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Díli, 15 de setembro de 2026 (RAFA) – Presa três anos por um crime que nega ter cometido, Renata acaba por sentir-se mais segura na cadeia do que fora dela: esta é a personagem central do novo romance de Helena Mafalda, apresentado hoje no Festival Literário.
“Renata: Ódio Tanba Injustisa”, da escritora timorense Helena Mafalda, marcou hoje o debate realizado no Festival Literário, subordinado ao tema “Leitura para a Transformação Social”.
A obra, publicada em 2026, nasceu de uma questão que levou a autora a desenvolver a história: o que acontece quando uma pessoa é julgada antes de ter a oportunidade de se defender?
A partir desta questão, o romance aborda temas como a injustiça, o julgamento social, o trauma e a vingança, através da história de Renata, uma jovem de 21 anos que, em 2019, estudava enfermagem e sonhava tornar-se enfermeira para ajudar a comunidade.
A Renata vive numa família simples. Após a morte repentina do pai, a jovem vê-se no local do crime com as mãos ensanguentadas e acaba por se tornar a principal suspeita do homicídio.
Na história, a presença de uma faca relacionada com o acontecimento contribui para que Renata seja colocada sob suspeita, embora negue ter matado o próprio pai.
A personagem acaba por ser presa e permanece na prisão durante três anos. Durante este período, a prisão torna-se um espaço inesperado para Renata, ao ponto de sentir que é o local onde se sente mais segura.
Depois de ser libertada, Renata regressa e começa a questionar o que realmente aconteceu ao pai e quem foi o responsável pela sua morte.
O romance reúne diferentes personagens ligadas ao sistema judicial e à sociedade, incluindo polícias, prisioneiros, guardas prisionais, procuradores, juízes, testemunhas, jornalistas e membros da comunidade.
Segundo Helena Mafalda, uma das principais reflexões da obra está relacionada com a forma como as pessoas são julgadas apenas pelo que podem observar exteriormente.
“Uma pessoa pode parecer calma por fora, mas estar a enfrentar um grande conflito por dentro.”
A autora explicou que escolheu este tema porque queria chamar a atenção para as pessoas que são julgadas antes mesmo de terem a oportunidade de falar e apresentar a sua própria versão dos factos.
“Renata: Ódio Tanba Injustisa” é o quinto livro escrito por Helena Mafalda. A autora começou a publicar os seus trabalhos em 2025 com “Laloran Moris”, uma ficção sobre uma mulher marcada pelo trauma da violência doméstica que decide não se casar, mas mantém o desejo de ter um filho.
No mesmo ano, publicou “Le Exige Tenki Perfeito”, “Between Science and Faith” e “Rasa Ini Hadir Tanpa Diundang”, obras de ficção que abordam diferentes situações relacionadas com as relações humanas, a família, a saúde, o amor e os conflitos pessoais.
A autora, que trabalha na Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL) e está também ligada ao Ministério do Ensino Superior, explicou que conciliar a escrita com o trabalho e a vida familiar não é fácil.
“Não é fácil dividir o tempo entre o trabalho, ser dona de casa e escrever.”
Para Helena Mafalda, a leitura é uma das principais fontes de inspiração para a sua escrita.
“Escrevo porque leio, e leio porque gosto de ler.”
A escritora explicou ainda que, quando tem dificuldade em desenvolver uma ideia, prefere fazer uma pausa e dedicar-se a outras atividades antes de voltar a escrever.
“É fácil começar, mas difícil terminar.”
Quando questionada sobre que conselhos daria a quem quer começar a escrever, Helena Mafalda defendeu a importância da leitura e de aproveitar as ideias quando estas surgem.
“Se não gostamos de ler, é difícil escrever. Se alguém gosta de ler e quer escrever, não deve adiar quando a ideia surge; pode começar imediatamente.”
A autora reconheceu, no entanto, que a sua própria experiência mostra que começar é mais fácil do que terminar uma obra.
A escritora revelou ainda que algumas partes do processo de escrita impactam o seu estado emocional, embora considere este efeito limitado.
Sobre a possibilidade de transformar as suas obras em filmes, afirmou que existem partes das histórias que gostaria de ver adaptadas ao cinema, mas que, até ao momento, ninguém mostrou interesse em realizar tal adaptação.
A apresentação de “Renata: Ódio Tanba Injustisa” trouxe ao Festival Literário uma discussão sobre os efeitos do julgamento social e a importância de se permitir que uma pessoa tenha a oportunidade de falar, se explicar e se defender antes de ser condenada pela sociedade.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
Festival Literário: “Renata: Ódio Tanba Injustisa” aborda julgamento social e injustiça
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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