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Combates no Iémen intensificam-se e Huthis multiplicam ataques contra a Arábia Saudita

todaySetembro 14, 2026 18 1

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Áden, 14 de setembro de 2026 (RAFA) – O conflito no Iémen agravou-se no domingo, com as forças governamentais a atacarem os rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão, ao longo do mar Vermelho, enquanto os Huthis dispararam contra território saudita.

O governo iemenita prometeu enviar mais forças para a costa do mar Vermelho, depois de um responsável ter admitido uma derrota “dolorosa” na semana passada, quando os Huthis capturaram a cidade portuária de Mokha e uma ilha no estreito de Bab al-Mandab, rota marítima alternativa crucial ao estreito de Ormuz.

A escalada – sobretudo os ataques huthis a infraestruturas petrolíferas sauditas e à navegação no mar Vermelho – aumenta a pressão sobre o abastecimento e os preços globais do petróleo, podendo dar ao Irão vantagem na sua confrontação com os Estados Unidos.

Com o Iémen em risco de mergulhar noutra guerra civil, as Nações Unidas estimam que mais de 80 mil pessoas no empobrecido país tenham sido deslocadas pelos combates desde o início de setembro.

Uma mulher relatou ter fugido de madrugada da localidade de Khawkha, na província de Hodeida, no mar Vermelho, pouco antes de esta ser tomada pelos Huthis, depois de uma bomba de morteiro ter caído perto de si.

“Vi com os meus próprios olhos carros e autocarros a arder, e corpos de crianças e mulheres na estrada, numa cena horrível”, contou, sob anonimato, por receio pela segurança da família.

As autoridades sauditas acionaram sirenes no domingo à tarde nas cidades de Abha e Khamis Mushait, alertando a população para se abrigar de eventuais ataques, depois de as duas áreas terem sido repetidamente visadas nas últimas semanas.

Os Huthis reivindicaram ter usado drones e mísseis contra a Arábia Saudita, incluindo uma base militar junto à fronteira com o Iémen, sem apresentar provas ou precisar a data do ataque.

A proteção civil saudita relatou ainda a queda de um projétil junto à fronteira, que feriu duas pessoas e danificou uma mesquita e outros edifícios, atribuindo o ataque aos Huthis, que dizem visar infraestruturas e navegação sauditas no âmbito de um bloqueio recentemente declarado, sem intenção de ameaçar a navegação comercial de outros países.

A Resistência Nacional, força aliada do governo que controlava zonas costeiras, afirmou que mais de 500 combatentes governamentais foram mortos na costa oeste nas últimas quatro semanas – o primeiro balanço abrangente divulgado -, e que mais de mil Huthis morreram nas províncias de Hodeida e Taiz, sem reação imediata de um porta-voz do movimento rebelde.

O Iémen, com mais de 40 milhões de habitantes, teme o regresso à guerra civil iniciada há mais de uma década, que fez 150 mil mortos e empurrou o país para perto da fome.

O governo iemenita, internacionalmente reconhecido, e a Arábia Saudita combatem os Huthis há 12 anos, num conflito em que um cessar-fogo iniciado em 2022 tinha, na sua maioria, travado os combates.

Um responsável governativo iemenita afirmou que as forças vão regressar à costa do mar Vermelho para continuar a luta, depois de pessoas fugidas do avanço huthi terem relatado à Associated Press terem visto forças a retirar-se e a pedir à população que fugisse.

Sultan al-Arada, membro do conselho presidencial de liderança, descreveu o colapso das forças governamentais em Mokha e noutros pontos da costa oeste como “doloroso e lamentável”, garantindo, em entrevista televisiva emitida no sábado à noite, que as forças “estão atualmente a reagrupar-se e vão regressar ao combate”.

No domingo, o líder do conselho presidencial, Rashad al-Alimi, procurou minimizar as derrotas como “incidentais”, segundo declarações divulgadas pela agência noticiosa estatal SABA, garantindo que o governo “permanecerá claro e firme no objetivo de recuperar as instituições [do Estado] e a soberania sobre todo o território nacional”.

O exército iemenita afirmou ter lançado, no domingo, ataques aéreos contra posições huthis em Mokha, na localidade costeira de Dhubab e noutros pontos da província de Taiz.

Os rebeldes reportaram ataques das forças apoiadas pela Arábia Saudita na província de Taiz e bombardeamentos de artilharia na província de Saada, bastião huthi na fronteira norte com a Arábia Saudita.

O avanço huthi aproxima os rebeldes a cerca de 32 quilómetros da base militar dos Estados Unidos no Djibuti, do outro lado do estreito de Bab al-Mandab – a principal base norte-americana em África e uma das várias instalações militares estrangeiras no país, que acolhe também forças da China, da França e do Japão.

O pequeno país do Corno de África já regista a chegada de iemenitas deslocados, que atravessam o mar em condições perigosas: mais de dois mil já alcançaram o Djibuti, segundo a Organização Internacional para as Migrações.

O ministro da Economia e Finanças do Djibuti, Ilyas M. Dawaleh, afirmou na rede X que a marinha, a guarda costeira e outras agências especializadas do país estão a realizar operações de resgate e a prestar assistência de emergência.

A agência da ONU para as migrações indicou no domingo que mais de 82 mil pessoas foram deslocadas no Iémen desde o início de setembro.

“As pessoas deslocadas estão em condições muito más”, afirmou Ahmad al-Masawi, diretor do campo de Al Salam, na cidade portuária de Áden, no sul do país, apelando a apoio internacional. “Saíram de casa à pressa, sem roupa nem nada. Estão amontoadas em campos, casas e até nas estradas.”

Hussein Haydara, sentado à porta de um abrigo no campo, com os filhos à espera de serem encaminhados para uma tenda, mostrou-se preocupado com a distância do abrigo a escolas, hospitais e mercados, questionando como sobreviverão às próximas semanas ou meses.

Já tinha fugido de Hodeida uma vez, quando os Huthis tomaram a cidade em 2015, mas desta vez a situação é mais precária. “Da primeira vez que fomos deslocados, tivemos tempo para planear as coisas, mas desta vez fomos forçados a fugir de repente. Mal se conseguiu levar os filhos e o mínimo indispensável”, contou.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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