemore no cartaz, o que resultaria no cancelamento da digressão e afetaria centenas de milhares de fãs”, afirmou a promotora em comunicado.

Segundo Macklemore, foi Robert Kraft – o multimilionário proprietário dos New England Patriots e do Gillette Stadium, onde Sheeran atuaria a 25 e 26 de setembro – quem terá pressionado outros proprietários de recintos a colocar um ultimato ao cantor britânico: manter Macklemore na digressão significaria perder os concertos nesses estádios.

Kraft não contestou esta versão dos factos e em comunicado justificou a decisão com “um historial mais amplo de retórica e imagética antissemita” atribuído a Macklemore, que, segundo o empresário, “tem sido profundamente ofensivo e doloroso para a comunidade judaica”.

“O Gillette Stadium tem um compromisso de longa data em assegurar um ambiente acolhedor para todos os convidados e em garantir que os eventos realizados no nosso recinto não servem de palco para discurso de ódio”, escreveu.

Kraft sublinhou, no entanto, que a decisão “não visa diminuir o sofrimento dos palestinianos inocentes, nem negar a ninguém o direito de defender a sua causa”, tendo convidado Macklemore para uma conversa direta sobre o assunto.

Confrontada com as críticas por ter partilhado a publicação contra Macklemore, Pink publicou uma extensa mensagem nas redes sociais a explicar a sua posição.

“Nunca pedi que outro artista fosse silenciado, e não o estou a pedir agora. Não preciso que ninguém seja despedido, nem preciso de um reembolso”, escreveu, acrescentando: “O que preciso é de poder dizer, como mãe judia, que aquilo me assustou, e assustou pessoas que amo, sem que me digam que o nosso medo é apenas propaganda.”

Já Macklemore, ao confirmar a sua saída da digressão numa extensa publicação no Instagram, recusou apresentar-se como vítima.

“Não sou uma vítima. O Ed Sheeran não é uma vítima. A Pink não é uma vítima. Temos carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e público em todo o mundo. Sejam quais forem as consequências que cada um de nós enfrente pelo que diz, todos vamos para casa junto das nossas famílias”, disse, terminando a mensagem com as palavras: “Free Palestine.

Mas se essas palavras me custaram o palco, ao mesmo tempo que devolveram a conversa para a Palestina, então foi a digressão mais bem-sucedida em que já participei.”

Ed Sheeran, por seu lado, não emitiu qualquer comunicado público sobre a polémica, mantendo-se em silêncio junto da imprensa desde que a controvérsia começou.

O que se conhece da sua posição vem apenas do relato do próprio Macklemore, que, na publicação em que anunciou a sua saída da digressão, descreveu uma conversa telefónica com o cantor britânico.

“A sua típica postura apolítica estava a ser desafiada como nunca antes tinha acontecido. Disse-me que as palavras ‘Free Palestine’ e a imagem da bandeira palestiniana tinham sido dolorosas para muita gente com quem falou”, afirmou Macklemore.

Vários meios de comunicação, incluindo a Newsweek e a Variety, notaram o contraste entre esta alegada “neutralidade” e o passado do próprio Sheeran, que se manifestou publicamente a favor da Ucrânia após a invasão russa de 2022.

Na altura, o cantor britânico gravou um videoclipe em Kiev dias antes do início da guerra e declarou publicamente: “Quero dizer a todos os ucranianos: amo-vos, estou do vosso lado”, tendo doado os direitos de autor do vídeo à campanha humanitária para a Ucrânia do Disasters Emergency Committee (DEC) britânico.

A polémica em torno de Macklemore surge poucas semanas depois de outro caso envolvendo música e a causa palestiniana ter gerado controvérsia internacional.

Em julho, os fundadores da banda britânica Massive Attack, Robert Del Naja e Grant Marshall, foram detidos e interrogados separadamente pela polícia de Singapura depois de terem desfraldado uma bandeira palestiniana no palco do Star Theatre, no final de um concerto em que grandes setores da plateia entoaram espontaneamente “Free Palestine”.

As autoridades de Singapura confiscaram temporariamente os passaportes dos músicos e revistaram os seus quartos de hotel, tendo depois banido permanentemente ambos de voltar a entrar no país e barrado qualquer pedido futuro de autorização para atuarem em território singapurense.

Em comunicado, a banda descreveu o episódio como “surreal” e disse não imaginar que exibir “a bandeira de um Estado soberano reconhecido por 157 países” pudesse violar qualquer lei, terminando a mensagem com as palavras: “Como estávamos a dizer… Free Palestine.”

Singapura justificou a decisão com as suas leis restritivas sobre exibição de símbolos estrangeiros e manifestações políticas em espaços públicos, que as autoridades dizem ser essenciais para preservar a harmonia entre as diversas comunidades étnicas e religiosas do país – incluindo uma minoria muçulmana que representa cerca de 15% da população.

FIM

Escrito por RafaFM

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