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Díli, 15 de setembro de 2026 (RAFA) – A relação entre arte e resistência em Timor-Leste foi o tema central do segundo dia do Festival Literário, que teve como tema “Ler para a Transformação Social”, e que decorre na Fundação Oriente em Díli.
O debate contou com uma apresentação de Rogério Sávio Maaveru, subordinada ao tema “Resistência, Arte Contemporânea e Educação em Timor-Leste: Uma Análise do Grupo Artístico Arte Moris numa Perspetiva Decolonial”.
Durante a sessão, o orador analisou como a arte e as imagens estiveram ligadas a diferentes momentos da resistência timorense, desde o período de 1974-1975, quando os muros foram utilizados como espaços de disputa política, até à década de 1980, com a utilização de grafites e panfletos no contexto da clandestinidade.
A apresentação destacou ainda a mobilização juvenil de 1989, durante a visita do Papa João Paulo II, e os acontecimentos de 1991 associados a Santa Cruz, enfatizando o papel das imagens na denúncia e divulgação da situação internacional em Timor-Leste.
“A arte e as imagens serviram não só para expressar resistência, mas também para dar visibilidade, mobilizar as pessoas e divulgar a denúncia para além de Timor-Leste”, disse.
A discussão abordou também os sanggar na década de 1990 como espaços ligados à sociabilidade e à educação artística, e o desenvolvimento da arte urbana após 1999, incluindo os grafites como uma nova forma de expressão e participação no espaço público.
Neste contexto, a Arte Moris apresentou-se como um dos grupos que contribuiu para dar maior visibilidade à produção artística contemporânea em Timor-Leste.
Na parte final, Maaveru chamou a atenção para o risco de analisar a arte timorense contemporânea exclusivamente através da Arte Moris.
De acordo com a reflexão apresentada, o grupo deve ser compreendido dentro de uma história artística mais vasta.
“A Arte Moris não surgiu do nada. Faz parte de um percurso histórico, com raízes, interações entre artistas e escolas de outros países, e influências de Portugal e da Indonésia”, destacou.
A apresentação destacou ainda que este percurso artístico se mantém relacionado com as estruturas coloniais que persistem do passado ao presente, defendendo uma análise que considere as diferentes experiências que contribuíram para a formação da arte contemporânea em Timor-Leste.
O debate inseriu-se no segundo dia do Festival Literário e posicionou a arte como uma das formas através das quais a sociedade timorense pode refletir sobre a sua história, resistência e transformação social.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
Arte Moris e a história da resistência em destaque no segundo dia do Festival Literário
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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