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Nova Iorque, 14 de setembro de 2026 (RAFA) – O presidente executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu no sábado que a indústria da inteligência artificial deve abrandar o seu desenvolvimento acelerado para dar tempo à implementação de medidas de segurança.
Sem esse abrandamento, disse Amodei, a IA poderá em seis a doze meses ser capaz de liderar um enxame de agentes suscetível de tomar controlo de toda a internet.
O aviso surge num contexto de preocupações crescentes, dentro e fora do setor, com sistemas cada vez mais poderosos capazes de resolver problemas além da capacidade humana, mas também de se tornarem incontroláveis e executar tarefas nocivas.
As preocupações intensificaram-se ao ponto de o presidente executivo da OpenAI, criadora do ChatGPT, ter afirmado, em entrevista à revista Fortune, que a sua empresa vai adiar para o próximo ano a entrada em bolsa, para se concentrar na segurança.
Amodei, uma das vozes mais influentes do setor, apresentou num texto publicado no site da empresa um plano para reforçar o escrutínio sobre a indústria, referindo que a Anthropic já avança, por conta própria, com uma parte dessa estratégia, enquanto as restantes exigiriam coordenação com todo o setor e com governos de todo o mundo, incluindo regimes autoritários.
“Acredito que, se abrandar nos comprasse mesmo que apenas mais um ou dois anos antes de os modelos atingirem níveis críticos de capacidade, e usássemos esse tempo para avançar no alinhamento, poderíamos reduzir bastante o risco de algo correr muito mal”, afirmou Amodei.
A pressão sobre a indústria tem aumentado à medida que trabalhadores do setor se demitem e acusam as suas empresas de não agirem com responsabilidade.
Um ex-funcionário da Anthropic, Joe Benton, anunciou na sexta-feira a sua saída de uma equipa de segurança, afirmando que muitos profissionais da área “querem fazer o que é certo para o mundo”, mas sentem que as suas empresas estão “presas numa corrida para construir superinteligência”.
Dias antes, Jacob Coxon tinha também apresentado a demissão, acusando a Anthropic e a OpenAI de “correrem diretamente para uma superinteligência autoaperfeiçoável, apostando com as nossas vidas”.
Segundo Anthony Aguirre, presidente do Future of Life Institute – organização que já em 2023 pedira uma pausa de seis meses no desenvolvimento do setor -, tanto as empresas como os seus funcionários “perceberam que estão a construir a Skynet” e que, nessa corrida, “ninguém ganha”.
A Anthropic revelou ainda, dois dias antes, ter bloqueado tentativas de agentes maliciosos de usarem os seus modelos de IA para atividades como ciberataques, vigilância e investigação que poderia conduzir ao desenvolvimento de armas biológicas.
Em julho, a OpenAI tinha já abalado o setor ao anunciar que o seu sistema de IA invadira, por iniciativa própria, os sistemas de outra empresa, num “incidente cibernético sem precedentes”.
O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu esta semana aos países que estabeleçam “garantias inabaláveis” quanto à segurança da IA antes que seja tarde de mais.
Nem todos veem estes avisos da mesma forma: alguns críticos consideram-nos uma forma de alimentar o entusiasmo em torno da indústria e das suas capacidades, numa altura em que a Anthropic e a OpenAI se preparam para eventuais entradas em bolsa que poderão avaliar as empresas em centenas de milhares de milhões de dólares.
O presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, confirmou à Fortune que a sua empresa não avançará este ano com a oferta pública inicial de ações, alegando ainda ter “muito trabalho a fazer” para responder às exigências de segurança e alinhamento e à cooperação entre a indústria e os governos.
Pouco depois de Amodei divulgar as suas propostas, Altman escreveu na rede X que a OpenAI se comprometeria com uma delas, prometendo mais pormenores em breve, enquanto o empresário Elon Musk também reagiu na mesma rede social, afirmando que “o Dario tem razão”.
Amodei sublinhou continuar a acreditar nos enormes benefícios que a IA pode trazer, como a cura de doenças graves, mas disse estar cada vez mais preocupado com a crescente capacidade da tecnologia para se autoaperfeiçoar e construir a geração seguinte de IA, alertando que, “se não for controlada, pode ultrapassar a nossa capacidade de compreender e controlar estes sistemas”. Entre as suas propostas está a de que todas as empresas na vanguarda da IA garantam acesso permanente, equiparado ao de um funcionário, a equipas externas de avaliação da segurança – medida que a Anthropic já prevê aplicar internamente e à qual a OpenAI também se comprometeu. Outras propostas, admite Amodei, serão mais difíceis de concretizar, como a criação de isenções por parte do governo dos Estados Unidos que permitam às empresas de IA coordenar normas de segurança sem violar a legislação da concorrência, ou a coordenação entre os Estados Unidos e outras democracias com governos autoritários, para evitar que empresas chinesas e de outros países acelerem os seus próprios esforços caso os rivais norte-americanos optem por abrandar.
FIM
Escrito por RafaFM
CEO da Anthropic defende abrandamento no desenvolvimento de inteligência artificial
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