Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Díli, 11 de setembro de 2026 (RAFA) – O Bispo de Diocese de Maliana e Pro-Presidente da Conferência Episcopal Timorense (CET) afirmou que o regresso dos restos mortais dos quantro prelados católicos à Timor faz que “Eles tornaram-se Timor. A presença física já não existe, mas o testemunho de vida fica”.
Na cerimónia solene presidida pelo Cardeal Virgílio do Carmo, Dom Norberto destacou que os saudosos Dom Jaime Goulart, Dom José Ribeiro, Dom Martinho da Costa Lopes e Dom Alberto Ricardo da Silva não são apenas figuras da história da Igreja, mas pedras angulares da própria identidade timorense, destacando que a ausência dos quatro pastores fazem falta ao povo timorense.
”Não estão longe. Nós é que sentimos o vazio da sua ausência. Hoje eles voltam a estar connosco, na terra sagrada que tanto amaram e pela qual deram a vida”, afirmou o Bispo de Maliana, num dos momentos mais emotivos da celebração.
Para Dom Norberto, o maior ensinamento deixado pelos quatro pastores é que a autoridade só tem sentido quando servir os mais frágeis.
”Eles ensinaram-nos que ser pastor é dar a vida pelo povo. Ensinaram-nos sacrifício, justiça, diálogo, perdão e reconciliação. Foram faróis na escuridão, nos tempos mais difíceis da nossa história”, sublinhou.
O Bispo recordou que cada um, à sua maneira, se tornou Timor:
Dom Jaime Goulart, que lançou a educação em Soibada em 1936 e se tornou o primeiro Bispo de Díli; enquanto Dom José Ribeiro, o escudo do povo que não abandonou o rebanho quando chegaram os lobos em 1975.
Para o sacerdote, Dom Martinho da Costa Lopes, foi a voz dos sem voz que levou o clamor de Timor ao mundo e Dom Alberto Ricardo da Silva, que ensinou que a paz se constrói com perdão.
“Temos uma dívida para com aqueles que deram a vida por esta terra. O que devemos fazer agora é guardar esta memória e continuar a sua missão: proteger os mais frágeis e caminhar na luz do Evangelho”, concluiu Dom Norberto.
A cerimónia marcou o fim de um processo de 11 anos e contou com a presença de milhares de fiéis que lotaram a Explanada Tasi-Tolu.
Jornalista: Mateus Romário
Escrito por RafaFM
Bispo de Maliana: Presença física acabou mas testemunho dos 4 prelados fica
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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