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Remessas dos emigrantes equivalem a 10% do PIB de Timor-Leste, revela relatório da FIDA

todaySetembro 15, 2026 36 2 5

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Díli, 15 de setembro de 2026 (RAFA) – As remessas enviadas pela diáspora timorense correspondem a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e a 96% do total das exportações nacionais de Timor-Leste, segundo um relatório do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) divulgado esta semana.

O estudo “Sending Money Home 2026 ” (Enviar Dinheiro para Casa 2026), lançado em Roma, mostra que as remessas globais quase duplicaram numa década, atingindo 728,6 mil milhões de dólares em 2025.

Esse valor é quatro vezes maior que o total da ajuda pública ao desenvolvimento e superior ao investimento direto estrangeiro recebido pelos países de rendimento baixo e médio.

Segundo o documento, 220 milhões de migrantes e membros da diáspora sustentam 1,1 mil milhões de familiares em todo o mundo, o equivalente a uma em cada seis pessoas.

Desde 2016, os fluxos de remessas cresceram 94%, um ritmo superior ao do crescimento populacional e da emigração nos países recetores.

Cerca de um em cada três dólares enviados – uns 233 mil milhões – chegou a zonas rurais, onde o acesso a emprego formal, serviços financeiros e infraestruturas públicas é geralmente mais fraco.

No caso timorense, os valores enviados pela diáspora colocam o país entre as economias com maior dependência de remessas da região da Ásia-Pacífico.

A par de Cabo Verde, onde as remessas representam 12% do PIB, e da Guiné-Bissau, onde totalizam 10%, as remessas timorenses estão entre as mais elevadas entre os países lusófonos.

Em termos de peso nas exportações, Timor-Leste destaca-se: os 96% do valor das exportações nacionais cobertos pelas remessas são muito superiores aos 62% registados em São Tomé e Príncipe e na Guiné-Bissau.

Segundo dados de estratégias oficiais do Governo timorense, as remessas tornaram-se, desde 2018, a maior fonte de rendimento não petrolífero do país, num contexto em que quase 90% das exportações têm tradicionalmente origem no setor do petróleo.

Entre 2016 e 2025, o volume de remessas recebidas por Timor-Leste cresceu mais de 100%, um ritmo semelhante ao registado pela Guiné-Bissau.

Já Angola registou a maior aceleração de todo o bloco lusófono, com um aumento de quase 1.200% no mesmo período, enquanto São Tomé e Príncipe e Moçambique mais do que triplicaram os seus fluxos. Brasil e Cabo Verde mantiveram um crescimento mais moderado, na ordem dos 60%.

O Brasil lidera em volume absoluto entre os países lusófonos, tendo recebido mais de 4,75 mil milhões de dólares em 2025, consolidando-se simultaneamente como polo de acolhimento da migração intrarregional na América do Sul.

O relatório da FIDA sublinha que mais de metade das remessas globais é hoje iniciada através de um canal digital, o que tem contribuído para baratear as transferências, ainda que o dinheiro em numerário continue a ser um método prevalecente em muitos corredores – apenas 35% dos serviços analisados em 2025 eram totalmente digitais, tanto do lado de quem envia como de quem recebe.

Os custos de envio continuam, no entanto, a ser um obstáculo significativo e desigual consoante o corredor.

Enquanto o envio de dinheiro para São Tomé e Príncipe ou para o Brasil envolve taxas médias à volta de 4% em serviços não bancários, o corredor angolano tem um custo médio de quase 23% por operação.

Pedro de Vasconcelos, gestor do Mecanismo de Financiamento de Remessas da FIDA, sublinhou que as remessas continuam a ser “uma espinha dorsal do bem-estar” das famílias, com impacto direto no acesso à educação e na capacidade de resposta a crises.

Segundo o responsável, a experiência de países como Portugal – onde as remessas dos emigrantes nas décadas de 60, 70 e 80 contribuíram para o crescimento económico das famílias – mostra como estes fluxos podem também servir para incluir financeiramente populações sem acesso a serviços bancários.

“Quando se fala em vincular estas remessas a produtos financeiros, estamos a falar de experiências já vividas”, afirmou Vasconcelos, defendendo que os recetores frequentes de remessas podem, através de carteiras digitais, poupar parte desse dinheiro e construir um historial de crédito – “lições com já mais de 20, 30 anos que se podem replicar”, com recurso a tecnologia moderna.

O relatório aponta ainda que Portugal desempenha um “papel duplo” neste sistema global de remessas, funcionando simultaneamente como país recetor – ancorado em corredores migratórios que ligam trabalhadores portugueses a destinos como a França – e como ponte para as comunidades dos países africanos de língua portuguesa e para Timor-Leste.

O presidente da FIDA, Alvaro Lario, citado no comunicado da organização, afirmou que os benefícios das remessas “são maiores quando as famílias têm acesso a serviços financeiros acessíveis e de confiança, além do conhecimento, da liberdade e das opções adequadas para usar os seus recursos de acordo com as suas próprias necessidades e aspirações”.

O documento da FIDA conclui apelando a governos, reguladores, instituições financeiras e parceiros de desenvolvimento para tornarem as transferências mais baratas e transparentes, reforçarem o acesso das zonas rurais e ampliarem o acesso das famílias a poupanças, seguros, crédito adequado e oportunidades de investimento.

 

 

 

Escrito por RafaFM

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