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Banguecoque, 14 de setembro de 2026 (RAFA) – O ministro da Justiça da Tailândia, o tenente-general da polícia Rutthaphon Naowarat, anunciou que as autoridades estão a preparar ações legais contra uma alegada rede de cidadãos israelitas que detém terrenos em Pattaya, num caso que já provocou protestos de rua em várias cidades do país.
O ministro disse à televisão estatal NBT, no programa “Talk with Anutin’s cabinet”, no sábado, que as ações legais se inserem em investigações sobre crime transnacional.
A investigação remonta a uma operação de 21 de agosto, quando a unidade de operações especiais do Departamento de Administração Provincial invadiu três locais em Pattaya, em conjunto com o Departamento de Investigações Especiais (DSI) e a Polícia Real Tailandesa.
O objetivo, segundo as autoridades, foi desmantelar uma alegada rede de testas-de-ferro acusada de usar cidadãos tailandeses para deter ilegalmente terrenos e gerir negócios em nome de investidores estrangeiros.
A operação foi liderada pelo próprio Rutthaphon Naowarat, pelo vice-ministro do Interior Worasit Ngaprasit e pelo governador de Chon Buri, Narit Niramaiwong, centrando-se na alegada violação da Lei das Empresas Estrangeiras através do registo de cidadãos tailandeses como acionistas em nome de proprietários efetivos estrangeiros.
Os investigadores dizem que a rede está ligada à empresa Cosy Beach View Company Limited, cujo conselho de administração inclui um cidadão israelita, numa prática que remonta a 2010. Segundo o DSI, o alcance da investigação estende-se ainda a Pai, em Mae Hong Son, a Koh Pha Ngan e Koh Samui, em Surat Thani, a Phuket e a Banguecoque, com o valor de imóveis e outros ativos alegadamente detidos pela rede a nível nacional estimado em dezenas de milhares de milhões de baht.
O empresário israelita Maimon David Marsiano, ligado ao escritório jurídico KT International Law and Business, em Chon Buri, deverá ser convocado pelo DSI para prestar declarações, mas continua sem ser formalmente acusado.
O caso surge num contexto de crescente tensão social em torno da presença de comunidades israelitas na Tailândia.
No dia 10 de setembro, centenas de manifestantes reuniram-se junto à embaixada de Israel em Banguecoque para entregar uma carta aberta exigindo maior escrutínio sobre a propriedade fundiária estrangeira e alegados negócios com testas-de-ferro, além de pedirem respeito pelas leis e costumes tailandeses por parte de cidadãos israelitas.
O protesto, organizado pelo movimento “Take Thailand Back” e liderado pelo antigo dirigente da Aliança do Povo pela Democracia, Sondhi Limthongkul, incluiu cartazes contra a guerra em Gaza e apelos ao boicote a Israel, tendo a agência AP notado a presença de alguns cartazes de teor antissemita.
Dias antes, em Phuket, mais de 500 manifestantes marcharam até um centro Chabad-Lubavitch em Patong para contestar a organização de uma celebração do Ano Novo judaico, que acabou cancelada.
O primeiro-ministro Anutin Charnvirakul já tinha rejeitado, a 3 de setembro, a premissa da campanha de Sondhi, afirmando que a Tailândia pertence a todos os tailandeses e que não há necessidade de “reclamá-la”.
FIM
Escrito por RafaFM
Justiça tailandesa prepara ação legal contra rede israelita de terrenos em Pattaya
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