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PR Ramos-Horta: Memória dos quatro prelados pertence à Igreja e à memória nacional de Timor-Leste

todaySetembro 11, 2026 19

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Díli, 11 de Setembro de 2026 (RAFA) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, afirmou esta quinta-feira na Catedral de Díli que a memória dos quatro saudosos prelados pertence não só à Igreja mas à memória nacional, recordando os seus contributos para o país nos tempos difíceis, durante a Cerimónia de Homenagem aos Saudosos Prelados de Timor-Leste.

‎‎”Hoje é um dia de profunda emoção. Finalmente, os restos mortais dos nossos quatro saudosos prelados reúnem-se com honras na terra onde serviram e à qual dedicaram a sua vida pastoral”, disse o Chefe de Estado no seu discurso.

Na cerimónia com o tema “Retratos da Fé e Memória Eterna da Igreja e de Timor-Leste”, o Chefe de Estado prestou homenagem a D. Jaime Garcia Goulart, D. José Joaquim Ribeiro, Monsenhor Martinho da Costa Lopes e D. Alberto Ricardo da Silva, cujos restos mortais foram transladados de Portugal e de Díli para a Catedral.

‎O Presidente evocou uma frase de Monsenhor Martinho da Costa Lopes publicada em 1973: “Maubere, meu Irmão. O Sol já vai alto, os seus raios são também para ti. Levanta-te, são horas.”

‎Para Ramos-Horta, a frase é a imagem da caminhada de Timor-Leste: “O nosso povo levantou-se! Levantou-se através da Resistência, da fé, da solidariedade e da determinação”

‎No discurso, o PR destacou o contributo de cada um:

‎D. Jaime Garcia Goulart, primeiro Bispo de Díli, dedicou-se à organização da Igreja e à educação;

‎D. José Joaquim Ribeiro exerceu o ministério em período de grandes mudanças e sofrimento;

‎Monsenhor Martinho da Costa Lopes tornou-se “uma voz para aqueles que não tinham voz”, defendendo a dignidade do povo timorense no exterior;

‎D. Alberto Ricardo da Silva, natural de Aileu, dedicou-se à formação do clero e acompanhou a construção do Estado independente.

‎”A vida destes quatro homens mostra-nos que a história da Igreja em Timor-Leste não pode ser separada da história do nosso povo”, afirmou

‎Em nome do Estado, o PR agradeceu à Igreja Católica em Portugal e às autoridades portuguesas que preservaram com dignidade os restos mortais durante décadas.

‎Referindo a ponte de Manatuto com o nome de Martinho Lopes, Horta sublinhou: “Também estes quatro homens foram construtores de pontes: entre a Igreja e o povo, entre Timor-Leste e o mundo.”

‎O Chefe de Estado apelou para que o exemplo dos prelados inspire o combate à pobreza, a criação de oportunidades para os jovens e a melhoria da educação e saúde.

‎A cerimónia iniciou com a missa solene em Tasi-Tolu presidida pelo Arcebispo Metropolita de Díli  Dom Virgílio Cardeal do Carmo da Silva, com a presença do Primeiro-ministro Xanana Gusmão, membros do Governo, autoridades civis e militares e familiares de Monsenhor Martinho da Costa Lopes.

A cerimónia terminou com salva de tiros em homenagem aos prelados.

‎Jornalista: Mateus Romário

Escrito por RafaFM

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