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Díli, 11 de setembro de 2026 (RAFA) – O Núncio Apostólico em Timor-Leste, Monsenhor Marcel Smejkal, afirmou que o regresso dos restos mortais dos quatro prelados à terra timorense constitui “um ato de justiça histórica e um profundo sinal de unidade nacional”.
Segundo o Núncio, o momento é “fruto fecundo do entendimento alcançado em fevereiro de 2026 entre a Igreja Católica e o Governo de Timor-Leste, uma sinergia fraterna que honra o passado para iluminar o futuro”.
“Nesta liturgia, a dor das décadas passadas transforma-se em esperança, pois acolhemos na paz da catedral aqueles que conduziram o povo através dos vales sombrios da história”, declarou no seu discurso esta quinta-feira após a Missa Solene em Tasi-Tolu.
Smejkal evocou o magistério de Leão XIV sobre a figura do Bom Pastor, o “belo pastor” no sentido profundo da expressão grega.
“Esta beleza não indica o aspeto físico, mas uma beleza espiritual. Jesus é um pastor autêntico, disposto a dar a vida pelas suas ovelhas, capaz de transfigurar a vida daqueles que o seguem e compassivo para com os que estão perdidos e sofrem”, explicou.
“Quem segue o belo pastor participa da sua beleza espiritual, irradiando verdade e coragem. O ministério destes quatro prelados foi um autêntico serviço de amor, enraizado na compaixão de Cristo pelas multidões perdidas”, acrescentou.
O Núncio sublinhou que a cerimónia resplandece como uma luz particular no segundo aniversário da viagem apostólica do Papa Francisco a Timor-Leste, em setembro de 2024.
Recordou que Francisco exortou os timorenses a protegerem os seus maiores tesouros – as crianças e os idosos –, missão que foi o centro da obra de Monsenhor Jaime Goulart em Soibada, e que o Papa falou da missão cristã como um perfume precioso que purifica as tradições, o mesmo perfume difundido pelos pastores enquanto combatiam a pobreza e a opressão.
O Núncio definiu os homenageados como “pedras angulares da catedral espiritual” de Timor-Leste:
D.Jaime Goulart, “homem de dor e educador”, que lançou em 1936 as sementes do futuro no Seminário de Soibada, compreendendo que a liberdade nasce da formação das consciências, e que em 1945 se tornou o primeiro Bispo de Díli;
D.José Joaquim Ribeiro, o “escudo do povo”, que diante da invasão de 1975 “não abandonou o rebanho quando chegaram os lobos”, abriu as estruturas da Igreja àqueles que procuravam refúgio e denunciou com audácia os abusos e as violências sistemáticas;
Monsenhor Martinho da Costa Lopes, “a voz dos sem voz”, Administrador Apostólico de coragem profética que levou o clamor de Timor-Leste aos palcos do mundo e que, mesmo depois do exílio forçado em 1983, continuou a defender a causa da dignidade humana;
D.Alberto Ricardo da Silva, que conduziu a nação rumo à aurora da justiça e da reconciliação, levou a causa timorense ao Secretário-Geral das Nações Unidas e deixou como legado o compromisso com a paz e o perdão, exortando os jovens a escolher o perdão em vez da vingança.
“Estes quatro pastores encarnaram a beleza do Bom Pastor. Deram a vida, protegeram os que eram frágeis, não fugiram diante do perigo”, sublinhou.
No final, deixou três apelos às autoridades civis, para que sigam o exemplo de dedicação ao bem comum; aos bispos e sacerdotes, para que sigam a caridade pastoral; e ao povo e aos jovens, para que guardem a paz, protejam os mais frágeis e caminhem sempre na luz do Evangelho.
Jornalista: Mateus Romário
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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